Queremos Miles @ SESC Pinheiros

Aproveitando que a exposição Queremos Miles – a linda, incrível, deliciosa exposição, diga-se – está chegando aos últimos dias, fico mais confortável em não precisar urgir que todo mundo vá para o SESC Pinheiros.

É um conforto não precisar falar da absurda quantidade de peças originais que estão por lá. Ou não precisar escrever sobre as cartas – cartas de Miles, para Miles ou sobre Miles – que estão em exposição.

Também não falar sobre a montagem em si, como linha do tempo, com iluminação e sonorização exemplares, ou da imersão que isso causa para quem se interessa pela história da música no século XX.

E nem mencionar a incrível quantidade de pessoas fundamentais para o jazz, para o rock, para o pop, para o blues – para todos os tipos das boas músicas – que conviveram, colaboraram, gravaram e viveram com e ao redor de Miles Davis.

Porque, afinal de contas, a exposição está acabando. E, ao contrário deste que vos escreve agora, você já deve ter ido faz tempo e aproveitou cada minuto de audição, leitura e admiração pelas obras que esse cara soltou no mundo.

Mas se não é esse o caso, nunca é tarde para dizer: Vá. Agora.

Ladytron @ Cine Jóia

Por algum motivo, o Ladytron veio parar nas minhas playlists numa época em que essa combinação de voz feminina com clima quase soturno e beeps eletrônicos conseguiam me seduzir quase que de forma instantânea.

(Não quer dizer que bandas com mulher nos vocais e climas soturnos não me atraiam mais; talvez só tenha mesmo é ficado mais seletivo com os beeps eletrônicos.)

A banda não é um primor artístico, as letras não são geniais, os discos não são daqueles que ficavam semanas no repeat.

E deve ser por isso mesmo que continua chamando a atenção – a minha, ao menos.

Em uma época em que toda banda que passa por aqui é ignorantemente grande – o monte de tranqueira que tocou no Rock in Rio, SWU e Planeta Terra – ou são absolutamente desconhecidas e vendidas como a salvação inovadora da música – como outros montes de bandas dos mesmos festivais – a idéia de simplesmente ouvir uma banda bacana, que não é genialmente obscura (opinião dos fãs) ou gigantesca e desnecessária, agrada muito.

O Ladytron consegue misturar aquele monte de referências que fazem a festa na cabeça de muitos, a minha entre elas. Teclados, sintetizadores, distorçõezinhas, mulheres na banda, linguas estranhas, vídeos pouco óbvios… Como não gostar?

Quanto ao setlist, é sempre a mistura que todo mundo entende como um show de turnê de lançamento de discos. Hits de discos antigos, os singles novos e todo mundo feliz cantando. (Pelo menos as letras que não são cantadas em búlgaro…)

Exatamente na mesma linha, a casa ajuda. Bonita, com tudo novinho, projeção mapeada muito bem feita, mas com caixas e bares pouco eficientes e um som que ainda num chegou lá.

No final, tudo, a banda, a casa, a localização, o esquema de venda de ingressos – e até o preço deles – deixam aquele gosto de nota 7 com respeito.

E prá quem acha que um 7 não é nota que se dê a uma noite que tenha sido boa, vai dizer que um 3 do Megadeth com um 2 da organização valem mais só porque, no final, teve um 8 do Sonic Youth ou um 8 do Faith No More?

Desde pequeno você sabe disso: O importante é a média final. E passar de ano.

Zavarshva.

Ensino “superior”

“O câmpus de qualquer instituição acadêmica é sagrado para a transmissão do saber, não para o consumo de drogas. É proibido fumar maconha na nave da Sé, na rua, em boates e na Cidade Universitária. Os “bichos grilos” mimados que se disseram “torturados” por terem sido levados de ônibus – e não nos carrões dos pais – para a delegacia devem ser fichados como bandidos comuns e expulsos da universidade para que outros que querem e precisam estudar recebam a educação que desprezam.”

José Nêumanne, em “A revolução dos ‘bichos grilos’ mimados da USP“,
no Estadão de hoje.

Malkovich

Por algum preconceito daqueles que nunca se sabe onde surgem (mas eu sei – são aqueles malditos musicais de Hollywood…), nunca imaginei ir ao teatro assistir um musical.

Ok, acabei assistindo O Médico e o Monstro. E nem foi ruim. Se não cantassem e fizessem uma peça de 25 minutos, seria ótima.

Depois disso jurei nunca mais assistir um musical. E cumpri a promessa.

Até porque The Infernal Comedy não é um musical.

The Infernal Comedy é uma peça de teatro com John Malkovich.

Todo o resto é acessório.

E entenda bem que todo o resto é uma orquestra tocando ao vivo, lindamente no palco.

Todo o resto é um maestro que disputa a atenção da platéia com o próprio Malkovich.

Todo o resto são duas cantoras líricas que atuam durante grande parte da peça, sem perder o fôlego ou a graça.

Todo o resto é o fato de você estar em um espetacular Theatro Municipal, restaurado, com conforto e acústica de dar gosto.

E, ainda assim, é só o resto.

John Malkovich, no papel de um serial killer do além, transformado em autor de best seller, a discutir turnês literárias e seu relacionamento com as mulheres, é daquelas coisas que fazem você sentir que está com a boca aberta faz muito tempo ou não piscou nos últimos dois minutos.

Minha experiência teatral é mínuscula, eu sei disso, mas, para esse meu repertório, essa foi uma noite de grande teatro.

Que seja a primeira de uma série de passagens de bons – de espetaculares – atores estrangeiros pelos nossos palcos.

Até porque releituras medíocres de musicais chatos da Broadway a Cláudia Raia e similares já fazem em quantidade bem acima do tolerável, e a cidade merece uma compensação por isso.

Planeta Terra 2010 @ Playcenter

Devidamente atrasado como dese ser qualquer texto de show – uma boa desculpa para a preguiça e uma forma de analisar com calma o que você viu – vou fazer de conta que tenho alguma coisa relevante a escrever sobre o que se passou no meu Planeta Terra 2010.

E é bem simples:

Of Montreal: Chato, chato, chato, chato, chato, chato prá cacete.

Yeasayer: Bem bacana, bem acima do que quer que eu imaginasse. Mas tudo bem, porque eu não imaginava nada, conheço aquelas duas músicas óbvias e olhe lá. Mas, de novo, bem bacana.

Passion Pit: O pouco que eu assisti de Passion Pit, entenda,  até empolga, mas não é o tipo de banda ou show que deixa lembranças. Mas como já tá pago mesmo, que mal tem assistir umas três músicas?

E depois veio o que realmente importa.

Pavement: Aí sim começamos a falar de (e ouvir) bandas que fazem diferença. No caso do Pavement – que nem é das minhas preferidas no tipo de som, no “movimento” ou da época mas entra sempre na lista das bandas necessárias – o show realmente teve cara de for fans only. E isso não é nada nada ruim.

Não dá para esperar uma empolgação 1993 deles, mas não atrapalhou em nada o fato de terem anos e anos a mais nas costas. Show bem competente, sem grandes bobagens cênicas como outras bandas fizeram, sem a menor vontade de criar uma interação com o público mas quem se importa? Uns hits estavam lá, umas obscuras também, e isso fez a noite de um bocado de gente.

Smashing Pumpkins: Muito mais importante na fase de definição das minhas preferências sonoras do que o Pavement (e isso não é juízo de valores, entenda bem), a apresentação de Billy Corgan e seus músicos contratados foi bem similar, em muitos aspectos, ao que o Pavement entregou.

Som alto na medida, nenhuma bobagem cênica, interação com o público nota 0,5, uns hits que fizeram o pescoço doer no dia seguinte e outras obscuras que não comprometeram. Ainda veio aquele bis inesperado – que não precisava ter sido de Heavy Metal Machine – prá deixar mais feliz.

Bonus prá baixista, que – salvo engano – foi a única mulher que eu vi no palco esse ano. Comparada com a Kim Gordon no Planeta Terra de 2009 é até covardia, mas não é sempre que dá prá trazer o Sonic Youth prá São Paulo.

No final, fica aquela sensação agradável de que o festival continua valendo o esforço idiota que é conseguir um taxi às quatro da manhã na Marginal. Fica também a esperança pelo line-up de 2011

Sugestões?