It’s tea time

Se, para você, chá é aquela água colorida e sem graça em lata da Lipton ou um Matte Leão qualquer, prepare-se para um choque de sabores inimagináveis em uma xícara: The Gourmet Tea.

No site da The Gourmet Tea existem, pelo menos, 36 blends diferentes de chás, indo da interpretação orgânica do clássico Earl Gray até um Ayurvedic Detox de folhas de amora preta, cascas de laranja e alcaçuz que vai além do que se pode esperar de um chá.

Não é o produto indicado para todos os dias nem pelo preço (R$ 25,00 por 45gr.) nem pelo fato de ser uma embalagem à granel, muito menos prática que os sachês individuais, mas resgata aquilo que durante muito tempo fez  parte do “ritual do chá”: um momento de calma, em que você para por alguns instantes para ferver a água, deixar o chá descansar e saborear uma complexidade de sabores de cair o queixo.

Ainda não é fácil, mesmo em São Paulo, encontrar lugares que vendam as bacanudas latinhas de chá orgânico da marca, mas vale a busca. A Casa Santa Luzia e a Galeria dos Pães, na zona sul, tem a linha da The Gourmet Tea, ainda que em nenhuma delas estejam disponíveis todos os produtos.

Acredite, as 45 gramas do chá duram muito, o sabor desses chás é diferente de praticamente toda infusão que você já tomou (a menos que você tenha andado pelo extremo oriente, onde esses chás são produzidos) e você vai querer colecionar cada uma dessas latinhas coloridas.

Amanhecer de bom gosto

Dificilmente você vai ter a chance de conhecer alguém que acorde pela manhã – mais cedo do que de costume (umas duas horas mais cedo) – e fique de bom humor em menos de cinco minutos.

Simplesmente porque ninguém é assim. Isso pode acontecer uma vez mas não é possível ser SEMPRE assim. Não é possível porque acordar cedo é um saco. Não é possível porque sair da rotina nos incomoda. Não é possível.

Mas, raras vezes acontece de você ficar quase instantaneamente de bom humor. Entenda, você não é assim ao madrugar, esse não é seu padrão. Mas nesse dia você é o tal ponto fora da curva.

Esta quinta-feira provou o quanto isso é possível.

Pegar seu jornal – e eu não tenho a menor isenção para falar do prazer vintage que ainda sinto em pegar o jornal na porta de casa – e dar de cara com uma página dessas é a prova de que tudo – tudo – vai ficar bem.

Você levantou cedo, quer sair correndo mas… Dá de cara com essa diagramação espetacular (de novo, entenda que não sou isento no assunto) o texto digno das boas agências de publicidade, com o nível exato da prepotência e arrogância que você aprecia – e que sabe que emana de tal suplemento – e, ainda que apressado, para um segundo e joga tudo pro alto, ferve seu leite, passa seu café e saboreia meia xícara dessa combinação celestial que é um pingado.

Dá prá perceber o quanto isso vai ser impossível nessa vida binária que a gente está buscando tão freneticamente?

Desde o jornal, que um dia vai parar de chegar a sua porta, passando pelo leite – esquentado no microondas, não mais fervido – e chegando ao café bege-sem-graça da cafeteira elétrica, tudo caminha para o botão, o chato, o padrão.

Não, não quero que você entenda a graça que é passar seu café ou a sensação de sentir o papel virando entre seus dedos. Ou você tem esse tesão dentro de você ou não o tem, não dá para explicar.

Um brinde, com um bom pingado de coador, aos prazeres analógicos que cada vez menos pessoas mantém. A todos nós.