Unknown Pleasures

20 de maio de 2013 às 12:47

Quando a criação – visual e musical – é tão boa, tão absurdamente boa, algumas décadas não fazem nenhuma diferença no seu alcance.

Peter Saville, o cara por trás da capa, não teria como saber qual seria o tamanho do culto que criaria na época, ainda que imaginasse o quão bom era o disco.

E é claro que em 4 minutos você não conta um décimo da história mas sempre vale a pena tocar no assunto.

E ver como o assunto ainda toca o mundo hoje.

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(Ambas as fotos estavam aqui.)

 

Post Punk Super Heroes

15 de maio de 2013 às 20:22

Gostaria de pedir a atenção de vocês por um segundo:

Aquaman

Batman

Flash

Plastic

Acabou?

Não não.

Butcher Billy, esse curitibano invejável, fez mais:
Superman

Torch

Wonder

Agora tira essa expressão embasbacada da cara.

The Cure @ Arena Anhembi

8 de abril de 2013 às 12:26

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Teve fila para chegar, teve ingresso caro, teve mudança de local, teve aquela bobagem de área vip.

Teve subdimensionamento da vontade de tomar cerveja das pessoas, teve atendente perdido quase surtando, teve caixa com fila e sem sistema, teve falta de copo plástico no bar.

Teve presença de pai, de filho, de mãe, de tia, de avó, de motoqueiro, de gótico, de stoner, de punk, de gordinhas de preto, de gordinhas de branco, de magrinhas de preto, de magrinhas de branco, de sobretudos, de camisetas, de coturnos, de tênis.

Teve gente chorando na fila para entrar, chorando na fila do bar, chorando e pulando, chorando e abraçando, chorando e beijando.

Teve gente sorrindo embasbacada.

Teve uma sequência de faixas que poucas – muito poucas – bandas podem fazer em uma só noite.

Teve hit, teve super hit, teve hit imbatível, teve lado B, teve música tocada igual ao disco, deve música reinterpretada.

Teve carioca e catarinense, teve gaúcho e paulista, teve baiano e mineiro.

Teve setlist longo, teve bis, teve segundo bis.

Teve Lovesong, teve Pictures Of You, teve Fascination Street, teve Why Can’t I Be You, teve A Forest.

E, é claro, teve 10:15 Saturday Night.

E daí prá frente – menos mal que já era quase o final – não precisava ter mais nada.

Lendo os discos

4 de abril de 2013 às 9:37

A ideia é tão simples – e ao mesmo tempo tão bem executada – que não tem como não ficar admirado.

Criação da Standard Designs, a série de posters que imagina faixas de discos como livros antigos é toda focada nesse recorte lindo da boa música roquenroll dos anos 70/80:

Joy Division

E desde a escolha dos títulos, passando pelas cores – livros todos em preto do Joy Division, em um colorido cafona nos Smiths e tons azuis para New Order – até a cara surrada das obras – ouvidas e re-ovidas compulsivamente até desgastarem – a criação é daquelas que pedem pra você ter pendurada.

(E você pode, de fato, fazer isso comprando as obras aqui, onde outros discos estão também disponíveis.)

The Smiths

E sim, é mais uma daquela série que faz você se questionar “Como eu nunca….”

New Order

Musicophilia, de Oliver Sacks

11 de março de 2013 às 9:00

Essa obra aí já estava chamando a atenção há tempos e o motivo é bastante óbvio: Musicophilia: Tales of Music and the Brain é um título genial para chamar a atenção de qualquer pessoa que tenha aquele 1% extra de interesse pela música.

Bom… eu tenho.

musicophiliaOliver Sacks é um neurologista, biólogo, pesquisador e escritor que dedicou boa parte da vida profissional a entender, estudar e escrever sobre o cérebro e, em especial, sobre a relação entre a música e nossos neurônios; trabalhando em hospitais e casas de repouso para pacientes que sofrem as consequências de um AVC, um infarto ou acidentes que prejudicaram suas percepções do mundo, ele teve acesso direto a evolução das doenças, dos tratamentos, das reações de pacientes e familiares.

Nessa obra, que expande o assunto já tratado em seus livros anteriores, estão dezenas de casos em que ele era o médico, casos relatados por outros médicos ou por parentes que escreveram após lerem um de seus vários textos publicados em revistas e jornais ou seus livros.

O livro começa já no prefácio com uma constatação emprestada de Arthur C. Clarke (parabéns extras ao autor pela referência sci-fi…) em que aliens, chegando na terra, se pegam pensando:

“What an odd thing is to see an entire species – billions of people – playing with, listening to, meaningless tonal patterns, occupied and preoccupied for much of their time by what they call ‘music’.”

E, pensando bem, é isso mesmo: música não é nada além de uma sequência finita de variações sem sentido da compressão do ar, frequências, volumes, distorções.

E isso entrega, já no seu primeiro parágrafo, que a obra é bem diferente da biografia de um músico, a história de uma banda ou uma gravadora: o que Sacks relata é como esses padrões agem na nossa cabeça, alteram nossa percepção de tempo, de espaço, da realidade.

Mais do que simplesmente descobrir como e porque gostamos desses sons, Musicophilia busca terrenos que vão de alucinações musicais, terapia sonora para recuperação de acidentes vasculares cerebrais e como aquelas melodias que achamos grudentas de fato grudam na mente até a relação de compensação entre cegueira e percepção sonora, amnesia, ouvido absoluto e sonhos musicais.

Sim, a obra é densa; muito mais do que eu esperava, inclusive.

Densa e, por vezes, cansativa. A sucessão de casos retratados, as descrições detalhadamente médicas de eventos e tratamentos, de ambientes e pacientes pode, com o tempo, cansar o leitor não-médico da obra – meu caso – mas superado esse obstáculo, é um texto de fôlego invejável na tarefa de tirar o fôlego do leitor.

Eu – admito – me peguei boquiaberto com certas passagens do que a música faz na nossa cabeça inúmeras vezes; deve ter aumentado minha popularidade entre os doidos do metrô paulistano.

Admito também que esperava que a obra fosse muito mais no caminho de uma das frases finais de Sacks:

“The neuroscience of music, in particular, has concentrated almost exclusively on the neural mechanisms by which we perceive pitch, tonal intervals, melody, rhythm, and so on, and, until very recently, has paid little attention to the affective aspects of appreciating music. Yet music calls to both parts of our nature—it is essentially emotional, as it is essentially intellectual.”

Mas talvez a grande frase do livro, na minha cabeça, seja uma citação que Sacks faz do Keats:

“Heard melodies are sweet, but those unheard are sweeter.”

E é basicamente isso.

A música tocada, a música no mundo, é uma coisa; pura física, ondas, compressão, volume, distorção.

Já a música na nossa cabeça – ouvida, lembrada, imaginada – é algo completamente diferente. É, para quem gosta, algo entre o mágico, o transcedental e o indescritível.

E por melhor e mais profunda que seja qualquer obra sobre música, nada pode descrever como cada um de nós, apaixonados pelos sons, reagimos.

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(Como podem perceber, estou quase aprendendo a usar o recurso de anotações do Kobo.)

Lado_C #050

7 de março de 2013 às 15:05

Lado_C dessa semana, edição número 50, prontinha e disponibilizada:

Streaming on demand – chique pra porra isso – lá no Mixcloud.

Podcast lindão no iTunes pro seu iPod, iPhone, iPad…

Ou pontualmente as 20h, nas ondas digitais da Go! Radio Rock.

 

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