Gênios do nada

“Outro exemplo de um aspecto da cultura brasileira elogiado muito mais do que provavelmente merece é a obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Sei que isso pode soar chocante, porque há um consenso quase universal aqui no Brasil de que Niemeyer é um gênio. Mas, como Nelson Rodrigues costumava dizer, “toda unanimidade é burra”. Deixando de lado a política stalinista de Niemeyer, que é execrável, há uma condtradição fundamental e irreconciliável entre o que ele professa e a obra que produziu. Ele afirma querer uma sociedade baseada em princípios igualitários, mas sua arquitetura, para usar a linguagem do mundo da computação, não é user-friendly. Ao contrário: ela é profundamente elitista e mesmo egoísta, concentrada principalmente em fazer declarações grandiosas e eloquentes por si mesmas, para satisfação de Niemeyer e seus admiradores, mesmo que cause desconforto ou inconveniência ao usuário.”

Larry Rohter, jornalista americano, no capítulo Cultura do livro “Deu no New York Times”.

E aí você abre o jornal e vê isso:

Mas não é o pior, a foto da capa do caderno de Esportes mostra algo ainda mais embaraçoso:

E ainda tem a abertura do texto, dessa vez na Folha:

“Quem chegar a Santos pelo mar, a partir de 2012, verá no monumento projetado pelo gênio da arquitetura a imagem do gênio do futebol.”

Aquela coisa baba-ovo – embora nesse caso a expressão beija-mão faça mais sentido e seja mais óbvia – entre dois enormes ícones do nada na cultura brasileira.

Larry Rohter entende bem mais do que acontece nesse país do que 90% das pessoas que administram ele. Talvez por isso Lula tenha tentado expulsar ele do Brasil.

Casa no Centro


Como se eu ainda precisasse de mais motivos para querer morar no centro…

O bom é que a matéria ainda acaba dando uma inflacionada nos preços. Preferia – sem querer ser injusto, claro – que as pessoas continuassem com bastante medo de morar no centro de São Paulo.

De preferência que também não queiram transformar a região em um polo festivo-cultural onde se juntam manifestações futebolísticas, gays, de reveillon e evangélicas. Continuem na Paulista, por favor.

Biblioteca São Paulo

Tudo bem que ela vai acabar ficando longe, mas eu tento conter a inveja de saber que um projeto como esse não vai estar na porta de casa.

Até porque é muito bem vindo que algo desse porte e com essas pretensões saia do óbvio, saia do centro velho onde tentam enfiar todas as inciativas com acervo, saia da zona sul onde já existem opções culturais em bom número.

Mas esse número, 30.000 livros… Não é pequeno? Não sei se talvez estejamos mal acostumados a ver números em milhões, bilhões, ou ao menos em sete ou oito centenas de milhares, mas uma biblioteca dessas com 30.000 me soou como uma banca de jornal com três revistas e um jornal.

De qualquer forma, com acervo gigante ou reduzido, uma obra com essa cara já vai me fazer pensar em algo mais na zona norte do que o centro de exposições do Anhembi, o sambódromo ou o Campo de Marte.

via.