Mais e mais bandas @ Sónar SP 2012, dia 2

Ao contrário do primeiro dia, em que a única tarefa era mesmo (re)ver o Kraftwerk, o segundo dia de Sónar SP rendeu um pouco mais.

Todo mundo cria uma programação ideal na cabeça quando vai em um festival (não?), contando com as bandas no horário e tudo acontecendo direitinho; claro que a gente sabe que isso não vai acontecer mas…

Minha programação mental era simples. Flying Lotus, Mogwai, The Twelves e Justice; Mas é lógico que nada disso começou no horário.

Então a programação foi refeita para dez minutos de um eletrônico chato demais, alto demais e com luzes demais no palco em que já deveria estar se apresentando o Flying Lotus.

Okey, no fundo eu sabia que não estava perdendo nada, então vamos pro auditório esperar o Mogwai.

Finalmente uma apresentação planejada dá certo e, se eu pensava que aquele eletrônico era alto, eu refiz meus conceitos após o final do show do Mogwai.

Aquilo sim era barulho. Aquilo sim era ensurdecedor – de uma forma boa, transcedental.

A acústica do espaço parecia atrapalhar um pouco, mas quem se importa. O que interessa é fazer barulho, distorcer. E foi isso que fizeram, em níveis de distorção e volumes que eu não conhecia.

(E isso vem de quem já passou por shows de Sonic Youth, Jesus & Mary Chain, Dinosaur Jr…)

Depois disso, pensar o que?

Não pensa, sai andando e vai pro outro canto da Arena Anhembi. O palco que devia ter o Twelves ainda estava com Cee Lo Green. Okey, a gente assiste, só prá não ter que andar mais…

É, deve ter sido divertidinho e ponto. Um monte de quase-covers, o hit do cara… Mas empolgou o público, é claro, então tá bom.

Depois dele, a apresentação do Twelves.

Repetitiva e com volume baixo  - efeito Mogwai? -, admito que esperava muito, muito mais; talvez por conta do Essential Mix deles prá BBC que eu gosto muito.

Acho que era mesmo um problema de expectativa alta e volume baixo.

E depois o Justice entra, aí sim com o volume em níveis decentes e expectativas do público geral de um show iluminado e barulhento.

Entregam isso, empolgam, todo mundo pula, fazem um quase-bis, dominam a platéia e blá-blá-blá.

Bacana.

Mas falemos do que foi, de fato, bom? Então, o show do Mogwai…

Mark Lanegan @ Cine Jóia

Lá em 2009, Mark Lanegan já tinha dado uma passada por aqui, na companhia de Greg Dulli, com o projeto The Gutter Twins: E se a visão foi devidamente atrapalhada pelas colunas do Bourbon Street, musicalmente aquele show foi memorável para os fãs de bons sons s(n)oturnos.

E sábado passado o próprio esteve de volta, desta vez com sua Mark Lanegan Band, se apresentando no Cine Jóia: Embora a acústica do espaço ainda não tenha chegado onde deveria, já melhorou um pouco do que foi o show do Ladytron.

O show deu conta de apresentar uma boa parte do repertório do Blues Funeral, último trabalho da voz fundamental e seminal do grunge e serviu muito bem para desfazer parte das opiniões que eu tinha do disco.

Eu ainda não acho o disco genial (poucos são), mas, executado ao vivo, ganha um corpo e tanto.

Faixas como Grey Goes Black são muito boas no disco e ficam tão boas quanto a gravação quando executadas ao vivo.

Outras, como Ode To Sad Disco, com seus toques eletrônicos – justamente aqueles que eu temia ao assistir a apresentação ao vivo – ficaram consideravelmente melhores. Méritos do multi-instrumentista que cuidava de operar teclado, Macbook e baixo, talvez?

E quem é que vai reclamar, se entre uma e outra faixa do trabalho mais recente do cara, ele toca Hit The City, da parceria com PJ Harvey para o Bubblegum, de 2004? Ou de ouvir, desse mesmo disco, Metamphetamine Blues no bis, fechando a noite?

O que atrapalhou – não dá prá falar de mais nada errado mesmo – é o som que, por vezes, deixava todo o instrumental denso demais e alto demais, sobrepondo-se a voz de Lanegan.

E quem vai em um show de Mark Lanegan, lógico, quer ouvir – quase que acima de tudo – a voz de Mark Lanegan.

O resultado final foi uma noite de sábado para se lembrar: Pelas músicas, pela voz, por ter passado a 20 centímetros do cara quando ele entrava na casa e por conta da projeção, que deixava essa imagem da sombra de Lanegan impressa na parede durante toda a noite.

Pearl Jam: Reclamações e chapéus idiotas

“August marked the 20-year anniversary of Pearl Jam’s Ten. Yes, for 20 soul-crushing years we’ve listened to Eddie Vedder mumble. Which is somehow even worse than Jeff Ament’s endless procession of silly hats. Somehow Pearl Jam enjoys more acclaim than ever these days; it seems that mediocre rock bands, like ugly buildings, become respectable if they stick around long enough.”

Nicholas Pell, na LA Weekly

Não que seja, de fato, a banda mais chata dos últimos 20 anos mas…

The Stone Roses & The Resurrection Blues

“When we have blanket acceptance in all areas of the mainstream media that the key moments of recent times are the Pulp and Blur revivals and now The Stone Roses, culture is clearly in a particularly bad place. The ability of new ideas to break through to the general public is stifled by endless waves of shallow nostalgia polluted by financial imperatives and waved through by a compliant and toothless set of critics and commentators who either want the world to stop so they can pretend to be 20 for eternity or are part of the marketing team and thus totally unable to pass any kind of meaningful comment on what is happening.”

Texto integral na DrownedInSound

Veja bem, não quer dizer que eu não goste de Stone Roses e Pulp – Blur já é outra história – mas o cara tem razão.

E o texto todo serve como um belo contraponto a todo o hype que chega quando as bandas, independente de sua qualidade musical, resurgem.

Leia.