Ensino “superior”

“O câmpus de qualquer instituição acadêmica é sagrado para a transmissão do saber, não para o consumo de drogas. É proibido fumar maconha na nave da Sé, na rua, em boates e na Cidade Universitária. Os “bichos grilos” mimados que se disseram “torturados” por terem sido levados de ônibus – e não nos carrões dos pais – para a delegacia devem ser fichados como bandidos comuns e expulsos da universidade para que outros que querem e precisam estudar recebam a educação que desprezam.”

José Nêumanne, em “A revolução dos ‘bichos grilos’ mimados da USP“,
no Estadão de hoje.

Fora de contexto

Educação não é entretenimento, mas como isso daqui não tem editor prá me dizer não!, eu acho que ceder a vontade de escrever sobre um assunto só que fuja do entretenimento deste cidadão em mais de dois anos não vai ferir a sensibilidade de ninguém.

Tudo se resume no seguinte (e isso é uma constatação fruto das minhas observações; se tu observa outras coisas de outras formas, bom, isso são outros problemas):

A educação no país é uma merda e você faz cursos, graduações, pós-graduações e afins só para aprender algo que não tem certeza que vai usar, mas acha que está fazendo falta (Sim, passamos rapidamente por esse aspecto do raciocínio só para situarmos a platéia).

Quando você entra na sala e, de repente, alguém até te surpreende por conta de seu conteúdo (já que, aparentemente, saber escrever em português não é pré-requisito para entrar como professor em uma pós-graduação), garanto que você também sente uma esperança. Você vê uma luz.

Bom, mas tudo, tudo mesmo, passa.

Em questão de horas você aprende a conviver com uma pessoa (ou é forçado a conviver com essa pessoa) que fala “It’s up to you guys” a cada treze minutos.  Ela coloca frases de efeito em inglês no fim de cada maldita sentença do email (E só não as reproduzo por respeito ao destinatário original delas).

Porra, será que o cidadão tem tanta dificuldade assim de se expressar em sua língua materna? Já não me bastou a prévia convivência com uma proto-docente que, ou é dislexica ou é analfabeta funcional, agora convivo com alguém que usa essas muletinhas espertinhas de “It’s up to you guys” a toda hora?

Será que a leitura desse ser, razoavelmente bem colocado no organograma de uma empresa razoavelmente enorme, se resume a best sellers de auto-ajuda e bobagens motivacionais, tudo no original em inglês?

Será que as palestras com fodões do mundo empresarial, pagas pela empresa (razoavelmente enorme, friso) se resumem a isso?

Tudo bem, nem de muito longe eu tenho toda a autoridade para criticar quem insere expressões em inglês no seu discurso. Eu, e aposto que você também, caio nas armadilhas de usar expressões em inglês ou outra língua qualquer que pareça apropriada no momento, mas não transformo isso na medúla do meu discurso. Vai se foder (porque, nesse caso, fuck you não exprime a raiva com exatidão).

E aí vem o ponto final da coisa (já que eu imagino que esse seja um discurso vago para quem nada tem com o assunto mas, bom… eu quis escrever ainda assim) Eu tenho essa percepção e ENTENDO o que o ser humano bípede e dotado de polegar opositor está falando. Agora, dá para imaginar o inferno que é frequentar uma aula dessas para alguém que não faça a menor idéia do que são aqueles textos, aquelas frases e sacadinhas geniais que, garanto, devem fazer um sucesso absurdo nas rodinhas de gerentes e assemelhados?

Liçao de casa: Não competir com a inteligência nipônica

“Japanese elementary schools don’t believe children should hang loose during extended vacations. “Unless you are vigilant, you could end up spending time passively,” warned my son’s school’s newsletter.”

Kumiko Makihara para o Herald Tribune.

Medo desses japoneses. E um pouco mais feliz de ter nascido longe da terra onde a tecnologia domina, impressiona, encanta, mas as crianças talvez não saibam mais correr na rua.

As pessoas estão ficando mais…

Burras?
Sim. A Fuvest diminuiu o número de questões e aumentou o tempo da prova. Responder menos questões em mais tempo.

Pobres?
Sem dúvidas. Com esse “espetáculo” do crescimento que realmente deixa as pessoas de boca aberta, não foi só o nosso astronauta que foi pro espaço. A classe média foi junto, e cada vez eu me sinto mais um mindingo

Preguiçosas?
Claro! Tem marca enorme, dessas que fazem mega-lojas de fim de ano (entendeu?) levando o comercial de TV para o rádio, sem adaptações. E você acaba ouvindo “esse microondas”, “essa geladeira”… ESSA qual? Rádio NÃO tem imagem ainda, tem?