Superhero grunge art

Com desenhos como esses, é claro que a arte de Lora Zombie já está, faz tempo, em dezenas de páginas da rede, inclusive no Fab, site recomendável de desejos consumistas.

(No caso do Fab, estava, porque parece que todas as peças que estavam sendo oferecidas por lá – essa Mulher Maravilha era uma delas – já foram vendidas…)

A semi-nua super-poderosa acima é parte da coleção de pinups dos quadrinhos pintadas por essa russa, que basicamente trabalha com aquarelas, produzindo algo que ele chama de grunge art.

Como artista do século XXI, essa mistura de Michael Zulli e Suicide Girls sabe se vender muito bem pela rede; isso significa que não vai ser nada difícil você fazer uma busca no Google e descobrir tudo sobre ela. Mas se você não tiver tanta curiosidade assim, de apenas uma olhada no processo criativo da moça no vídeo abaixo.

советское искусство

Conquer-the-space

Picture 1 of 6

Muitas décadas atrás, antes da estandardização global das referências, era muito fácil identificar a origem de produtos, músicas, filmes…

Se hoje temos os mesmos móveis de Ikea na Suécia e na Itália, a mesma música de inspiração (no que hoje se chama de) R&B americano na Argentina e no Chipre e a mesma campanha global de publicidade em todos os países em que a Heineken atua, isso não foi sempre assim.

Um anúncio americano dos anos 40 tem uma cara que somente os anúncios americanos dos anos 40 tem.

A publicidade inglesa dos anos 60 também tem itens que a destacam e identificam com alguma facilidade.

Mas nada é mais característicamente lindo do que a publicidade soviética dos anos 30, 40, 50… As ilustrações que compunham os anúncios, as cores fortes, os traços e afins são de uma identidade única, que até hoje serve de inspiração e referência ao redor do mundo.

Assim como o design funcional de embalagens da Alemanha Oriental (obviamente influenciada pela própria URSS desses cartazes), isso parece ter encontrado um lugar de fetiche na mente das novas gerações, que sequer haviam nascido na época das guerras e dificilmente lembra-se de algo anterior a queda do muro de Berlim.

Uma série linda dessas imagens, muito maior do que essa galeria de 6 fotos selecionadas acima, está disponível no site Retronaut.

Cinema alternativo

Em um mundo paralelo – talvez isso seja influência de Fringe, nunca se sabe… – 2001: Uma Odisséia no Espaço foi feito por Fritz Lang, O Quinto Elemento tinha no elenco Sean Connery e Frank Zappa estrelava em O Grande Lebowski.

Não menos interessante do que tudo isso, Jean Luc Godard dirigiria Anthony Hopkins e Michael Cane em Trainspotting.

Que tal?

Ladytron @ Cine Jóia

Por algum motivo, o Ladytron veio parar nas minhas playlists numa época em que essa combinação de voz feminina com clima quase soturno e beeps eletrônicos conseguiam me seduzir quase que de forma instantânea.

(Não quer dizer que bandas com mulher nos vocais e climas soturnos não me atraiam mais; talvez só tenha mesmo é ficado mais seletivo com os beeps eletrônicos.)

A banda não é um primor artístico, as letras não são geniais, os discos não são daqueles que ficavam semanas no repeat.

E deve ser por isso mesmo que continua chamando a atenção – a minha, ao menos.

Em uma época em que toda banda que passa por aqui é ignorantemente grande – o monte de tranqueira que tocou no Rock in Rio, SWU e Planeta Terra – ou são absolutamente desconhecidas e vendidas como a salvação inovadora da música – como outros montes de bandas dos mesmos festivais – a idéia de simplesmente ouvir uma banda bacana, que não é genialmente obscura (opinião dos fãs) ou gigantesca e desnecessária, agrada muito.

O Ladytron consegue misturar aquele monte de referências que fazem a festa na cabeça de muitos, a minha entre elas. Teclados, sintetizadores, distorçõezinhas, mulheres na banda, linguas estranhas, vídeos pouco óbvios… Como não gostar?

Quanto ao setlist, é sempre a mistura que todo mundo entende como um show de turnê de lançamento de discos. Hits de discos antigos, os singles novos e todo mundo feliz cantando. (Pelo menos as letras que não são cantadas em búlgaro…)

Exatamente na mesma linha, a casa ajuda. Bonita, com tudo novinho, projeção mapeada muito bem feita, mas com caixas e bares pouco eficientes e um som que ainda num chegou lá.

No final, tudo, a banda, a casa, a localização, o esquema de venda de ingressos – e até o preço deles – deixam aquele gosto de nota 7 com respeito.

E prá quem acha que um 7 não é nota que se dê a uma noite que tenha sido boa, vai dizer que um 3 do Megadeth com um 2 da organização valem mais só porque, no final, teve um 8 do Sonic Youth ou um 8 do Faith No More?

Desde pequeno você sabe disso: O importante é a média final. E passar de ano.

Zavarshva.

Stay hungry, stay foolish.

Eu não sei muito bem quanto paguei em nenhum disco, livro ou aparelho eletrônico.

Não sei quanto gastei em nenhuma viagem de férias.

Eu não sei exatamente quanto custou aquele carrinho que ocupa a vaga da garagem.

Eu sei exatamente quanto eu paguei por cada iPod que tive.

Eu sei com precisão de centavos o quanto paguei no Mac.

Eu lembro de tirar cada um deles da caixa e ligar pela primeira vez.

Para nós, que passamos a vida – grande parte dela, ao menos – ganhando dinheiro na frente de um Mac, esse cara é fundamental.

Para todos que tiveram no iPhone a primeira experiência de liberdade que um smartphone dá, esse cara é um deus.

Para quem tem surtos ao sair de casa pela manhã e entrar no metrô e perceber que está sem o iPod, esse cara é um herói.

Obrigado, gênio.

“When Nature needs something to be done, she creates a genius to do it.”
Emerson