Cinema alternativo

Em um mundo paralelo – talvez isso seja influência de Fringe, nunca se sabe… – 2001: Uma Odisséia no Espaço foi feito por Fritz Lang, O Quinto Elemento tinha no elenco Sean Connery e Frank Zappa estrelava em O Grande Lebowski.

Não menos interessante do que tudo isso, Jean Luc Godard dirigiria Anthony Hopkins e Michael Cane em Trainspotting.

Que tal?

Ladytron @ Cine Jóia

Por algum motivo, o Ladytron veio parar nas minhas playlists numa época em que essa combinação de voz feminina com clima quase soturno e beeps eletrônicos conseguiam me seduzir quase que de forma instantânea.

(Não quer dizer que bandas com mulher nos vocais e climas soturnos não me atraiam mais; talvez só tenha mesmo é ficado mais seletivo com os beeps eletrônicos.)

A banda não é um primor artístico, as letras não são geniais, os discos não são daqueles que ficavam semanas no repeat.

E deve ser por isso mesmo que continua chamando a atenção – a minha, ao menos.

Em uma época em que toda banda que passa por aqui é ignorantemente grande – o monte de tranqueira que tocou no Rock in Rio, SWU e Planeta Terra – ou são absolutamente desconhecidas e vendidas como a salvação inovadora da música – como outros montes de bandas dos mesmos festivais – a idéia de simplesmente ouvir uma banda bacana, que não é genialmente obscura (opinião dos fãs) ou gigantesca e desnecessária, agrada muito.

O Ladytron consegue misturar aquele monte de referências que fazem a festa na cabeça de muitos, a minha entre elas. Teclados, sintetizadores, distorçõezinhas, mulheres na banda, linguas estranhas, vídeos pouco óbvios… Como não gostar?

Quanto ao setlist, é sempre a mistura que todo mundo entende como um show de turnê de lançamento de discos. Hits de discos antigos, os singles novos e todo mundo feliz cantando. (Pelo menos as letras que não são cantadas em búlgaro…)

Exatamente na mesma linha, a casa ajuda. Bonita, com tudo novinho, projeção mapeada muito bem feita, mas com caixas e bares pouco eficientes e um som que ainda num chegou lá.

No final, tudo, a banda, a casa, a localização, o esquema de venda de ingressos – e até o preço deles – deixam aquele gosto de nota 7 com respeito.

E prá quem acha que um 7 não é nota que se dê a uma noite que tenha sido boa, vai dizer que um 3 do Megadeth com um 2 da organização valem mais só porque, no final, teve um 8 do Sonic Youth ou um 8 do Faith No More?

Desde pequeno você sabe disso: O importante é a média final. E passar de ano.

Zavarshva.

Stay hungry, stay foolish.

Eu não sei muito bem quanto paguei em nenhum disco, livro ou aparelho eletrônico.

Não sei quanto gastei em nenhuma viagem de férias.

Eu não sei exatamente quanto custou aquele carrinho que ocupa a vaga da garagem.

Eu sei exatamente quanto eu paguei por cada iPod que tive.

Eu sei com precisão de centavos o quanto paguei no Mac.

Eu lembro de tirar cada um deles da caixa e ligar pela primeira vez.

Para nós, que passamos a vida – grande parte dela, ao menos – ganhando dinheiro na frente de um Mac, esse cara é fundamental.

Para todos que tiveram no iPhone a primeira experiência de liberdade que um smartphone dá, esse cara é um deus.

Para quem tem surtos ao sair de casa pela manhã e entrar no metrô e perceber que está sem o iPod, esse cara é um herói.

Obrigado, gênio.

“When Nature needs something to be done, she creates a genius to do it.”
Emerson