Mark Lanegan @ Cine Jóia

Lá em 2009, Mark Lanegan já tinha dado uma passada por aqui, na companhia de Greg Dulli, com o projeto The Gutter Twins: E se a visão foi devidamente atrapalhada pelas colunas do Bourbon Street, musicalmente aquele show foi memorável para os fãs de bons sons s(n)oturnos.

E sábado passado o próprio esteve de volta, desta vez com sua Mark Lanegan Band, se apresentando no Cine Jóia: Embora a acústica do espaço ainda não tenha chegado onde deveria, já melhorou um pouco do que foi o show do Ladytron.

O show deu conta de apresentar uma boa parte do repertório do Blues Funeral, último trabalho da voz fundamental e seminal do grunge e serviu muito bem para desfazer parte das opiniões que eu tinha do disco.

Eu ainda não acho o disco genial (poucos são), mas, executado ao vivo, ganha um corpo e tanto.

Faixas como Grey Goes Black são muito boas no disco e ficam tão boas quanto a gravação quando executadas ao vivo.

Outras, como Ode To Sad Disco, com seus toques eletrônicos – justamente aqueles que eu temia ao assistir a apresentação ao vivo – ficaram consideravelmente melhores. Méritos do multi-instrumentista que cuidava de operar teclado, Macbook e baixo, talvez?

E quem é que vai reclamar, se entre uma e outra faixa do trabalho mais recente do cara, ele toca Hit The City, da parceria com PJ Harvey para o Bubblegum, de 2004? Ou de ouvir, desse mesmo disco, Metamphetamine Blues no bis, fechando a noite?

O que atrapalhou – não dá prá falar de mais nada errado mesmo – é o som que, por vezes, deixava todo o instrumental denso demais e alto demais, sobrepondo-se a voz de Lanegan.

E quem vai em um show de Mark Lanegan, lógico, quer ouvir – quase que acima de tudo – a voz de Mark Lanegan.

O resultado final foi uma noite de sábado para se lembrar: Pelas músicas, pela voz, por ter passado a 20 centímetros do cara quando ele entrava na casa e por conta da projeção, que deixava essa imagem da sombra de Lanegan impressa na parede durante toda a noite.

Podcast: Lado_C #009

Lado_C #009: Músicas com os mesmos títulos (Ou “Músicas com os mesmos títulos”)

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Podcast: Lado_C #008

Lado_C #008: The Rainbow Edition (Ou “Canções para colorir: Canetinhas não inclusas”)

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Podcast: Lado_C #007

Lado_C #007: 1997 (Ou “A rádio que virou DJ de posto de gasolina”)

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Lanegan. Funeral.

Se por acaso você passou por uma banda e ela teve sucesso… Já era.

Mas, ocasionalmente, algumas pessoas fogem desse buraco negro.

Mark Lanegan, por exemplo. Depois do Screaming Trees – que não foi nenhum Nirvana, mas teve seus momentos e até hoje tem seus fãs – o cidadão já fez mais coisas, já montou mais parcerias e criou mais músicas boas do que a grande maioria das bandas conseguem.

Não bastasse ter gravado clássicos como Nearly Lost You ou All I Know, quando o Screaming Trees foi pro espaço o cara resolveu fazer seus projetos com Isobel Campbell, P.J. Harvey e Josh Homme. Só.

Além de colaborar com a nata, Lanegan também se meteu com o Soulsavers, o Queens Of The Stone Age, o UNKLE e o Twilight Singers.

Como se isso não fosse suficiente, ele gravou Blues Funeral e soltou em 2012.

E dessa vez são os outros que aparecem no disco: Greg Dulli, Josh Homme e Jack Irons, por exemplo.

Longe de ser o clássico de uma geração ou de uma carreira, Blues Funeral é, sim, uma sequência quase soturna de músicas com toques eletrônicos que transportam a pessoa para cenas noturnas, cabarés vazios, estradas com neblina e afins.

A parte mais marcante é, e talvez isso seja bastante esperado, a voz grave, quase assombrada, de Lanegan. E um disco com esse não seria nada sem essa presença cantando em momentos como The Gravedigger’s Song e, principalmente, Ode To Sad Disco.

Não, o disco não pode ser tocado a qualquer momento do dia. Suas letras e ritmos pedem um pouco mais de concentração, um pouco menos de luz e, sempre que possível, seu copo de destilado favorito.

Mark Lanegan passa aqui em SP, em 14 de abril. Estaremos lá.

Podcast: Lado_C #006

Lado_C #006: Heaven & Hell (Ou “Deus & o Diabo na terra do som”)

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