Network Awesome

Eu não sei se você já teve a chance de dar uma conferida na Network Awesome mas, se você nunca passou por lá, tá perdendo coisa fina, acredite.

O princípio por trás dessa TV, se é que posso chamar os caras de “só” uma TV, é criar um portal que funcione – adivinhou – como um canal de TV online, sem programação e horários fixos.

Até aí, nada fora do comum, eu sei.

Mas o que esses caras fazem é procurar pela rede toda por documentários esquecidos, shows raros de artistas que você deveria conhecer, séries antigas, filmes clássicos e material vintage que não caberia em dez posts desse blog.

Contando com a curadoria de mais de 100 pessoas ao redor do mundo nessa busca, o que eles entregam pra você, aí no conforto do seu computador ou da sua TV com acesso a rede, é espetacular.

E, se antes de começar a colaborar com os caras eu era fã, agora então… Vai por mim, dá uma conferida.

(Ah, é por isso que esse post está aqui: hoje foi pro ar a minha primeira colaboração com os caras… E a estreia foi logo com um clássico italiano – ao menos honrei a minha ascendência – de Luchino Visconti.)

Podcast: Lado_C #013

Lado_C #013: XXX (Ou “A edição para audiências maduras”)

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Tracklist e trilha sonora do podcast estão lá nos cometários.

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Mais e mais bandas @ Sónar SP 2012, dia 2

Ao contrário do primeiro dia, em que a única tarefa era mesmo (re)ver o Kraftwerk, o segundo dia de Sónar SP rendeu um pouco mais.

Todo mundo cria uma programação ideal na cabeça quando vai em um festival (não?), contando com as bandas no horário e tudo acontecendo direitinho; claro que a gente sabe que isso não vai acontecer mas…

Minha programação mental era simples. Flying Lotus, Mogwai, The Twelves e Justice; Mas é lógico que nada disso começou no horário.

Então a programação foi refeita para dez minutos de um eletrônico chato demais, alto demais e com luzes demais no palco em que já deveria estar se apresentando o Flying Lotus.

Okey, no fundo eu sabia que não estava perdendo nada, então vamos pro auditório esperar o Mogwai.

Finalmente uma apresentação planejada dá certo e, se eu pensava que aquele eletrônico era alto, eu refiz meus conceitos após o final do show do Mogwai.

Aquilo sim era barulho. Aquilo sim era ensurdecedor – de uma forma boa, transcedental.

A acústica do espaço parecia atrapalhar um pouco, mas quem se importa. O que interessa é fazer barulho, distorcer. E foi isso que fizeram, em níveis de distorção e volumes que eu não conhecia.

(E isso vem de quem já passou por shows de Sonic Youth, Jesus & Mary Chain, Dinosaur Jr…)

Depois disso, pensar o que?

Não pensa, sai andando e vai pro outro canto da Arena Anhembi. O palco que devia ter o Twelves ainda estava com Cee Lo Green. Okey, a gente assiste, só prá não ter que andar mais…

É, deve ter sido divertidinho e ponto. Um monte de quase-covers, o hit do cara… Mas empolgou o público, é claro, então tá bom.

Depois dele, a apresentação do Twelves.

Repetitiva e com volume baixo  - efeito Mogwai? -, admito que esperava muito, muito mais; talvez por conta do Essential Mix deles prá BBC que eu gosto muito.

Acho que era mesmo um problema de expectativa alta e volume baixo.

E depois o Justice entra, aí sim com o volume em níveis decentes e expectativas do público geral de um show iluminado e barulhento.

Entregam isso, empolgam, todo mundo pula, fazem um quase-bis, dominam a platéia e blá-blá-blá.

Bacana.

Mas falemos do que foi, de fato, bom? Então, o show do Mogwai…

Kraftwerk @ Sónar SP 2012, dia 1

O Sónar SP, pelo menos na primeira, noite, não facilitou muito pra quem tem esse hábito de falar de eventos por aqui.

Ok, isso talvez só tenha acontecido porque eu não tinha a menor intenção de ver nada nessa noite que não fosse o Kraftwerk, então os outros vários shows passaram despercebidos. Mea culpa.

E não tendo sofrido nenhum problema com a fila e com ingressos, também não dá para criticar nada da organização.

(Tá, a pizza estava fria e a cerveja era Miller. Que tal isso como crítica?)

Então, única e exclusivamente sobre o que interessa: Kraftwerk.

A gente sabe faz tempo que o que está no palco é só 25% da banda original.

Sabe também que não tem música nenhuma nova prá ir lá conhecer.

Sabemos – ou ao menos imaginamos – que 3D ainda é tecnologia recente e não é isso que vai fazer o show deles ser absolutamente diferente da última passagem por aqui no Just A Fest, com o Radiohead.

E ainda tem certeza de que eles são o Kraftwerk e que, sem nenhuma invencionice, o show deles vai ser em pé, parados, estáticos.

Se bem que isso talvez nem todos saibam. Jornalistas do Terra que esperavam ver o Kraftwerk pulando no palco por exemplo:

“Ao longo dos mais de 90 minutos em que estiveram no palco, os integrantes do grupo permaneceram exatamente na mesma posição: estáticos. Nada de braços para cima clamando por animação, de malabarismos ou de sorrisos para a platéia.”

Vai saber, de repente tem um espírito de Planeta Terra no cara… Ou ele curte mesmo é axé e achou Kraftwerk chato.

De todos os modos, quem estava lá para ver os alemães e esperava o que eles sempre entregam não saiu, em nada, decepcionado.

Os efeitos 3D de fato não são geniais, avançadíssimos; E é bom que não o sejam, porque isso não combinaria com o que é Kraftwerk para a música, para a arte.

A cara vintage do que acontecia com os efeitos casava com as músicas sem sobressaltos, complementava sem ofuscar e, no final, ofereciam uma obra a ser lembrada com saudades pelos fãs.

Muito pouco mudou no que acontece durante a apresentação em relação ao último show deles; as projeções pareciam iguais em 90% do tempo ao Just A Fest e as músicas e mesmo a saída deles. Tudo mecanicamente preciso e similar.

Mas olhando os fãs ao redor, sendo um fã e pensando honestamente nisso após o show, a sensação é de que você recebeu exatamente o que esperava.

(E um pensamento final de auto-congratulação condescendente… Duas vezes presente nas quatro passagens dos caras por aqui. Nada mal.)

Church Of Vinyl

Church of Vinyl é um curta de David Culleton, do coletivo NoParking, que explora, segundo o próprio, fé, adoração e coleções de discos.

Nice.

(E sim, os exemplares clássicos do homo criativus ainda estão nessa pegada de coletivo, acredito eu… )

Dawkins e o “design inteligente”

Uma longa citação alheia, só porque faz tempo que isso não ocorre por aqui e porque eu ainda estou – sim, o livro é trabalhoso – lendo essa obra:

“Ainda há muito trabalho a fazer, é claro, e tenho certeza de que ele será feito.

Esse trabalho jamais seria feito se os cientistas ficassem satisfeitos com um padräo preguiçoso como o estimulado pela “teoria do design inteligente”. Esta é a mensagem que um “teórico” imaginário do design inteligente poderia transmitir aos cientistas:

“Se vocês não entendem como uma coisa funciona, não tem problema: simplesmente desistam e digam que Deus a criou.

Vocês não sabem como o impulso nervoso funciona? Tudo bem! Não entendem como as lembranças säo depositadas no cérebro? Excelente! A fotossíntese é um processo desconcertantemente complexo? Maravilha! Por favor não saiam trabalhando em cima do problema, apenas desistam e apelem a Deus.

Caro cientista, não estude seus mistérios. Traga seus misterios a nós, pois podemos usá-los. Não desperdice a ignorância preciosa pesquisando por ai. Precisamos dessas gloriosas lacunas para o último refúgio de Deus”.

Santo Agostinho disse de forma bem clara: “Existe outra forma de tentaçäo, ainda mais cheia de perigo. É a doença da curiosidade. É ela que nos leva a tentar descobrir os segredos da natureza, segredos que estão além de nossa compreensäo, que nada nos podem dar e que nenhum homem deveria querer descobrir” (citado em Freeman, 2002).”

Richard Dawkins, em Deus, Um delírio.

Pois é. Essa coisa de educação, cultura, raciocínio independente… Isso é um perigo.

Ou, como resume muito bem uma daquelas imagens (citando o próprio Dawkins, lógico) que aparecem pela rede e o tumblr faz o favor de nos apresentar:

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