Lado_C #013: XXX (Ou “A edição para audiências maduras”)
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Ao contrário do primeiro dia, em que a única tarefa era mesmo (re)ver o Kraftwerk, o segundo dia de Sónar SP rendeu um pouco mais.
Todo mundo cria uma programação ideal na cabeça quando vai em um festival (não?), contando com as bandas no horário e tudo acontecendo direitinho; claro que a gente sabe que isso não vai acontecer mas…
Minha programação mental era simples. Flying Lotus, Mogwai, The Twelves e Justice; Mas é lógico que nada disso começou no horário.
Então a programação foi refeita para dez minutos de um eletrônico chato demais, alto demais e com luzes demais no palco em que já deveria estar se apresentando o Flying Lotus.
Okey, no fundo eu sabia que não estava perdendo nada, então vamos pro auditório esperar o Mogwai.
Finalmente uma apresentação planejada dá certo e, se eu pensava que aquele eletrônico era alto, eu refiz meus conceitos após o final do show do Mogwai.
Aquilo sim era barulho. Aquilo sim era ensurdecedor – de uma forma boa, transcedental.
A acústica do espaço parecia atrapalhar um pouco, mas quem se importa. O que interessa é fazer barulho, distorcer. E foi isso que fizeram, em níveis de distorção e volumes que eu não conhecia.
(E isso vem de quem já passou por shows de Sonic Youth, Jesus & Mary Chain, Dinosaur Jr…)
Depois disso, pensar o que?
Não pensa, sai andando e vai pro outro canto da Arena Anhembi. O palco que devia ter o Twelves ainda estava com Cee Lo Green. Okey, a gente assiste, só prá não ter que andar mais…
É, deve ter sido divertidinho e ponto. Um monte de quase-covers, o hit do cara… Mas empolgou o público, é claro, então tá bom.
Depois dele, a apresentação do Twelves.
Repetitiva e com volume baixo - efeito Mogwai? -, admito que esperava muito, muito mais; talvez por conta do Essential Mix deles prá BBC que eu gosto muito.
Acho que era mesmo um problema de expectativa alta e volume baixo.
E depois o Justice entra, aí sim com o volume em níveis decentes e expectativas do público geral de um show iluminado e barulhento.
Entregam isso, empolgam, todo mundo pula, fazem um quase-bis, dominam a platéia e blá-blá-blá.
Bacana.
Mas falemos do que foi, de fato, bom? Então, o show do Mogwai…
O Sónar SP, pelo menos na primeira, noite, não facilitou muito pra quem tem esse hábito de falar de eventos por aqui.
Ok, isso talvez só tenha acontecido porque eu não tinha a menor intenção de ver nada nessa noite que não fosse o Kraftwerk, então os outros vários shows passaram despercebidos. Mea culpa.
E não tendo sofrido nenhum problema com a fila e com ingressos, também não dá para criticar nada da organização.
(Tá, a pizza estava fria e a cerveja era Miller. Que tal isso como crítica?)
Então, única e exclusivamente sobre o que interessa: Kraftwerk.
A gente sabe faz tempo que o que está no palco é só 25% da banda original.
Sabe também que não tem música nenhuma nova prá ir lá conhecer.
Sabemos – ou ao menos imaginamos – que 3D ainda é tecnologia recente e não é isso que vai fazer o show deles ser absolutamente diferente da última passagem por aqui no Just A Fest, com o Radiohead.
E ainda tem certeza de que eles são o Kraftwerk e que, sem nenhuma invencionice, o show deles vai ser em pé, parados, estáticos.
Se bem que isso talvez nem todos saibam. Jornalistas do Terra que esperavam ver o Kraftwerk pulando no palco por exemplo:
“Ao longo dos mais de 90 minutos em que estiveram no palco, os integrantes do grupo permaneceram exatamente na mesma posição: estáticos. Nada de braços para cima clamando por animação, de malabarismos ou de sorrisos para a platéia.”
Vai saber, de repente tem um espírito de Planeta Terra no cara… Ou ele curte mesmo é axé e achou Kraftwerk chato.
De todos os modos, quem estava lá para ver os alemães e esperava o que eles sempre entregam não saiu, em nada, decepcionado.
Os efeitos 3D de fato não são geniais, avançadíssimos; E é bom que não o sejam, porque isso não combinaria com o que é Kraftwerk para a música, para a arte.
A cara vintage do que acontecia com os efeitos casava com as músicas sem sobressaltos, complementava sem ofuscar e, no final, ofereciam uma obra a ser lembrada com saudades pelos fãs.
Muito pouco mudou no que acontece durante a apresentação em relação ao último show deles; as projeções pareciam iguais em 90% do tempo ao Just A Fest e as músicas e mesmo a saída deles. Tudo mecanicamente preciso e similar.
Mas olhando os fãs ao redor, sendo um fã e pensando honestamente nisso após o show, a sensação é de que você recebeu exatamente o que esperava.
(E um pensamento final de auto-congratulação condescendente… Duas vezes presente nas quatro passagens dos caras por aqui. Nada mal.)
Só para dar um toque final e encerrar a participação do Members of Morphine & Jeremy Lyons no blog – por enquanto, lógico – tem esse vídeo que o Dana Colley fez da passagem da banda por aqui.
Olha lá pelos 8m05s e prá ver o que é uma banda desconhecida de público pequeno na madrugada de São Paulo.
Lado_C #012: BR2000 (Ou “The New Millenium Tribute”)
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