IstoÉ errado. E continua errado.

Duas fotos iguais – tá bom, quase iguais – ilustrando duas matérias distintas na home da IstoÉ. Não perdem esse hábito de deixar o site em segundo, terceiro, quarto ou quinto plano…

Ler as matérias da IstoÉ mostra que a equipe produz, sim, um material bom, a escrita agrada, a diagramação – embora um pouco quadrada – agrada… Mas na hora de “portar” (palavra da moda, né…) para a web, pisam muito na bola.

E o que dizer então da home da Dinheiro Rural? “Onde Investir em 2007″ no canto, sem grandes informações novas… Eu fiquei com a impressão de que a revista nem circula mais.

Mas tudo bem, quem sabe um dia eles tem que dar uma de JB às avessas e abandonar a web para fazer apenas impressos?

Páginas cor-de-rosa

The National Police Gazette é uma dessas jóias que a internet permite reaparecer, décadas e décadas depois, nas telas do planeta inteiro.

A publicação é considerada antecessora do jornalismo falso de Jon Stewart e similares, além de receber crédito por, muito antes de Howard Stern, reconhecer o apelo de certas imagens e idéias avançadas e ofensivas e formatá-las para serem aceitas pela cultura popular.

Criada por Richard Fox no fim do século XIX, a Police Gazette dedicava-se a cobertura de boxe, uma das paixões do fundador e cuja prática era ilegal nos EUA, desenhos burlescos de mulheres, geralmente mostrando os joelhos – um grande avanço erótico para a época – além de crimes e cobertura de espetáculos teatrais. Mas não era apenas uma revista para os senhores. De acordo com um texto de 1845, ano de sua fundação:

“We offer a most interesting record of horrid murders, outrageous robberies, bold forgeries, astounding burglaries, hideous rapes, and vulgar seductions in various parts of the country…”

A Police Gazette foi, segundo relatos, a primeira publicação a utilizar ilustrações para dramatizar as histórias e, embora não possa ser afirmado com certeza – jornalistas free-lancers, editores, redatores e afins trabalhavam sob codinomes – muitos dos grandes profissionais da imprensa da época passaram pelas páginas cor-de-rosa da publicação.

Essas pioneiras ilustrações eram criada por funcionários que trabalhavam em tempo integral para Fox, geralmente desenhadas à partir de relatos ou lembranças.

Já os repórteres, contratados para trabalhar nos fins-de-semana enquanto estavam longe das redações em que trabalhavam durante a semana, tinham um esquema de trabalho um pouco diferente: Eram trancados – acredita-se que voluntariamente – em uma sala, onde tinham acesso a bebida e comida de excelente qualidade e sem limites, por todo o fim de semana. Na segunda-feira, o segurança os deixava partir para os seus empregos, cada um com dez dólares pelo trabalho executado.

Exemplo clássico e cheio de clichês do romantismo com que enxergamos hoje o jornalismo – e diversas outras profissões – na passagem do século XIX para o XX, a Police Gazette durou até 1977, sendo administrada por Fox até sua morte em 1922, como um multimilionário.

Hearst e Pulitzer, dois nomes em que a imprensa americana se construiu e servem de referência até hoje, já admitiram a “dívida” que mantém com Richard Fox; o império destes começou exatamente no declínio e fim da Police Gazette.

Diz a internet que, após sucessivas vendas, o título hoje encontra-se com uma empresa canadense, e ainda é encontrado em bancas pela América do Norte. Mas dificilmente produz capas com a chamada e a composição dessa dupla Cuba+Lollobrigida.

IstoÉ (um erro)

Se tem uma revista que já não conta lá com uma imagem das melhores é a IstoÉ.

Desde a época que se chamava IstoÉ Senhor, o nome deixava um ar aristocrático sério demais.

Nos tempos mais recentes, as inúmeras notícias de fechamento da Editora Três, atrasos de salário e afins.

(Não, essa última parte não é exclusividade da Três)

Tudo bem, nenhuma empresa vai acertar a vida inteira. Nem a übber-cool Apple acerta sempre. Mas tem certos deslizes que não se pode cometer.

Uma padaria fazer pão com cimento, por exemplo. Ou um bombeiro atear fogo (Só faz sentido em Fahrenheit 451) ao invés de apagar.

É nessa categoria – além da categoria de preguiça injustificável de ao menos ler o texto – que se encaixa a beleza de screenshot acima. Se você precisa ajudar a sua revista a não morrer, nessa época em que é difícil além da conta manter um título impresso vivo, esse tipo de deslize é capaz de acabar com o pouco de imagem que sobrou às revistas.

E prova cabalmente que não, no geral a mídia impressa – especialmente a brasileira – não faz idéia de como vai fazer essa transição.

(Não viu nada de errado? Lê com atenção você também! Ou você é revisor de site na Três?)