Por algum motivo, o Ladytron veio parar nas minhas playlists numa época em que essa combinação de voz feminina com clima quase soturno e beeps eletrônicos conseguiam me seduzir quase que de forma instantânea.
(Não quer dizer que bandas com mulher nos vocais e climas soturnos não me atraiam mais; talvez só tenha mesmo é ficado mais seletivo com os beeps eletrônicos.)
A banda não é um primor artístico, as letras não são geniais, os discos não são daqueles que ficavam semanas no repeat.
E deve ser por isso mesmo que continua chamando a atenção – a minha, ao menos.
Em uma época em que toda banda que passa por aqui é ignorantemente grande – o monte de tranqueira que tocou no Rock in Rio, SWU e Planeta Terra – ou são absolutamente desconhecidas e vendidas como a salvação inovadora da música – como outros montes de bandas dos mesmos festivais – a idéia de simplesmente ouvir uma banda bacana, que não é genialmente obscura (opinião dos fãs) ou gigantesca e desnecessária, agrada muito.
O Ladytron consegue misturar aquele monte de referências que fazem a festa na cabeça de muitos, a minha entre elas. Teclados, sintetizadores, distorçõezinhas, mulheres na banda, linguas estranhas, vídeos pouco óbvios… Como não gostar?
Quanto ao setlist, é sempre a mistura que todo mundo entende como um show de turnê de lançamento de discos. Hits de discos antigos, os singles novos e todo mundo feliz cantando. (Pelo menos as letras que não são cantadas em búlgaro…)
Exatamente na mesma linha, a casa ajuda. Bonita, com tudo novinho, projeção mapeada muito bem feita, mas com caixas e bares pouco eficientes e um som que ainda num chegou lá.
No final, tudo, a banda, a casa, a localização, o esquema de venda de ingressos – e até o preço deles – deixam aquele gosto de nota 7 com respeito.
E prá quem acha que um 7 não é nota que se dê a uma noite que tenha sido boa, vai dizer que um 3 do Megadeth com um 2 da organização valem mais só porque, no final, teve um 8 do Sonic Youth ou um 8 do Faith No More?
Desde pequeno você sabe disso: O importante é a média final. E passar de ano.
Zavarshva.