Members of Morphine & Jeremy Lyons

Imagine que a banda mais espetacular da sua coleção de discos, CD’s e MP3′s foi uma que você descobriu tardiamente.

Imagine também que essa banda não existe mais: um dos integrantes faleceu – e faleceu durante um show, no palco.

Imagine que você ouça os discos dessa banda anos e anos, salivando, pensando em como tiveram sorte aqueles que estavam lá, nos shows deles, naqueles anos maravilhosos em que a banda estava na ativa.

É, não é tão difícil assim imaginar: É assim com os Beatles, com o Who, com o Doors, com o Pink Floyd e com dezenas e dezenas de outras bandas.

E é assim com o Morphine.

Essa jóia dos sons dos anos 90 atuou de forma espetacular por dez anos até a morte de um de seus integrantes e deixou cinco álbuns igualmente espetaculares para nosso eterno prazer.

E obviamente, tendo acabado lá em 1999, era daqueles sonhos de consumo musical prá lá de impossíveis

E continua sendo, já que a banda, o Morphine de facto com Mark Sandman, Dana Coley, Jerome Deupree ou Bill Conway não tocará jamais ao vivo; ainda assim, por uma noite, por pouco mais de uma hora, um desejo musical de anos esteve absurdamente próximo dos ouvidos de centenas de fãs – este extasiado cidadão incluso.

Não, Jeremy Lyons não tem a profundidade, a elasticidade, a fluência vocal de Mark Sandman e, sinceramente, não acho que ninguém a tenha naqueles exatos moldes: Isso deixa, portanto, de ser ponto de comparação e julgamento, o que faz um bem enorme para o que São Paulo viu nessa madrugada.

Posto isso, que o show era o Members of Morphine & Jeremy Lyons, tudo fica para lá de perfeito (novamente, note-se, isso significa apenas que estava perfeito para um fã, que, talvez, passe por todo e qualquer equívoco que a performance tenha apresentado).

O setlist, que foi, no mínimo, exemplar, apresentou de Thursday e Yes até Cure for The Pain e Honey White. E o encore, de apenas uma música, foi Buena.

Prá que mais?

Uma banda simpática – quase em excesso com seu ole, ole, olá – que interagiu pontualmente com a platéia e soube levar o público como quis durante todo o show.

DOIS bateristas tocando com um ânimo que eu não imaginava ver. Mesmo.

Um baixista/vocalista que, se não substitui Sandman, faz um trabalho especial em criar seu próprio espaço nessa história linda dos bons sons soturnos.

E Dana Colley, no sax, fazendo as vibrações do jazz, blues e rock se misturarem e ecoarem espetacularmente pela madrugada paulistana que se acabava, dando um contorno sonoro cinematográfico para aquela transformação dos escuros tons azuis da noite em um céu claro de uma manhã fria.

No fundo, em poucas palavras e de forma direta, foi o motivo de chamarmos apresentações musicais como essa de espetáculo.

Members of Morphine e Jeremy Lyons, nessa madrugada paulistana, não foi nada menos que isso.

Espetáculo.

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Noel Gallagher’s HFB @ Espaço das Américas

Em uma noite que todo mundo – e por todo mundo eu digo as pessoas que tem gosto musical minimamente decente – tinha opções pela cidade, entre um Duran Duran, um Noel Gallagher e um tUnE-yArDs, não parecia tão difícil assim escolher.

(E não foi, visto que não faço a puta ideia do que seja esse tUnE-yArDs além daquele vídeo idiota da sala de aula e Duran Duran não chama minha atenção a menos que fizessem um pocket show de dez hits, no máximo, que terminasse com essa pérola 007. E o ingresso do Noel ter sido de graça ajudou bastante…)

Tudo bem, eu não sou fã de Oasis, nem nunca fui. Talvez por isso, a voz do cidadão prá lá de entretido que exclamava “caralho” a cada doze segundos como se estivesse vendo a  ressureição dos beatles mortos me irritou um pouco.

Eu não entendo, nem compartilho, essa adoração. Mas tudo bem, depois de uma ida ao bar isso se resolveu com a mudança do lugar.

Aí o problema foi a cerveja vendida no Espaço das Américas. Mas dane-se. Se só a Budweiser quis comprar o patrocínio dessa série de shows do Live Musc Rocks, que assim seja.

Passados os gritos de baixo calão e a cerveja ruim iniciais, o cara entregou até mais do que eu esperava – ainda que eu não esperasse lá muita coisa.

Por sorte, as músicas dessa banda nova do cara, tocadas ao vivo, ficam boas; Saudações especiais ao baterista por isso.

Por sorte, também sairam uns sucessos do Oasis.

Por sorte ainda maior, o show não era de fato do Oasis, porque deve ser um cacete aguentar fã de Oasis assistindo os próprios incorporando aquele espírito La Bombonera na hora de cantar.

Entre prós e contras, nota 7,75, passa de ano e tá de bom tamanho para uma quarta-feira de frio e garoa.

(Não, isso não foi um review do show, grato por notar.)

Podcast: Lado_C #011

Lado_C #011: The Insulting Edition (Ou “Boca suja prá c*****o”)

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RSD 2012

E nesse sábado acontece a edição 2012 do Record Store Day, aquele dia bacana em que você é chamado a passar na sua lojinha preferida de discos e comprar um exemplar a mais para sua coleção.

Pois é, as pessoas ainda compram discos ao que parece…

Embora seja um movimento majoritariamente voltado aos americanos do norte e com reflexos compreensíveis na Inglaterra, não é de mau tom que você faça uma visita a uma loja aqui em terras brasilianas.

Ainda que tenha ganhado contornos de movimento excessivamente policiado pelos seus idealizadores – é quase proibitivo, por exemplo, usar essa marca aí em cima se você não for uma loja participante, por exemplo – a idéia de dedicar um dia as lojas de discos e aos eventos especiais que acontecem nelas é extremamente agradável aos olhos e ouvidos de nós, fãs de música, que ainda temos essa necessidade sinestésica de pegar em discos, ler capas de vinis, pendurar posters de bandas…

Lá na terra deles, nesse sábado, estreia durante o RSD o filme Vinylmania – When life runs at 33 revolutions per minute, um projeto do tipo crowdfunded. Dá uma olhada no trailer e não se esqueça do seu compromisso ideológico-musical para esse sábado.

Podcast: Lado_C #010

Lado_C #010: The Yearbook Playlist (Ou “A edição da viagem no tempo”)

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