
A gente já sabe que algumas obras envelhecem bem, outras nem tanto.
(Daí é que eu imagino que venha grande parte da possibilidade de algo virar clássico ou não.)
E a ficção científica tem uma enorme capacidade de ficar datada – de uma forma ruim, quando a gente percebe o quanto eram ingênuas aquelas máquinas e suposições – ou de nos deixar boquiabertos quando -jesusfuckingchrist! – o autor previu isso tudo cem anos atrás!
As duas “correntes” – por falta de melhor designação – me agradam, mas a preferência clara é pelo sci-fi que, além de apocalíptico e soturno – é preciso nas previsões ou, pelo menos, procura uma base sólida pra suas especulações.
Em seus bons momentos, Fringe, Arquivo X, Amazing Stories e afins conseguem, ainda que com seres ou ações exageradas, não perder a mão.
É o que acontece também com as histórias de H.G. Wells.
Mas não quer dizer que seja o que acontece com suas transposições cinematográficas.
É claro que a década de 60 tinha outro público, outra demanda de storytelling, outra cenografia, outras possibilidades tecnológicas, mas é um choque dar de cara com algo como essa adaptação de The First Men In The Moon.
Primeiro porque os “primeiros” homens na Lua, na verdade são dois homens e uma mulher – que não existe no texto original – e que, como dá prá ver nessa reprodução de um cartaz do filme, nem tinha traje espacial mas saia da nave sem problemas.
(Pode ser um preciosismo lingístico-gramatical da minha parte, mas essas coisas incomodam.)
As atuações exageradas – aquele humor beirando o pastelão, que faria sucesso no teatro, onde vocêr precisa de um gestual mais explicito para acompanhar o enredo – um didatismo chato e o fato de que a história poderia ter metade do tempo sem problemas não colaboram em nada com o filme.
Mas o negócio todo foi feito em 64, lembre-se.
Se é importante – marginalmente importante – acrescentar a obra na sua mente como referência, tenho lá as minhas dúvidas do porque isso estaria numa lista de reais grandes obras do cinema de ficção.
A adaptação prá TV que foi feita alguns poucos anos atrás é tida como a versão definitiva em filme para a obra de Wells mas, como teria dito um crítico à época, há de se quetionar a relevância do sci-fi como entretenimento numa linha “disruptiva” posto que tudo – ou quase – o que está na obra é ficção de passado, é futurismo pretérito para nossos dias e com uma carga datada impossível de se ignorar.
Os livros – como qualquer bom livro – não sofrem tanto desses problemas, já que a ficção de cada um na leitura não só é individualizada e cheia de referências que fazem sentido para o leitor como também é uma leitura por uma pessoa que acompanhou os últimos anos de evolução e modernização, coisa imposseivel a um filme já gravado, finalizado, colocado no mundo.
Eu não vou, de forma alguma, chegar ao ponto de recomendar que você não assista, mas quem sabe deixe-o para depois. Bem depois.
Lá no futuro, quando conseguir assimilar o filme todo em 10 minutos.