Textos

Réquiem for an e-reader

Era uma vez um simpático, compacto, (quase) leve e (meio) prático e-reader devidamente contrabandeado de algum lugado do meio de Las Vegas para essas terras brasileiras – as vezes tão quentes quanto o deserto de caça-níqueis de Nevada.

Como o sistema do pessoal da B&N não aceitava que eu fizesse muita coisa com ele aqui no Brasil – mas pelo menos eu já sabia disso antes, não foi aquela decepção pós-consumo – o nook virou um grande depósito de textos baixados ao redor da internet.

Aquele monte de texto de sete, doze, vinte páginas virava um grande PDF para ser lido longe do computador, em uma tela que não cansava.

Dezenas de ensaios curtos em PDF não precisaram ser impressos em folhas que iam para o lixo.

Alguns poucos livros velhos que alguma boa alma digitalizou e eu nunca encontrei ficaram lá dentro, guardado naqueles poucos gigas de memória.

A performance do aparelhinho deixava a desejar na velocidade, okey, mas aquilo não foi feito prá ser um tablet ou um smartphone então até fazia sentido.

Não, esse aparelho não foi, nem de longe, a melhor compra que eu fiz na vida – esses riscos de ser early adopter sempre existem – mas ainda assim se pagou fácil.

Mas ele chegou ao final de sua existência.

Finito.

Caput.

Adeus, pobre nook. Eu prometo que vou tomar mais cuidado da tela do próximo.

(Ei, Livraria Cultura, cade o Kobo que vocês vão lançar hein?)

Network Awesome

Eu não sei se você já teve a chance de dar uma conferida na Network Awesome mas, se você nunca passou por lá, tá perdendo coisa fina, acredite.

O princípio por trás dessa TV, se é que posso chamar os caras de “só” uma TV, é criar um portal que funcione – adivinhou – como um canal de TV online, sem programação e horários fixos.

Até aí, nada fora do comum, eu sei.

Mas o que esses caras fazem é procurar pela rede toda por documentários esquecidos, shows raros de artistas que você deveria conhecer, séries antigas, filmes clássicos e material vintage que não caberia em dez posts desse blog.

Contando com a curadoria de mais de 100 pessoas ao redor do mundo nessa busca, o que eles entregam pra você, aí no conforto do seu computador ou da sua TV com acesso a rede, é espetacular.

E, se antes de começar a colaborar com os caras eu era fã, agora então… Vai por mim, dá uma conferida.

(Ah, é por isso que esse post está aqui: hoje foi pro ar a minha primeira colaboração com os caras… E a estreia foi logo com um clássico italiano – ao menos honrei a minha ascendência – de Luchino Visconti.)

Holmes, sempre Holmes

O Marcelo Coelho publicou hoje na Folha – ou aqui – um texto bacana sobre o Sherlock na sua versão século XXI que a BBC criou e está chegando por aqui via box de DVD.

Acredite se quiser, até onde eu saiba, essa maravilha da tevê moderna não interessou nenhum canal. Nada. Zero.

Por sorte, a LogOn – que tem parceria faz tempo com a BBC e é mais inteligente (ao menos é o que parece) que todos os canais abertos e pagos – resolveu trazer legalmente, e em embalagem bacana e com todo o resto, a série para o público brasileiro.

Muito bem, meus amigos da tevê. Continuem provando o quanto vocês são dispensáveis.

(Ahh, quanto ao texto do Marcelo, que tem essa beleza de ilustração acima da Lulipenna, vale a leitura. Alguns dos motivos que ele tem para ser fã de Holmes me parecem estranhamente familiares e as observações sobre as diferenças entre a série da BBC, a franquia de Holmes no cinema e a série dos anos 80 vão muito de encontro com o que já havia, de alguma forma, concluído por aqui.)

Psychoville: Terror, humor negro e coisas afins

Por algum motivo, existia lá no fundo da minha mente um certo preconceito com a ideia de terrores gravados para a televisão em terras inglesas.

(Okey, acho que também contribui o fato de que eu não sou lá muito fã de terror, mas nesse caso nem sei se é realmente uma série de terror.)

Menos do que preconceito, talvez, o que acontecia mesmo é que a maioria das produções mais segmentadas – de nicho, talvez? – não chegam até nós e ficamos meio que presos, basicamente, a dramas e comédias daqueles cantos do mundo.

E eu já não me recordo como é que fui parar nessa série, mas o que importa é que eu acabei pondo as mãos em Psychoville.

E foi um daqueles casos de vício instantâneo.

Se você é fã de humor negro, muito fã de humor negro e adora incondicionalmente o bom humor negro, essa série foi feita para você, acredite.

Existe um problema em comentar Psychoville que é não estragar as surpresas da série que, lógico, é recheada delas. Senão nem seria lá um terror muito eficiente, convenhamos.

Imagine maquiagens exageradas, atuações ainda mais exageradas, situações absurdas e atores feios e travestidos. Ou olhe a foto abaixo, que resume tudo isso.

Mas tentando não estragar o prazer de quem quiser assistir a série, lá vai: Psychoville conta a vida de cinco pessoas de diversos cantos da Inglaterra que recebem uma carta misteriosa de um chantagista.

Até aí nenhuma surpresa estragada.

E esses cinco são um ricaço cego psicopata, uma mãe psicopata de uma boneca – sim, é isso mesmo -, um serial killer psicopata que mora com a mãe, um palhaço psicopata com toques de Krusty e um anão.

O que acontece entre eles é que é a surpresa que não deve ser estragada; E, embora não tenha um final memorável, são 7 episódios que merecem sua atenção.

Sim, é o tipo da coisa que você deve assistir ainda que algumas palavras nesse inglês cockney de quinta categoria deles passem não-compreendidas.

E não, Psychoville não é para qualquer público.

A série chegou a segunda temporada, que viu a audiência diminuir sensivelmente, e mais sete episódios foram produzidos, além do infalível especial (que nem foi de Natal, mas de Halloween); essa segunda temporada a gente comenta em uma futura aparição por aqui.

Texto originalmente publicado na TV Magazine, 02 de maio de 2012

O Analfabeto Político

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.

Berthold Brecht