“Então o que a pergunta “Por que você não acredita em Deus?” realmente significa? Eu acho que quando alguém pergunta isso a pessoa está na verdade questionando sua própria fé. De certo modo, ela está perguntando “O que faz de você alguém especial? Como você não passou pela mesma lavagem cerebral que o resto de nós? Como você ousa dizer que eu sou um idiota e não vou pro céu? Foda-se”. Sejamos sinceros, se uma única pessoa acreditasse em Deus, ela seria considerada muito estranha. Mas, por ser uma visão popular, ela é aceita. E por que é uma visão tão popular? Isso é óbvio. É uma proposta atraente. Acredite em mim e viva para sempre. Novamente, se fosse apenas um caso de espiritualidade, estaria tudo bem.”
Ricky Gervais, em Por que eu sou ateu,a tradução do
Viagem Literária para Why I’m An Atheist, do WSJ.
É absolutamente impossível retirar apenas um trecho do texto; esse pedaço acima é tão bom quanto, por exemplo, este:
“É quando a crença começa a infringir os diretos de outras pessoas que eu começo a me preocupar. Eu jamais negaria o seu direito de acreditar em um deus. Eu só preferiria que você não matasse pessoas que acreditam em um deus diferente. Ou apedrejasse pessoas até a morte porque o seu livro de regras diz que a sexualidade deles é imoral. É estranho que qualquer um que acredita que um ser todo-poderoso, onisciente e responsável por tudo o que acontece também gostaria de julgar e punir pessoas pelo que elas são. Pelo que eu compreendo, o pior tipo de pessoa que você pode ser é um ateu. Os primeiros quatro mandamentos batem nessa tecla. Existe um deus, eu sou ele, ninguém mais é, você não é bom e não esqueça disso (não assassine alguém só recebe uma menção no número 6).”
Mas eu acho que a real genialidade das pessoas que se destacam é, em grande parte, o seu poder de resumir idéias, ser conciso, preciso.
E se isso vier com ironia, tanto melhor:
“Quando confrontado por alguém que enxerga a minha falta de fé religiosa com desprezo, eu respondo: “Foi assim que Deus me fez”.”




