Forbrydelsen

A primeira temporada de Forbrydelsen, talvez o único hit dinamarquês pelas tevês mundo afora, chegou recentemente ao Brasil em versão alta definição pela Globosat HD, depois até da estreia por aqui do remake norte-americano produzido pela AMC e transmitido no cabo pela A&E.

E eu admito que não assisti a essa versão norte-americana por um único motivo.

Não tem como tirar da cabeça as interpretações originais e os atores originais de Forbrydelsen: Para quem está acostumado a ver e rever atores conhecidos em diferentes séries, o ineditismo das caras novas é um choque que só faz bem.

(Também colabora para eu não ter assistido o remake o fato de não gostar de remakes de suspense e investigação. Se for o mesmo final, acho que perdi tempo. Se é um final diferente, acho uma blasfêmia. Complicado, não?)

Claro que a atuação deles faz toda a diferença, mas não dá para deixar de notar como é diferente assistir uma série cheia de caras desconhecidas, paisagens inéditas e uma língua completamente estranha.

O roteiro não tem grandes sustos ou reviravoltas mirabolantes e, talvez, esteja aí seu grande trunfo. É difícil acreditar em certas mudanças das histórias que algumas séries de suspense norte-americanas criam, e isso colabora para quem gosta dessa sensação de tevê pé no chão.

Nas atuações, vale notar as interpretações do candidato a prefeito Troels Hartmann (Lars Mikkelsen) e, especialmente, a investigadora Sarah Lund (Sofie Gråbøl): Ela realmente consegue despertar uma raiva única em quem assiste, tamanha a teimosia que imprime na personagem.

Ao contrário do que a gente está acostumado a ver nos EUA, a série não tem o final feliz que tanto agrada as platéias e isso, talvez, se explique por uma observação da atriz principal, em entrevista para a Folha:

“Os países nórdicos têm essa tradição de mostrar o lado sombrio da mente humana. Veja Ibsen, Strindberg, Bergman.”

Assista.

Texto originalmente publicado na TV Magazine, 23 de março de 2012

Sherlock

Sempre foi um atestado de qualidade – meu atestado de qualidade pessoal, entregue de acordo com os meus princípios indiscutíveis – sentir um misto de raiva/desprezo/repulsa por uma personagem qualquer em um filme ou seriado.

É o tipo de coisa que não acontece com frequência e, quando acontece, por algum motivo, me deixa com um pouco de vergonha.

Sim, vergonha, porque eu sempre achei – continuo achando – extremamente idiota ver como se discute a vida das personagens de séries e novelas como se fossem realidade.

Mas algumas vezes o trabalho de um ator é tão espetacular, o casamento personagem + artista dá tão certo que, admito, me dão raiva.

Sim, eu me peguei com raiva do Nathan que Robert Sheehan interpretava em Misfits.

(Em minha defesa, pelo menos não comentava com ninguém as atitudes de Nathan. Talvez por falta de platéia que assista a série, mas ainda assim…)

Em Sherlock isso acontece novamente. E, estranhamente, não é com o próprio.

Não que Holmes não tenha todos os pontos para ser uma personagem odiada mas, para qualquer pessoa que tenha lido seus livros desde sempre, que continue lendo os originais, que leia as adaptações, que leia spin-offs… Você ESPERA isso de Holmes. Estranho mesmo seria fazer dele um investigador qualquer.

(E, nesse caso, já temos a obra de Guy Ritchie, que se encarregou de deixar a obra de Doyle o mais rasa possível. Ainda assim, pensado como cinema para pipoca, é uma boa adaptacão.)

No caso da série da BBC, a personagem que desperta a atenção, que mexe com a imaginação é um Moriarty psicopata, de caras e trejeitos fantásticos, diabólico, afetado. E genial: Como se não bastasse o timing das piadas, as adaptações das histórias e junções de contos em um só episódios, a série consegue utilizar de forma excepcional as poucas aparições do clássico arquirival de Holmes.

Não que isso signifique que Watson sirva apenas de coadjuvante mediano, que o Mycroft  de Mark Gatiss não seja pontualmente obscuro ou algo do genero: só significa que as escolhas de Holmes e Moriarty foram acertadas, que a mão de roteiristas, diretores e atores esteve acertadíssima e não dá para competir com isso.

Como se isso não fosse o suficiente, as intervenções gráficas, os filtros, os cortes e a trilha são de uma qualidade rara nas últimas produções para a televisão.

Pena é ver que, agora que estão em domínio público, as obras de Conan Doyle podem ser estragadas por qualquer um: assim com já fizeram com Life On Mars e Forbrydelsen, chegou a vez das emissoras americanas re-lerem Sherlock Holmes, agora vivendo em NY.

É o preço que se paga por criar um dos mais espetaculares detetives de todos os tempos. A perenidade da personagem expôs Holmes e Watson a esses tipos de desvios.

Que venha então a series 3 de Sherlock.

Texto republicado na TV Magazine em 10 de abril de 2012


Quem quer SOPA?

 

Cardápio do dia?

SOPA.

Até você não aguentar mais. E depois… Mais SOPA.

Ou então você pode fazer alguma coisa e tentar evitar que empurrem isso garganta abaixo pelo mundo afora.

#StopSOPA