megafone

18 de junho de 2013
por glauco gotardi
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É a liberdade de expressão, estúpido

megafoneNão seria bom, muito MUITO bom (embora improvável e extremamente utópico) se percebessem, todos os lados envolvidos nesse momento importante – do civismo, da política, da vida pública, da democracia – que liberdade de expressão significa liberdade para todos, inclusive para aqueles que DISCORDAM de você?

Se apegar nesse discurso de que a grande mídia é o problema porque tem lá impressa a opinião do político, porque tem lá gravada a linha editorial da casa…

É problema discordar de você?

Se o cacete do comentarista fala merda, se a droga do canal de TV usa ou não logotipo nos carros, se a bosta da emissora de rádio tá errada, se o lixo do jornal tem aquele editorial tendencioso…

Raso demais, não?

A liberdade de expressão é isso, não? Consumir, acreditar, repassar isso, aí é que entra o seu lado do tapa na bunda dessa gostosa que é a liberdade.

E, se alguém, algum movimento, algum motivo, algum estopim consegue mudar esses “grandes diabos da comunicação social”, isso deveria sinalizar o quanto eles estavam errado e todos podem fazer isso, todos podem mudar de lado.

Ótimo.

Você já esteve errado várias vezes na vida, já mudou de lado e de opinião várias vezes na vida.

(E se não mudou e continua sempre com o mesmo ponto de vista sobre tudo, desculpa falar, mas você é uma porta.)

Agora, a mudança deles é oportunista, temporária?

Bom, aí cabe a você julgar.

O que sempre me pareceu temerário é essa simplificação do discurso, é fazer tábula rasa do discurso, desenhar duas coluninhas e tentar enquadrar tudo e todos nelas.

Antes o mundo fosse simples assim; não é, só vai ficar mais complexo e cabe a você ter argumentos suficientes, ter raciocínio crítico, ter informação suficiente para julgar e defender seu ponto de vista.

Não existe liberdade de expressão pela metade, como não existe liberdade política pela metade, como não existe liberdade, pura e simples, pela metade.

De novo, cabe a você julgar: você é o filtro do conteúdo que consome.

Vai ou não assistir aquele canal, assinar aquela revista, ouvir aquela rádio, acessar aquele portal, ler aquele jornal?

Cabe a você escolher.

Vai criticar o discurso, vai discordar, vai expor seu ponto de vista?

Tomara que sim.

Se isso acontecer, se isso for possível, entenda o que é isso.

É a liberdade de expressão, estúpido.

(E não se ofenda, esse “estúpido” é só aquele recurso emprestado frequentemente da onipresente referência de “The economy, stupid“. Tô te ofendendo não, a gente nem se conhece ainda.)

bola

17 de junho de 2013
por glauco gotardi
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De futebol e de protestos

E aí, em meio a outras tantas coisas, você ainda  lê isso.

“O futebol é mais forte que a insatisfação das pessoas. [...] Uma vez que a bola rolar, as pessoas vão entender e isso vai acabar.”

Frase essa que nos chega como cortesia de Joseph Blatter, o capo di tutti i capi, o chefe de uma máfia que ainda chamam de esporte, disso aí que chamam de futebol

Em uma só frase, a autoridade máxima do futebol justificou, validou, assinou embaixo de todo e qualquer motivo que se tenha – eu tenho, e como tenho – prá ver no futebol moderno muito do que existe de pior no mundo.

Um esporte usado como ferramenta prá contentar uma massa disforme, prá permitir que as minúsculas vitórias transmitam o ânimo prá te fazer encarar três horas até chegar no trabalho na segunda-feira.

Um esporte usado para que as pequenas rusgas, a derrota, no cotidiano se expressem como brigas – essas sim controláveis – e que isso sirva prá te dar uma válvula de escape segura, prá evitar que a porra toda atinja o ponto da explosão social definitiva.

Um tema idiota discutido todo dia, em todo canto, por todos os meios, em todos os veículos, ad eternum, com uma paixão que ofusca o que de fato pode mudar sua vida.

Uma chancela embasbacante abraçada por todo o tipo de publicitário medíocre pra empurrar qualquer merda garganta abaixo – Bota do lado do Neymar, que vende - , prá disfarçar a enorme falta de qualidade, de diferenciais, de motivos prá você comprar aquilo. E te fazer esquecer que você tá nessa é prá consumir mesmo. Só.bola

Uma máquina planetária de fazer dinheiro prá poucos, de lavar o dinheiro de outros tantos, de colocar centenas de milhares de crianças sonhando com essa possibilidade, sem que gastem um décimo do mesmo pique sonhando com a possibilidade de estudar numa escola decente, fazer faculdade e fazer a diferença, por pequena que seja.

Mas tudo bem, o futebol, ele é mais forte que a insatisfação das pessoas.

É?

E, prá sorte da nossa imagem de povo cordial, festivo, ufa!, quando a bola rolar, as pessoas vão entender e isso vai acabar.

Vai?

Nobody Cares

13 de junho de 2013
por glauco gotardi
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Eu sei

Reclame à vontade das ações, critique à vontade a cobertura, elogie à vontade o comportamento.

A vida é livre (até a página 2), a rede tá aberta (até a metade da página 3) e você – você sim! – entende o que acontece.

Então, vai lá, reclame à vontade, critique à vontade, elogie à vontade.

Mas – desculpa falar – não adianta não, viu?

Porque tudo que você falar não vai conseguir ir muito longe.

Seus amigos, seus conhecidos, seus familiares, seus companheiros de trabalho, a galera do bar, os povo da igreja, todos eles e todo o resto: eles não se importam.

Não se importam porque não querem essa coisa que você dá em toda e qualquer oportunidade que é sua opinião.

E não querem porque ela, em 99% do tempo – prá não ser exagerado e dizer sempre – não é sua opinião não.

É a verdade.

E contra a sua verdade, a verdade deles não é nada, não é?

Todos estão surdos – já dizia aquele cara que não podemos mencionar ou seremos acionados judicialmente – e estão surdos por opção.

Ninguém quer diálogo, ninguém quer o controverso, ninguém quer o meio termo, ninguém quer ouvir, ninguém quer conhecer, ninguém quer ser posto à prova.

Porque – você não sabia? – todos são portadores de absolutamente todas as informações necessárias para julgar absolutamente todos os assuntos.

O preço da passagem no transporte, o comportamento da polícia e a posição dos administradores públicos são só os mais recentes desses ensaios analíticos definitivos; também se decretam verdades absolutas e indiscutíveis sobre a política cambial, o novo design da Apple, a temperatura certa e o jeito correto de tomar cerveja, qual a raça do gato mais apropriada, quando os imóveis vão baixar de preço, qual o trajeto mais correto para a Parada do Orgulho Gay, qual o esquema tático da seleção australiana de rugby.

E o problema é que, nessa hora, entra o “eu sei do que eu tô falando”, não raro acompanhado do “você não entende” – as vezes disfarçado, de alguma forma, de “isso é o que a mídia quer que você acredite”.

“Eu sei”.

Ninguém mais “na minha opinião”, ninguém mais “eu acho”, ninguém mais “olha, posso estar errado mas…”.

E, principalmente, ninguém mais “é, você tem razão”.

E enquanto sabe-se de tudo, oniscientes e infalíveis em seus mais amplos raciocínios, mantém-se o ato contínuo de expressar a unicidade da genialidade em mais um pensamento alheio compartilhado, em mais um cartum feito por outro, em mais uma crítica de terceiros que expressa exatamente aquilo que “você sabe do que está falando”.

Mais um meme dividido, mais uma insta-cena de outra pessoa, rapidamente curtida já que captura precisamente o que você pensa.

Porque sim, você é o dono da verdade, ainda que ela seja 100% criada pelos outros.

Para a sua verdade, para a minha e para esse texto eu digo. Ninguém tá nem aí.

Mas é só minha opinião.

batman_vintage_logo

3 de junho de 2013
por glauco gotardi
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Batman & Túneis do Tempo

(Imagino que cada um descubra uma utilidade principal para esses pequenos computadores tabloidizados – sempre de acordo com suas preferências, claro –  e, no meu caso, deu nisso… Sim. Quadrinhos.) 

Levado pelo interesse despertado lá pelo 1602 do Neil Gaiman, fui atrás dessa vertente alternativa na contação de histórias em HQs – algo que a Marvel chamou de What If… e a DC preferia chamar de Elseworlds - e acabei descobrindo isso aqui:

DC Batman Noir

Nesse “selo” Elsewords, os criativos da editora se permitem viagens que colocam os heróis em cenários dos mais distintos, sem que isso entre naquelas de ser justificado, necessariamente, por um enorme arco histórico qualquer ou um reboot nada a ver no universo só pra explicar um dedo extra na Mulher Gato ou bobagens afins; Especificamente nesse caso, a história é escrita prá se bastar e caber em uma edição – manobra essa que talvez simplifique certos detalhes das personagens mas, para leitores como este aqui, isso não prejudica em nada o entretenimento.

Além da versão Noir acima, Batman – persona essencialmente noir – ganhou também uma edição passada na era vitoriana, outra em que os EUA são uma teocracia, uma em que protege carregamentos de ouro para o presidente Lincoln…

Mas sim, eu ia começar por essa coisa linda que são as histórias noir, lógico.

E embora não seja tão Batman – a história gira muito mais em torno do que seria o comissário Gordon, em versão alcoolizada e desempregada  - e também não seja absolutamente-e-totalmente noir, entrega momentos de Selina Kyle absolutamente bem colocada no período e nos seus clichês e frases e gírias que não fazem feio frente à pulp fiction que se imagina quando pensamos nesses tempos.

Bebidas, mulheres, sequestros, brigas, cenas escuras, pistolas de seis tiros e chefões da máfia compõe uma história bacana para aqueles vinte minutos de espera por um assado, um médico ou pelo sono.

Sim, vale a leitura – até porque é curtíssimo – e como forma de descobrir se esses mundos alternativos são a sua praia.

(Sim, seu xiita dos quadrinhos, eu sei que Elseworlds e What If… não partem exatamente de pressupostos idênticos e tenho o mesmo interesse em discutir isso frente ao seu enciclopédico conhecimento de HQs que, provavelmente, sua avó.)

m199052

31 de maio de 2013
por glauco gotardi
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Will Love Tear Us Apart?

Já  que escrevemos sobre games no último post…

Nas palavras dos desenvolvedores, Will Love Tear Us Apart? é um jogo gratuito sobre relacionamentos que estão a ponto de acabar.

E continua: Inspirada, obviamente, pela faixa do Joy Division, segue o enredo, com uma perspectiva obscura e frustrante sobre o amor; no jogo, cada verso da faixa vira um nível do jogo.

Que tal?

E só para provar que existem lugares bacanas no planeta, a grana pra desenvolver o jogo veio do fundo de artes de Malta.

Sim, isso. O governo.

(Se bem que, pensando na possibilidade de envolver a nossa ministra da cultura, nossos ícones culturais e produzir um jogo… MinC apresenta Caxirola Virtual para iPad? Melhor deixar prá lá.)

Aqui.