Network Awesome

Eu não sei se você já teve a chance de dar uma conferida na Network Awesome mas, se você nunca passou por lá, tá perdendo coisa fina, acredite.

O princípio por trás dessa TV, se é que posso chamar os caras de “só” uma TV, é criar um portal que funcione – adivinhou – como um canal de TV online, sem programação e horários fixos.

Até aí, nada fora do comum, eu sei.

Mas o que esses caras fazem é procurar pela rede toda por documentários esquecidos, shows raros de artistas que você deveria conhecer, séries antigas, filmes clássicos e material vintage que não caberia em dez posts desse blog.

Contando com a curadoria de mais de 100 pessoas ao redor do mundo nessa busca, o que eles entregam pra você, aí no conforto do seu computador ou da sua TV com acesso a rede, é espetacular.

E, se antes de começar a colaborar com os caras eu era fã, agora então… Vai por mim, dá uma conferida.

(Ah, é por isso que esse post está aqui: hoje foi pro ar a minha primeira colaboração com os caras… E a estreia foi logo com um clássico italiano – ao menos honrei a minha ascendência – de Luchino Visconti.)

Church Of Vinyl

Church of Vinyl é um curta de David Culleton, do coletivo NoParking, que explora, segundo o próprio, fé, adoração e coleções de discos.

Nice.

(E sim, os exemplares clássicos do homo criativus ainda estão nessa pegada de coletivo, acredito eu… )

Holmes, sempre Holmes

O Marcelo Coelho publicou hoje na Folha – ou aqui - um texto bacana sobre o Sherlock na sua versão século XXI que a BBC criou e está chegando por aqui via box de DVD.

Acredite se quiser, até onde eu saiba, essa maravilha da tevê moderna não interessou nenhum canal. Nada. Zero.

Por sorte, a LogOn – que tem parceria faz tempo com a BBC e é mais inteligente (ao menos é o que parece) que todos os canais abertos e pagos – resolveu trazer legalmente, e em embalagem bacana e com todo o resto, a série para o público brasileiro.

Muito bem, meus amigos da tevê. Continuem provando o quanto vocês são dispensáveis.

(Ahh, quanto ao texto do Marcelo, que tem essa beleza de ilustração acima da Lulipenna, vale a leitura. Alguns dos motivos que ele tem para ser fã de Holmes me parecem estranhamente familiares e as observações sobre as diferenças entre a série da BBC, a franquia de Holmes no cinema e a série dos anos 80 vão muito de encontro com o que já havia, de alguma forma, concluído por aqui.)

Pin It

007 – Permissão para matar (diretores de casting)

O George Lazenby mal chega a convencer como um James qualquer, imagine então como James Bond: não que o Timothy Dalton tenha sido ótimo, mas ainda assim é infinitamente superior ao que o Lazenby fez.

(Não, não daria para competir com as versões entregues por Sean Connery e Roger Moore, eu sei…)

Mas olhando bem para essa foto de 1968 que a Life soltou no Tumblr hoje, o cara não tem toda a culpa.

Primeiro, dá só uma olhada nos cinco candidatos finais para o papel.

Quem quer que tenha sido o responsável pelo casting desse único filme que Lazenby fez – a saber, 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade, de 1969 – não devia entender muito bem quem é o 007.

Nessa imagem vemos, de cima para baixo:

Hans de Vries, com indícios iniciais de corcunda que acabou só fazendo papéis pra TV britânica;

Anthony Rogers, um galã cafona de produções italianas que desapareceu depois de ter feito esse teste para o papel;

John Richardson, que faria muito bem parte do elenco de apoio de uma peça de teatro de estudantes de artes cênicas

Robert Campbell, o grandalhão que não tem lá muita cara de quem sabe atuar melhor que o Stallone;

E o Lazenby.

Depois dessa, Lazenby, a próxima vez que fizer um intensivo 007 e assistir seu filme, vou xingar um pouco menos. Pelo menos você se esforçou.

Uma série dessas fotos, para um “ensaio” – se é que podemos chamá-lo assim – está no site da Life.

“I hate Illinois Nazis”

Ainda no que diz respeito a todo o mau humor que foi devidamente explicitado no texto anterior, que fique explicado, hoje, a todos os projetos de mediocridade cômica que nos atormentam:

John Belushi, essa pessoa abaixo, se não tivesse morrido a trinta anos atrás, estaria completando hoje 63 anos.

Trinta anos depois, nenhum de vocês todos conseguem chegar nem perto.

(via filmfun)

Um método perigoso (de ver cinema)

Um filme que conte a história do relacionamento entre duas figuras do porte histórico de Jung e Freud pode cair no clichê, pode ficar prepotente, pode virar um pasticho de ideias pré-fabricadas, pode ser genial, pode ser um tédio…

Mas o que não pode, de forma alguma, é ser assistido no cinema cercado de integrantes da pretensa intelligentzia dos psicólogos/terapeutas/algo-do-gênero em um sábado pela noite.

Sim, a atuação da Keira Knightley é meio… exagerada, talvez
(E, sejamos sinceros, só vale mesmo porque ela é uma masoquista que apanha decentemente no filme.)

Mas não, o filme não é ruim.

Sim, tanto o Freud quanto o Jung convencem bastante. Bem mais contidos que a estrela feminina, os atores conseguem passar de forma decente a aproximação e o afastamento entre eles.

Mas, acima de tudo, acima de atuações exageradas ou não, de interpretações decentes ou não, o filme não é para ser engraçado.

É?

Bom, não… Para mim, não era não.

Embora tenha umas duas cenas que permitem algum sorrriso mais solto, o filme é mais… uma palavra boa para descrever ele na minha cabeça é constrito.

E é exatamente aí que está o problema da pretensa intelligentzia: em certos – vários – momentos do filme, você ouvia, emergindo da platéia, o tipo de riso “Há, só eu entendo o subtexto desse roteiro. Haha. Sou demais. Há. Acendam meu charuto.”

(E essa observação não foi minha, foi da minha metade mais eloquente, aquela que usa as saias na relação. Não a cena completa com charuto, mas a risada de auto-afirmação não veria a luz do dia sem a ajuda da patroa.)

Depois dessa epifania conjugal – que só chegou no final da sessão – eu revivi o filme na cabeça e… bingo.

Público chato.

E é por isso que ver filme meio-cabeça no cinema é chato: Porque, se fosse um filme realmente cabeça, deveria ter apenas 10% daquela platéia. Eu excluído, provavelmente.

E é por isso que você acaba de ler uma crítica ao público e não ao filme.