Requiem for a radio

(Já se vão alguns dias desde o fim da Woxy, mas não dava para escrever nada no dia seguinte e alguns dias de reflexão, alguns textos alheios e afins parecem indicar que é a hora de dar meus dois cents sobre o assunto.)

Eu já escrevi sobre a minha descoberta da Woxy e o que isso significou na minha vida, mas as coisas mudaram e se atualizaram um pouco desde o ressurgimento da rádio. A troca de donos, a mudança para Austin e o seu triste fim.

Não é a primeira nem a segunda vez que a Woxy deixa uma nação de fãs orfãos. Mas dessa vez parece ser definitivo.

Não é a primeira rádio decente a sumir do mapa. O estranho dessa vez é que o sucesso pode ter colaborado para o fim das transmissões.

Ao longo dessa semana, desde seu fim, dezenas de pessoas escreveram textos fantásticos sobre o que aWoxy representou, ao longo de mais de duas décadas, para suas vidas e para o rock independente nos EUA e no mundo.

Na minha vida, a Woxy teve um impacto que não consigo, realmente, imaginar.

Foram suas playlists que modificaram meu gosto musical.

Foram os lounge acts da Woxy que me apresentaram dezenas das bandas que eu adoro hoje.

Foram seus DJs que me explicaram a cena indie nos Estados Unidos.

Foi a Woxy que me fez companhia em trabalhos que me davam desejos suicídas.

Quer saber? Foi em boa parte por culpa dessa mudança de gosto musical que eu encontrei a mulher da minha vida.

Dá para ser mais importante que isso?

E por mais que isso não faça sentido para quem não tem essa paixão pelo rock independente, acredite: A música muda radicalmente as vidas das pessoas.

Não consigo imaginar quantas pessoas ao redor do planeta também passaram por esse momento desagradável de descobrir que sua rádio do coração não iria mais tocar uma única música, mas tenho certeza de que a sensação de vazio delas é muito parecida com a minha.

Mike, Shiv, Barbs, Joe, Brian, Brian J., Paige, obrigado por tudo.

TV On The Radio *

Sabe aquelas idéias genias que tem um potencial inegável de virar merda ou, na melhor das hipóteses, fracassarem?

Pois é. Acontece isso com a Fanta Uva. Acontece isso com TV no celular. Acontece isso com frequencia na publicidade. E aconteceu recentemente no rádio.

A idéia de transmitir um programa de TV pelo rádio não é nova, mas aparentemente ninguém contou para as pessoas que trabalham na BandNews FM, especialmente para os enormes, gigantescos, desproporcionais egos de alguns locutores.

E o fato de que as emissoras não fazem isso com frequencia também passou despercebido pelo incrível time de profissionais que devem ter participado do brainstorm responsável pela “primeira transmissão multimídia do rádio brasileiro”.

(Os conceitos de multimídia, ineditismo e afins são tão deturpados, amassados, jogados pro alto nessa frase marketeer-made deles que não preciso me dar nem ao trabalho de criticá-la.)

Tudo bem, corta um custo aqui, dá uma enganadinha lá, põe um plantonista passando informações de trânsito durante os intervalos da transmissão na TV e voilà, certo?

Não é bem assim não.

“Reparem nessas imagens impressionantes do momento da explosão.”

“Revejam o instante em que o bebê é salvo pelo bombeiro.”

“Com a imagem dessa câmera-lenta, é possível ver que a bola não foi tocada pela mão do zagueiro.”

Além de ser bem inútil para a pessoa que está ouvindo, invariavelmente as descrições de eventos que merecem ser enfatizados são seguidas de um silêncio de três, cinco segundos para que o telespectador realmente preste atenção no vídeo.

Você faz idéia do que são cinco segundos de silêncio no rádio? É uma eternidade. E é também um misto de vergonha alheia pela incompetência da rádio, uma sensação de estar perdendo parte fundamental da informação e, porque não, são cinco segundo em que você se sente meio idiota, de fone de ouvido prestando atenção no silêncio e tentando imaginar a cena.

Por favor, Sêo Saad, repense isso. Dora Kramer, Ricardo Boechat e alguns outros bons profissionais do rádio e da informação não merecem isso na rádio em que trabalham. Talvez, só talvez, nem mesmo o Milton Neves e o José Simão, as piores coisas da rádio, mereçam isso.

_

* – Não só o conceito de TV no rádio não é novo como dá nome a uma banda excepcional.

Frequência Modulada

Sheryl Crow com cover de Led Zeppelin
Frente! com cover de Bizarre Love Triangle (Pronunciada de forma assustadora)
Também tem Pato Fu e Marisa Monte.
Depois ouvimos More Than This, também um cover.
Para acabar com a vontade de passar 60 minutos analisando a programação, um cover do Police em reggae.

Então é isso que as pessoas, público consumidor de Pajeros e afins, querem ouvir? Uma sequência cool de músicas batidas para enfrentar o trânsito parado dentro de sua SUV? Bastante original.

O que quer dizer que existe mais uma rádio para não ser ouvida em SP. Mitsubishi FM: Uma rádio de propósitos absolutamente marqueteiros (tanto é que a criação é da África + Grupo Bandeirantes + Mitsubishi), bem longe de você caso possua algum bom senso.