Quarta parede

9 de abril de 2013 às 10:00

A história dessa tal de quarta parede parece ser velha – ao redor dos idos do século XIX, aparentemente uma ideia desse tal moço Diderot – e se explica basicamente nesse conceito de uma parede imaginária entre atores e o público.

Tem quem acha que a criação do conceito fez muito mal para o teatro, tem quem acha bacana essa forma de encarar a coisa toda; eu, enquanto não-estudioso do tema só acho mesmo bacana é o tal do breaking the 4th wall, aquele momento em que o ator se dirige ao público para explicar algo, para dar uma informação que os outros atores em teoria não tem, reconhecendo que aquilo é atuação, ainda que só pelo efeito cômico mesmo.

Recentemente a série The House Of Cards, aquela coisa super comentada do Netflix, usou ao extremo o recurso, com Kevin Spacey falando seguidamente com o público; Scrubs também tinha uma tradição excelente nessas cenas.

Funciona bem em alguns casos.

E tudo isso nos leva a esse vídeo bem bacana que apareceu com uma longa coletânea de momentos em que se “quebra” essa tal quarta parede.

São 54 filmes diferentes, em uma colagem de Leigh Singer; dá prá ver a lista completa no Vimeo do vídeo mas, como sempre nesses casos de montagens com conteúdo cinematográficos, é bem mais legal ir adivinhando as cenas.

E escolher uma preferida, claro; Woody Allen e Marshall McLuhan por exemplo, que é espetacular.

Ah, a trilha sonora, I Turn My Camera On, do Spoon, também é coisa linda. E muito apropriada.

Sinatra

13 de dezembro de 2012 às 10:46

Você pode ter um SUV branco.

Você pode usar todos os filtros do Instagram.

Você pode ser o maior conhecedor de vinhos da turma.

Você pode pode entender tudo de culinária molecular feita na Noruega.

Sim, sim, eu acredito que você pode ser legal. Você pode ser cool. Você pode ser referência.

Ainda assim, você nunca vai chegar nem perto disso.

Frank Sinatra & Marlon Brando

Marlono Brando e Frank Sinatra. Só.

Parabéns, Frank.

C-Scape

21 de novembro de 2012 às 10:37

Às vezes você tem a sorte de pegar um saldão de livros qualquer por aí.

Algumas dessas vezes um livro importado sai por 10 reais e você que nunca ouviu falar do livro nem do autor acha que vale a aposta.

E esse foi o caso do C-Scape.

Claro que aquela linha com “Conteúdo. Consumidor. Curadoria. Convergência” na capa ajudou a chamar a atenção mas, ainda assim, foi uma daquelas compras no escuro.

E se pagou. (Fica a dica: Livros SEMPRE merecem ser comprados, o que não significa que TODOS mereçam ser comprados. Entendeu?)

O autor Larry Kramer trabalhou no Washington Post, USA Today – essa reinventada atual do diário, abusando do visual social media no impresso, é culpa dele -, foi primeiro presidente da CBS Digital, fundou o MarketWatch e fez mais coisas do que a gente pode imaginar que um jornalista-publisher-editor-afins possa fazer.

E nessas duzentas e poucas páginas o cara abre o jogo e conta como ele e outros profissionais mudaram a forma de fazer negócios quando entenderam algo que – agora – é quase óbvio, quer você tenha ou não lido o livro, mas é feito por poucas empresas e bem feito por ainda menos companhias.

A proposta básica se resume em entender que, não importa o que diabos sua empresa crie, transforme e comercialize, você – a empresa, no caso – é uma provedora de conteúdo.

Nada demais, certo?

Então porque 99,9% das empresas – inclusive centenas delas que sobrevivem do negócio de mídia, conteúdo, informação – não fazem isso?

Não fazem porque não entenderam, de fato, as mídias sociais, o papel da curadoria e – mais grave de tudo – não fazem a menor ideia de que o que seu consumidor espera mudou.

Ao se comportarem como curadores em um mundo onde toda a informação é ou vai, eventualmente, ficar livre, e garantir a preferencia baseados na qualidade dessa curadoria, as empresas tem muito – mas MUITO – mais chances de escaparem do buraco negro da hipercompetitividade com contrabandos chineses – caso de produtos “físicos” – ou da agilidade e da gratuidade de informações incompletas (mas livres) que circulam pela rede.

É isso, e é muito mais que isso.

Enquanto lia o livro, a quantidade de vezes que eu fiz aquela cara de “Lógico!” foi impressionante. E já falei prá alguns desses meus parceiros de trabalho na comunicação que eles deveriam ler esse livro mas, independente de qual seja seu ramo, eu aposto que você também ia aproveitar bem a leitura.

 

PD: First Men in the Moon

5 de novembro de 2012 às 14:52

A gente já sabe que algumas obras envelhecem bem, outras nem tanto.

(Daí é que eu imagino que venha grande parte da possibilidade de algo virar clássico ou não.)

E a ficção científica tem uma enorme capacidade de ficar datada – de uma forma ruim, quando a gente percebe o quanto eram ingênuas aquelas máquinas e suposições – ou de nos deixar boquiabertos quando -jesusfuckingchrist! – o autor previu isso tudo cem anos atrás!

As duas “correntes” – por falta de melhor designação – me agradam, mas a preferência clara é pelo sci-fi que, além de apocalíptico e soturno – é preciso nas previsões ou, pelo menos, procura uma base sólida pra suas especulações.

Em seus bons momentos, Fringe, Arquivo X, Amazing Stories e afins conseguem, ainda que com seres ou ações exageradas, não perder a mão.

É o que acontece também com as histórias de H.G. Wells.

Mas não quer dizer que seja o que acontece com suas transposições cinematográficas.

É claro que a década de 60 tinha outro público, outra demanda de storytelling, outra cenografia, outras possibilidades tecnológicas, mas é um choque dar de cara com algo como essa adaptação de The First Men In The Moon.

Primeiro porque os “primeiros” homens na Lua, na verdade são dois homens e uma mulher – que não existe no texto original – e que, como dá prá ver nessa reprodução de um cartaz do filme, nem tinha traje espacial mas saia da nave sem problemas.

(Pode ser um preciosismo lingístico-gramatical da minha parte, mas essas coisas incomodam.) 

As atuações exageradas – aquele humor beirando o pastelão, que faria sucesso no teatro, onde vocêr precisa de um gestual mais explicito para acompanhar o enredo – um didatismo chato e o fato de que a história poderia ter metade do tempo sem problemas não colaboram em nada com o filme.

Mas o negócio todo foi feito em 64, lembre-se.

Se é importante – marginalmente importante – acrescentar a obra na sua mente como referência, tenho lá as minhas dúvidas do porque isso estaria numa lista de reais grandes obras do cinema de ficção.

A adaptação prá TV que foi feita alguns poucos anos atrás é tida como a versão definitiva em filme para a obra de Wells mas, como teria dito um crítico à época, há de se quetionar a relevância do sci-fi como entretenimento numa linha “disruptiva” posto que tudo – ou quase – o que está na obra é ficção de passado, é futurismo pretérito para nossos dias e com uma carga datada impossível de se ignorar.

Os livros – como qualquer bom livro – não sofrem tanto desses problemas, já que a ficção de cada um na leitura não só é individualizada e cheia de referências que fazem sentido para o leitor como também é uma leitura por uma pessoa que acompanhou os últimos anos de evolução e modernização, coisa imposseivel a um filme já gravado, finalizado, colocado no mundo.

Eu não vou, de forma alguma, chegar ao ponto de recomendar que você não assista, mas quem sabe deixe-o para depois. Bem depois.

Lá no futuro, quando conseguir assimilar o filme todo em 10 minutos.

BB

28 de setembro de 2012 às 9:51

Hoje, a cidadã pode ser considerada um ajuntamento de ideias cretinas, racistas, islamofóbicas, homofóbicas e idiotas em geral, como vai registrar para todo o sempre o Un Cri Dans Le Silence.

No passado, BB abria menos a boca para falar bobagens e escrevia menos livros defendendo sandices.

No passado – quem viveu esse passado, é claro – amavam ela por ser BB.

Parabéns prá essa Brigitte Bardot do passado então que faz aniversário hoje.

Que a lembrança dela seja eternizada por um filme e um disco e nunca por suas ideias.

E, claro, pelas fotos.

You Are The One, APTBS

6 de setembro de 2012 às 10:10

O começo da música tem uma pegada que, por uns segundos, parece She Wants Revenge; mas quando a voz do Ackermann entra isso se resolve.

O vídeo escuro não explicita toda a violência e o sexismo que está nas tomadas.

A letra é… é A Place to Bury Strangers. A velocidade, a aura quase pós-apocalíptica…

(Música de estrada? Born To Be Wild para a geração wall of sound? É, por aí.)

A associação mais rápida, é lógico, - sempre vai depender de referências, mas… – é com aquele tal de Jesus & Mary Chain.

Essas linhas só prá fazer você assistir isso: