Dawkins e o “design inteligente”

Uma longa citação alheia, só porque faz tempo que isso não ocorre por aqui e porque eu ainda estou – sim, o livro é trabalhoso – lendo essa obra:

“Ainda há muito trabalho a fazer, é claro, e tenho certeza de que ele será feito.

Esse trabalho jamais seria feito se os cientistas ficassem satisfeitos com um padräo preguiçoso como o estimulado pela “teoria do design inteligente”. Esta é a mensagem que um “teórico” imaginário do design inteligente poderia transmitir aos cientistas:

“Se vocês não entendem como uma coisa funciona, não tem problema: simplesmente desistam e digam que Deus a criou.

Vocês não sabem como o impulso nervoso funciona? Tudo bem! Não entendem como as lembranças säo depositadas no cérebro? Excelente! A fotossíntese é um processo desconcertantemente complexo? Maravilha! Por favor não saiam trabalhando em cima do problema, apenas desistam e apelem a Deus.

Caro cientista, não estude seus mistérios. Traga seus misterios a nós, pois podemos usá-los. Não desperdice a ignorância preciosa pesquisando por ai. Precisamos dessas gloriosas lacunas para o último refúgio de Deus”.

Santo Agostinho disse de forma bem clara: “Existe outra forma de tentaçäo, ainda mais cheia de perigo. É a doença da curiosidade. É ela que nos leva a tentar descobrir os segredos da natureza, segredos que estão além de nossa compreensäo, que nada nos podem dar e que nenhum homem deveria querer descobrir” (citado em Freeman, 2002).”

Richard Dawkins, em Deus, Um delírio.

Pois é. Essa coisa de educação, cultura, raciocínio independente… Isso é um perigo.

Ou, como resume muito bem uma daquelas imagens (citando o próprio Dawkins, lógico) que aparecem pela rede e o tumblr faz o favor de nos apresentar:

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советское искусство

Conquer-the-space

Picture 1 of 6

Muitas décadas atrás, antes da estandardização global das referências, era muito fácil identificar a origem de produtos, músicas, filmes…

Se hoje temos os mesmos móveis de Ikea na Suécia e na Itália, a mesma música de inspiração (no que hoje se chama de) R&B americano na Argentina e no Chipre e a mesma campanha global de publicidade em todos os países em que a Heineken atua, isso não foi sempre assim.

Um anúncio americano dos anos 40 tem uma cara que somente os anúncios americanos dos anos 40 tem.

A publicidade inglesa dos anos 60 também tem itens que a destacam e identificam com alguma facilidade.

Mas nada é mais característicamente lindo do que a publicidade soviética dos anos 30, 40, 50… As ilustrações que compunham os anúncios, as cores fortes, os traços e afins são de uma identidade única, que até hoje serve de inspiração e referência ao redor do mundo.

Assim como o design funcional de embalagens da Alemanha Oriental (obviamente influenciada pela própria URSS desses cartazes), isso parece ter encontrado um lugar de fetiche na mente das novas gerações, que sequer haviam nascido na época das guerras e dificilmente lembra-se de algo anterior a queda do muro de Berlim.

Uma série linda dessas imagens, muito maior do que essa galeria de 6 fotos selecionadas acima, está disponível no site Retronaut.

O Último Verão Europeu

Livros sobre guerra – todas elas – existem aos montes e, mesmo assim, nunca havia lido sobre as duas Guerras Mundiais. E, como é importante começar pelo começo (sim, eu tô afim de clichês), é bom começar pela Primeira.

O autor/professor de história David Fromkin consegue, nas aproximadamente 400 páginas de O Último Verão Europeu, fazer um resumo extremamente interessante de tudo que estava acontecendo na Europa naqueles dias que levaram até a Primeira Guerra Mundial: Contando com documentos que descrevem movimentações de bastidores, intrígas, traições, erros e acertos de todos os lados, o que Fromkin escreve cria uma imagem bastante clara do que levou até o conflito.

Mas, como o subtítulo entrega – Quem Começou a Grande Guerra de 1914 – o livro não é para quem esta interessado na movimentação das tropas, armamentos e batalhas. O que Fromkin se propôs a fazer foi levantar o que estava acontecendo na Europa nas semanas anteriores ao início da guerra.

E, para tanto, o professor utiliza documentos descobertos mais recentemente, que dão um conhecimento com mais profundidade a alguns dos fatos e desmontam algumas outras teorias que vinham sendo aceitas desde quando começaram a estudar o evento.

Embora não seja um conhecimento nada recente, o livro já começa deixando bem claro que o assassinado do Duque Francisco Ferndinando não foi o motivo por trás das tensões que levaram à guerra, e sim uma desculpa que veio a calhar para unir interesses dos mais distintos dentro dos exércitos da Alemanha, da Áustria-Hungria e – tenho cá minhas conclusões – também da União Soviética, do Reino Unido e dos EUA.

No que diz respeito as informações, eu não tenho a menor condição de julgar o quão acuradas elas são mas, como não devem existir livros perfeitos sobre assuntos tão controversos, imagino que em alguns momentos a opinião do autor pode ter entrado na frente da pesquisa, mas o leitor não percebe nenhum maniqueísmo tosco ou erros gritantes de datas e afins.

E, sejamos justos, o autor deixa bem claro já no prefácio que o livro é uma interpretação dele sobre o que estava nos documentos e livros consultados.

A única coisa que talvez dificulte a leitura é a sucessão de nomes e sobrenomes de imperadores, oficiais, ministros, embaixadores… Mesmo com um quem-é-quem no fim do volume, isso chega a confundir.

(Talvez isso aconteça apenas com quem leia à noite, na cama, com o sono atrapalhando as vezes…)

No final, os pequenos entraves na obra são exatamente isso: microdetalhes que você nota às vezes, perde outras vezes, e que não chegam nem perto de tirar o seu fôlego, sua profundidade e sua capacidade de criar um ambiente de imersão perfeito para o assunto.

Agora é só achar o próximo livro que conte a Primeira Guerra Mundia em si, já que este para exatamente no início das batalhas.

Sugestões?

Crash the Queen

“J. G. Ballard, cujos livros incluem Crash e O Império do Sol, disse que dispensou uma homenagem por sua produção literária em 2003. “A coisa toda é uma ilógica encenação”, disse uma vez ao Sunday Times. “Milhares de medalhas são dadas em nome de um império inexistente. Isso nos faz motivo de piadas.”

Londres diz quem quem esnobou a rainha“, no Estadão.

Hail.

“Lamento dizer que a relação da SS com a Igreja Católica é algo que a igreja ainda precisa enfrentar.

Se você está escrevendo sobre a história dos anos 1930 e a ascensão do totalitarismo, pode, se quiser, tirar a palavra “fascista” em relação à Itália, Portugal, Espanha, Tchecoslováquia e Áustria e substituí-la por “partido católico de extrema direita”.

Quase todos os regimes foram instalados com a ajuda do Vaticano. Isso não é negado. Em muitos casos os entendimentos com a Santa Sé persistiram após o fim da Segunda Guerra e se estenderam a regimes comparáveis na Argentina e outros países.”

Christopher Hitchens, entrevistado por Richard Dawkins, para a New Statesman.
Texto na íntegra na Ilustrada de 31/12/2011, só para assinantes. Ou aqui.

“Estão fazendo tempestade sem substância.”

O governo Lula, secundado pelo professor Luciano Coutinho, está repetindo agora o que fizeram os governos militares. Eles sustentaram uma enorme carga de investimentos internos com aumento da dívida externa, que, coincidentemente, também tinha ativos equivalentes no outro prato da balança. Não obstante esses cuidados contábeis, deu no que deu…

Celso Mingo em Relação incestuosa

50% feliz porque o governo do moço está para acabar.

50% preocupado com quem serão os novos presidentes do BNDES, do BC, o novo chanceler…

Ainda que seja muito difícil ser pior do que o Celso Amorim no caso do Ministério das Relações Exteriores, nunca é demais duvidar dos “méritos” que levam as pessoas aos altos postos da administração pública.