Pessoas que sabem o que escrever

28 de fevereiro de 2007 às 0:20

Fraude é crime, e se a promoção é o meio pelo qual esse crime é perpetrado, algum acréscimo deveríamos fazer ao Código Penal. Que tal multar todo e qualquer hype em torno de celebridades, e investir o montante em educação? Em saúde e saneamento básico, também, mas em educação mais ainda. Óbvio: quanto menos ignorante, menos vulnerável a celebritite aguda.”


O enloquecimento global
Sérgio Augusto, 25 de fevereiro de 2007
O Estado de S. Paulo

E eu cito…

13 de fevereiro de 2007 às 11:47

O crescente interesse pelo Big Brother Brasil é um dado tão desalentador quanto as últimas avaliações do Saeb e do Enem sobre o desempenho dos estudantes brasileiros, a mais recente evidência de que estamos criando uma nação despreparada até para regredir a uma nova Idade das Trevas – embora adequada para tornar perene o sucesso do Big Brother e outros reality shows.”

Fraude atrás de Fraude,
Sérgio Augusto, 11 de fevereiro de 2007
O Estado de S. Paulo

Paulo Coelho disfarça auto-ajuda em romance

11 de dezembro de 2006 às 12:50

“Comentar um livro de Paulo Coelho é problema garantido. Não porque exija algum tipo de mergulho profundo nos oceanos escuros do pensamento contemporâneo. Muito menos por solicitar da nossa córtex uma análise minuciosa dos desvarios da língua portuguesa. Ou pelo fato de nos conduzir aos mistérios da fé e das religiões de modo geral. Nada disso. Seus livros preferem o raso da compreensão imediata e a reutilização dos mitos a serviço sabe-se lá do quê. Sem contar o descaso com a gramática, revelado em erros de concordância e tempos verbais aos montes. Além de tudo, há equívocos na continuidade da história e incoerência no desenvolvimento das personagens. Querem mais? Pois é. E tudo isso tem como conseqüência o que mesmo? Ah, sim: 75 milhões de livros vendidos, segundo dados de sua nova editora – a Planeta.

Vivien Lando, no Estadão de 9/12/06. E eu roubei a citação do ótimo PublishNews.

Lulinha, Lulinha…

28 de setembro de 2006 às 16:17

“Antes de falar mal da mídia, o presidente deveria dispor-se a falar “para a mídia”. Mesmo um presidente acossado pelo caos no Iraque como George W. Bush se submete quase quinzenalmente a entrevistas coletivas desconfortáveis, mas respeitosas. Lula simplesmente não fala, não encara, não se expõe.
Pior, não se explica. Só faz isso em discursos inflamados dirigidos “aos seus” ou em raríssimas e rápidas entrevistas na TV. Na reta final, criticar a mídia virou saída fácil de quem tem medo das próprias respostas -e não exatamente do calibre das perguntas.”

Fernando Calazans, na Folha de S. Paulo de hoje.

Gemendo no papel

27 de setembro de 2006 às 22:15

“Em tempos de Cicarelli, pode parecer até trivial falar de sexo verbal – as imagens serão sempre muito mais eloqüentes. Mas a literatura vive um momento quente no setor. É a velha literatura de sacanagem, agora revestida de um verniz civilizatório: capas transadas, traduções caprichadas, versões em quadrinhos chiques, formatos ousados. Há muito tempo não se publicavam tantos títulos, embora essa seja uma avaliação empírica. Mas 2005 e 2006 parecem ter injetado um novo ânimo no gênero, seja lá que nome ele tenha adquirido.”

Jotabê Medeiros, no Estadão de hoje. Aqui, se você for assinante.

Gado

22 de setembro de 2006 às 12:42

New York Times mostrando para todo mundo como nossso país é bem governado, como nosso presidente é correto e honesto, como o PT é justo e ético.

Bom, ético o partido até é. Segundo um entrevistado da CBN ontem, ética não são normas de como fazer o bem, como ser justo ou similares, embora nós sempre usemos a palavra com esses significados.

Ética é (desculpem os estudiosos se eu cometer algum deslize, estou citando de memória) a forma que um determinado grupo concorda em agir diante de determinados acontecimentos. Logo, o partido, aliás, quase todos os seus partidários, já que toda generalização respinga em quem não deve, tem uma ética. Eles tem um conjunto de regras em prol de algo maior.

O algo maior que eles buscam é, como não poderia deixar de ser, o poder. O conjunto de regras é, aparentemente, simples: “faça o possível, o necessário”, mesmo que o “possível” seja ilegal e o “necessário” seja absolutamente imoral.

E o cara tem 52% de aprovação da população, número recorde na pesquisa do Datafolha. Tendo a máquina à seu favor, cartões disso, cartões daquilo, cofres escancarados, dívida pública batendo no teto, quem precisa de Duda Mendonça, não é?