ECA(d)

(Se a opinião é igual a bundinha, e cada um tem a sua para dar quando quiser, permita-me, então, dar a minha. Opinião, por hora.)

Você tem um país do tamanho de um continente com problemas suficientes para uma galáxia e vai se preocupar com o ECAD?

Fome, ciclistas atropelados, até a falta de gasolina mas… ECAD?

Pois é.

Não quero dizer que sejam problemas com as mesmas dimensões, é lógico. Se a falta de gasolina é pontual e se resolve rápido e a fome é algo enorme que precisa de muito mais do que boa vontade, panelaços, paralizações de vias públicas e textos pela internet, o ECAD querendo passar a mão na sua carteira é outra coisa…

A cretinice da PL 29 já tinha mostrado, lá em 2007 quando foi apresentada, que o governo adora controlar o que você vai ver. Fica mais fácil dar aquela direcionada no curral se você controla quem toca o gado, não?

Aí vai lá, passa a lei, enche a TV paga de canal subproduzido pra cumprir cota de conteúdo nacional e fazemos o governo feliz.

“Ufa, a ameaça de um público que assista canais estrangeiros, se acostume com uma língua diferente, queira conhecer novos lugares e culturas foi diminuido. Viva la revolucion!”

Mas aí tem também esse monte de empresa gringa que tá na internet, contratando brasileiros, investindo em infraestrutura de telecomunicações, traduzindo textos, apresentando novidades tecnológicas de streaming de conteúdo…

Não não, não pode.

Aí vão lá e começam a exigir que o controle das empresas seja de brasileiros.

“Boa, mais coisas pro Eike comprar e ganhar dinheiro. Rumo ao número 1!”

Mas tem um monte de blogueiro, tumbleiro, tuiteiro, flickeiro…

“Ei, esses caras são perigosos, tão enchendo a web de conteúdo. CONTEÚDO! Onde já se viu?”

Quer divulgar uma banda, dar uma melhorada na cara do teu site, colocar um vídeo?

Pode, claro. Vai morrer com algumas centenas de reais, todo mês, por isso. Mas pode.

Sério? Qual é o problema com essas pessoas?

O cara tem seu blog divulgando o que quer que seja, não ganha um puto com isso, faz aquilo de hobby, faz aquilo com dedicação no tempo livre, saí lendo, assitindo coisas diferentes pra postar e… Tem que pagar por isso?

Em que cacete de planeta vivem esses funcionários do ECAD?

Tá, eles só estão cumprindo a lei, imagino eu mas… Não. Tá errado, porra!

E prá deixar as coisas ainda melhores, os pobres compositores que o ECAD defende não recebem um centavo dessa merda toda na maioria das vezes… E quando recebem, o valor não deve pagar nem o custo do caderno e da caneta que usaram pra escrever a letra da música.

Mas é isso né. Nesse ano, atingimos 13 dias mais cedo a quantia de 300 bilhões pagos em impostos, tributos e roubos afins.

Tudo pra manter a boa imagem do Estado, às custas de tudo que você faz.

E esse “Tudo pra manter a boa imagem do Estado” é da Plebe Rude, tá bom, ECAD? Manda o boleto aí.

(Sim, você tem razão. Esse é o primeiro post abertamente mal educado do Cidadão Entretido. My bad.)

O Último Verão Europeu

Livros sobre guerra – todas elas – existem aos montes e, mesmo assim, nunca havia lido sobre as duas Guerras Mundiais. E, como é importante começar pelo começo (sim, eu tô afim de clichês), é bom começar pela Primeira.

O autor/professor de história David Fromkin consegue, nas aproximadamente 400 páginas de O Último Verão Europeu, fazer um resumo extremamente interessante de tudo que estava acontecendo na Europa naqueles dias que levaram até a Primeira Guerra Mundial: Contando com documentos que descrevem movimentações de bastidores, intrígas, traições, erros e acertos de todos os lados, o que Fromkin escreve cria uma imagem bastante clara do que levou até o conflito.

Mas, como o subtítulo entrega – Quem Começou a Grande Guerra de 1914 – o livro não é para quem esta interessado na movimentação das tropas, armamentos e batalhas. O que Fromkin se propôs a fazer foi levantar o que estava acontecendo na Europa nas semanas anteriores ao início da guerra.

E, para tanto, o professor utiliza documentos descobertos mais recentemente, que dão um conhecimento com mais profundidade a alguns dos fatos e desmontam algumas outras teorias que vinham sendo aceitas desde quando começaram a estudar o evento.

Embora não seja um conhecimento nada recente, o livro já começa deixando bem claro que o assassinado do Duque Francisco Ferndinando não foi o motivo por trás das tensões que levaram à guerra, e sim uma desculpa que veio a calhar para unir interesses dos mais distintos dentro dos exércitos da Alemanha, da Áustria-Hungria e – tenho cá minhas conclusões – também da União Soviética, do Reino Unido e dos EUA.

No que diz respeito as informações, eu não tenho a menor condição de julgar o quão acuradas elas são mas, como não devem existir livros perfeitos sobre assuntos tão controversos, imagino que em alguns momentos a opinião do autor pode ter entrado na frente da pesquisa, mas o leitor não percebe nenhum maniqueísmo tosco ou erros gritantes de datas e afins.

E, sejamos justos, o autor deixa bem claro já no prefácio que o livro é uma interpretação dele sobre o que estava nos documentos e livros consultados.

A única coisa que talvez dificulte a leitura é a sucessão de nomes e sobrenomes de imperadores, oficiais, ministros, embaixadores… Mesmo com um quem-é-quem no fim do volume, isso chega a confundir.

(Talvez isso aconteça apenas com quem leia à noite, na cama, com o sono atrapalhando as vezes…)

No final, os pequenos entraves na obra são exatamente isso: microdetalhes que você nota às vezes, perde outras vezes, e que não chegam nem perto de tirar o seu fôlego, sua profundidade e sua capacidade de criar um ambiente de imersão perfeito para o assunto.

Agora é só achar o próximo livro que conte a Primeira Guerra Mundia em si, já que este para exatamente no início das batalhas.

Sugestões?

Quem quer SOPA?

 

Cardápio do dia?

SOPA.

Até você não aguentar mais. E depois… Mais SOPA.

Ou então você pode fazer alguma coisa e tentar evitar que empurrem isso garganta abaixo pelo mundo afora.

#StopSOPA

O Último Verão Europeu

“Há uma tendência a pensar que a gente dos movimentos revolucionários clandestinos é de esquerda. Mas os terroristas ocupam frequentemente um espaço-tempo próprio: às vezes, eles não olham para frente, mas para trás. Aspiram restaurar reinos que a muito se tornaram pó. Aliam-se sob bandeiras a muito tempo esquecidas. Dão atenção cuidadosa a profetas que pregaram para gente de uma era pretérita.”

David Fromkin, historiador norte-americano, autor de “O Último Verão Europeu – Quem Começou a Grande Guerra de 1914?

Não parece ser muito necessário comentar que isso se aplica a muito mais do que apenas os terroristas…

3 wise monkeys

“A atuação da ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, querendo impor veto a propaganda e sugerindo à TV Globo mudanças no enredo de novela, dá a medida do uso que o PT faria do “controle social da mídia”, caso conseguisse aprovar a medida.

A ministra tem contribuído mais para reunir repúdio ao plano – ainda na agenda do partido – que qualquer coisa que se possa dizer sobre a liberdade de expressão.”

Dora Kramer, em Forasteiros, no Estadão de 12/10.

Não adianta… Se o partido nasceu como o detentor universal das verdades absolutas (amém), que não admite o contraditório, nunca vai perder uma chance, por menor que ela seja, de tentar controlar o que seu rebanho vê, lê e ouve.

Uma releitura moderna, adaptada as necessidades petistas, dos três macacos sábios

Gênios do nada

“Outro exemplo de um aspecto da cultura brasileira elogiado muito mais do que provavelmente merece é a obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Sei que isso pode soar chocante, porque há um consenso quase universal aqui no Brasil de que Niemeyer é um gênio. Mas, como Nelson Rodrigues costumava dizer, “toda unanimidade é burra”. Deixando de lado a política stalinista de Niemeyer, que é execrável, há uma condtradição fundamental e irreconciliável entre o que ele professa e a obra que produziu. Ele afirma querer uma sociedade baseada em princípios igualitários, mas sua arquitetura, para usar a linguagem do mundo da computação, não é user-friendly. Ao contrário: ela é profundamente elitista e mesmo egoísta, concentrada principalmente em fazer declarações grandiosas e eloquentes por si mesmas, para satisfação de Niemeyer e seus admiradores, mesmo que cause desconforto ou inconveniência ao usuário.”

Larry Rohter, jornalista americano, no capítulo Cultura do livro “Deu no New York Times”.

E aí você abre o jornal e vê isso:

Mas não é o pior, a foto da capa do caderno de Esportes mostra algo ainda mais embaraçoso:

E ainda tem a abertura do texto, dessa vez na Folha:

“Quem chegar a Santos pelo mar, a partir de 2012, verá no monumento projetado pelo gênio da arquitetura a imagem do gênio do futebol.”

Aquela coisa baba-ovo – embora nesse caso a expressão beija-mão faça mais sentido e seja mais óbvia – entre dois enormes ícones do nada na cultura brasileira.

Larry Rohter entende bem mais do que acontece nesse país do que 90% das pessoas que administram ele. Talvez por isso Lula tenha tentado expulsar ele do Brasil.