C-Scape

21 de novembro de 2012 às 10:37

Às vezes você tem a sorte de pegar um saldão de livros qualquer por aí.

Algumas dessas vezes um livro importado sai por 10 reais e você que nunca ouviu falar do livro nem do autor acha que vale a aposta.

E esse foi o caso do C-Scape.

Claro que aquela linha com “Conteúdo. Consumidor. Curadoria. Convergência” na capa ajudou a chamar a atenção mas, ainda assim, foi uma daquelas compras no escuro.

E se pagou. (Fica a dica: Livros SEMPRE merecem ser comprados, o que não significa que TODOS mereçam ser comprados. Entendeu?)

O autor Larry Kramer trabalhou no Washington Post, USA Today – essa reinventada atual do diário, abusando do visual social media no impresso, é culpa dele -, foi primeiro presidente da CBS Digital, fundou o MarketWatch e fez mais coisas do que a gente pode imaginar que um jornalista-publisher-editor-afins possa fazer.

E nessas duzentas e poucas páginas o cara abre o jogo e conta como ele e outros profissionais mudaram a forma de fazer negócios quando entenderam algo que – agora – é quase óbvio, quer você tenha ou não lido o livro, mas é feito por poucas empresas e bem feito por ainda menos companhias.

A proposta básica se resume em entender que, não importa o que diabos sua empresa crie, transforme e comercialize, você – a empresa, no caso – é uma provedora de conteúdo.

Nada demais, certo?

Então porque 99,9% das empresas – inclusive centenas delas que sobrevivem do negócio de mídia, conteúdo, informação – não fazem isso?

Não fazem porque não entenderam, de fato, as mídias sociais, o papel da curadoria e – mais grave de tudo – não fazem a menor ideia de que o que seu consumidor espera mudou.

Ao se comportarem como curadores em um mundo onde toda a informação é ou vai, eventualmente, ficar livre, e garantir a preferencia baseados na qualidade dessa curadoria, as empresas tem muito – mas MUITO – mais chances de escaparem do buraco negro da hipercompetitividade com contrabandos chineses – caso de produtos “físicos” – ou da agilidade e da gratuidade de informações incompletas (mas livres) que circulam pela rede.

É isso, e é muito mais que isso.

Enquanto lia o livro, a quantidade de vezes que eu fiz aquela cara de “Lógico!” foi impressionante. E já falei prá alguns desses meus parceiros de trabalho na comunicação que eles deveriam ler esse livro mas, independente de qual seja seu ramo, eu aposto que você também ia aproveitar bem a leitura.

 

Brasil, o país do que estiver passando na televisão.

11 de agosto de 2012 às 18:58

É a pátria de chuteiras, é a nação do voleio, a país da natação, o celeiro dos futuros grandes tenistas desse mundo!

É, mas só enquanto estiver passando na televisão. E estiver ganhando.

Porque, depois de qualquer derrota, a gente vai correndo pro próximo esporte e, oxalá, esse vai dar!

Como não tinhamos pensado nisso? Brasil, a terra da esgrima.

E de uma modalidade para a outra, vamos atrás de uma nova esperança que alguma força milagrosa caia do céu e reconheça o nosso destino manifesto, perante milhões e milhões de telespectadores em todo o globo, como a nação da ginga, da graça e do improviso, uma combinação irresistível que dá aos nossos atletas do subúrbio tudo aquilo que anos e anos do investimento sério, do treinamento e da educação dos outros países não vai dar para os atletas deles.

Dane-se o planejamento, dane-se a estrutura, dane-se tudo.

A gente vai é vencer na raça, porque merece, porque… porque…

Acorda; a gente não merece nada e, pior ainda, não estamos fazendo nada para merecer.

Que venha Rio 2016.

Mas aí, aaahhh em 2016 seremos o país de todos os esportes! Aí sim!

É. Só que não.

Multinacionais X Documentaristas

23 de junho de 2012 às 16:38

Imagino que os idealizadores de documentários saibam muito bem que tem dois caminhos na hora de escolherem qual o resultado final da sua criação: podem entregar uma obra razoavelmente balanceada ou absolutamente direcionada/direcionista.

Supersize Me e Bowling For Columbine, para ficar em exemplos óbvios, não são documentários que eu assisti imaginando que os diretores tinham em mente seguir o caminho tese > antítese > síntese; eles tinham uma tese, reforçaram essa tese e entregaram a mesma tese. Feito!

Nada errado, contanto que o espectador consiga perceber isso.

Documentários politicamente carregados tem essa tendência, é uma sina; ainda que vivamos em um tempo em que quase não se separa direita, centro e esquerda, os militantes costumam ser muito menos práticos que os políticos, muito mais apaixonados pela causa e, talvez em grande parte por isso, razoavelmente míopes.

Documentários científicos, históricos, técnicos e afins não sofrem – ao menos não me lembro de ter visto um que tenha esse problema – esse direcionismo ideológico tão maniqueísta.

(Excluem-se aí os documentários científicos/teológicos da infindável disputa crente/atéia, claro; isso é uma outra categoria, uma outra batalha que vale por si só, não se encaixa nesse post.)

Tudo isso para chegar ao tal “O mundo de acordo com a Monsanto”; o documentário não é novo mas só agora assisti inteiro, depois de tantos trechos via YouTube.

A primeira impressão é de que a diretora teve lá sua cota de boa vontade, mas esbarrou numa preguiça na hora de realizar o filme que o torna quase amador, um exemplo de documentário de alunos de graduação de RTV.

Okey, ela viajou o mundo, foi pra Alemanha, Escócia, Índia, Paraguai…  Mas os enormes trechos em que apenas aparece uma mulher – que nem sei se é a dretora – de frente para um computador, fazendo buscas no Google, com imagens mostrando documentos sabe-se lá de onde com partes grifadas, é uma mistura desse documentarismo de ensino superior com o denuncismo de telejornal grifando textos alheios.

O que o filme pretende mostrar é interessante – a onipresença da Monsanto mundo afora, o controle excessivo que a empresa excerce nas plantações mais variadas, nas criações de gado e os seus lobbies em vários países – mas sempre sobra aquela sensação da preguiça que, somada ao tal direcionismo de quem já tem uma tese na cabeça e só quer comprová-la, não está entregando, de fato, um documentário isento, um documento crível.

Não duvido por um segundo de tudo que a Monsanto possa ter feito e continue fazendo para garantir interesses e manter o poder; também não acho que seja diferente, em motivação, de nenhuma empresa – o lucro.

Mas se tem uma coisa que os documentearistas-denuncistas precisam aprender é que as pessoas percebem – torço prá que algumas, a minoria que seja – quando estão sendo conduzidas.

Ainda que um público afeito ao MST, interessado em expropriar empresas privadas e de raízes esquerdistas utópicas possa ficar com os olhos brilhando, não é o tipo de obra que a gente passa prá frente com aquela vontade de divulgar seu conteúdo.

O mundo de acordo com a Monsanto é o documentário que, ao invés de você passar adiante com “você PRECISA ver isso”, é passado com um “você pode assitir, MAS…”

Dito isso, eu recomendo, sim, que assista. Mas…

Minha Casa, Minha Vida… Minha Vala?

14 de outubro de 2010 às 17:45

Ai, dona Dilma, é assim que o seu governo faz habitações populares? Deixando as construtoras entregarem casas sem esgoto para a população é? Assimi é fácil.

Daqui a pouco não precisa nem ter telhado, não? Paredes também são bem supérfluas, imagino.

Mas o que importa é a propaganda né? Ganhar a eleição à qualquer custo, porque precisa empregar tanto companheiro na máquina do estado…

E imagina se o Serra ganha? Fazer o que com aquele monte de sindicalista absolutamente despreparado que o PT enfiou nos cargos de confiança, sem concurso, ganhando uma fortuna para  não fazer nada e ainda atrapalhar quem quer fazer alguma coisa?

“País de faz de conta”

30 de julho de 2010 às 15:42

A verdade é que os números recentes de nossa economia e de nossa trágica condição social estão muito longe da farsa edulcorada pela propaganda que move este governo.

O crescente endividamento das famílias, nosso perigoso déficit em conta corrente, o intermitente custo-Brasil estrangulando nossa capacidade competitiva é o verdadeiro legado que nos deixará o atual governo.

Gilberto Freire, A farsa e a realidade
Brasil Econômico

Mas tudo bem, né? “O Cara” é tão simpático, tão amistoso com o Irã, a Venezuela e Cuba que a gente releva essas coisas. E, se descuidar, ainda vota na Dilma, porque importante mesmo é o continuísmo.

Ainda que seja o constinuísmo da desgraça, porque ao menos a gente já conhece e vive na desgraça e – sejamos sinceros – ninguém gosta de mudança, é complicado se adaptar ao novo.

Não é?

“Estão fazendo tempestade sem substância.”

24 de julho de 2010 às 15:43

O governo Lula, secundado pelo professor Luciano Coutinho, está repetindo agora o que fizeram os governos militares. Eles sustentaram uma enorme carga de investimentos internos com aumento da dívida externa, que, coincidentemente, também tinha ativos equivalentes no outro prato da balança. Não obstante esses cuidados contábeis, deu no que deu…

Celso Mingo em Relação incestuosa

50% feliz porque o governo do moço está para acabar.

50% preocupado com quem serão os novos presidentes do BNDES, do BC, o novo chanceler…

Ainda que seja muito difícil ser pior do que o Celso Amorim no caso do Ministério das Relações Exteriores, nunca é demais duvidar dos “méritos” que levam as pessoas aos altos postos da administração pública.