Holmes, sempre Holmes

O Marcelo Coelho publicou hoje na Folha – ou aqui - um texto bacana sobre o Sherlock na sua versão século XXI que a BBC criou e está chegando por aqui via box de DVD.

Acredite se quiser, até onde eu saiba, essa maravilha da tevê moderna não interessou nenhum canal. Nada. Zero.

Por sorte, a LogOn – que tem parceria faz tempo com a BBC e é mais inteligente (ao menos é o que parece) que todos os canais abertos e pagos – resolveu trazer legalmente, e em embalagem bacana e com todo o resto, a série para o público brasileiro.

Muito bem, meus amigos da tevê. Continuem provando o quanto vocês são dispensáveis.

(Ahh, quanto ao texto do Marcelo, que tem essa beleza de ilustração acima da Lulipenna, vale a leitura. Alguns dos motivos que ele tem para ser fã de Holmes me parecem estranhamente familiares e as observações sobre as diferenças entre a série da BBC, a franquia de Holmes no cinema e a série dos anos 80 vão muito de encontro com o que já havia, de alguma forma, concluído por aqui.)

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007 – Permissão para matar (diretores de casting)

O George Lazenby mal chega a convencer como um James qualquer, imagine então como James Bond: não que o Timothy Dalton tenha sido ótimo, mas ainda assim é infinitamente superior ao que o Lazenby fez.

(Não, não daria para competir com as versões entregues por Sean Connery e Roger Moore, eu sei…)

Mas olhando bem para essa foto de 1968 que a Life soltou no Tumblr hoje, o cara não tem toda a culpa.

Primeiro, dá só uma olhada nos cinco candidatos finais para o papel.

Quem quer que tenha sido o responsável pelo casting desse único filme que Lazenby fez – a saber, 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade, de 1969 – não devia entender muito bem quem é o 007.

Nessa imagem vemos, de cima para baixo:

Hans de Vries, com indícios iniciais de corcunda que acabou só fazendo papéis pra TV britânica;

Anthony Rogers, um galã cafona de produções italianas que desapareceu depois de ter feito esse teste para o papel;

John Richardson, que faria muito bem parte do elenco de apoio de uma peça de teatro de estudantes de artes cênicas

Robert Campbell, o grandalhão que não tem lá muita cara de quem sabe atuar melhor que o Stallone;

E o Lazenby.

Depois dessa, Lazenby, a próxima vez que fizer um intensivo 007 e assistir seu filme, vou xingar um pouco menos. Pelo menos você se esforçou.

Uma série dessas fotos, para um “ensaio” – se é que podemos chamá-lo assim – está no site da Life.

Ainda sobre o Members of Morphine…

Só para dar um toque final e encerrar a participação do Members of Morphine & Jeremy Lyons no blog – por enquanto, lógico – tem esse vídeo que o Dana Colley fez da passagem da banda por aqui.

Olha lá pelos 8m05s e prá ver o que é uma banda desconhecida de público pequeno na madrugada de São Paulo.

Podcast: Lado_C #012

Lado_C #012: BR2000 (Ou “The New Millenium Tribute”)

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Disponível também por aqui: iTunes Store ] MixCloud ] [ Download ]

Tracklist e trilha sonora do podcast estão lá nos cometários.

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Members of Morphine & Jeremy Lyons

Imagine que a banda mais espetacular da sua coleção de discos, CD’s e MP3′s foi uma que você descobriu tardiamente.

Imagine também que essa banda não existe mais: um dos integrantes faleceu – e faleceu durante um show, no palco.

Imagine que você ouça os discos dessa banda anos e anos, salivando, pensando em como tiveram sorte aqueles que estavam lá, nos shows deles, naqueles anos maravilhosos em que a banda estava na ativa.

É, não é tão difícil assim imaginar: É assim com os Beatles, com o Who, com o Doors, com o Pink Floyd e com dezenas e dezenas de outras bandas.

E é assim com o Morphine.

Essa jóia dos sons dos anos 90 atuou de forma espetacular por dez anos até a morte de um de seus integrantes e deixou cinco álbuns igualmente espetaculares para nosso eterno prazer.

E obviamente, tendo acabado lá em 1999, era daqueles sonhos de consumo musical prá lá de impossíveis

E continua sendo, já que a banda, o Morphine de facto com Mark Sandman, Dana Coley, Jerome Deupree ou Bill Conway não tocará jamais ao vivo; ainda assim, por uma noite, por pouco mais de uma hora, um desejo musical de anos esteve absurdamente próximo dos ouvidos de centenas de fãs – este extasiado cidadão incluso.

Não, Jeremy Lyons não tem a profundidade, a elasticidade, a fluência vocal de Mark Sandman e, sinceramente, não acho que ninguém a tenha naqueles exatos moldes: Isso deixa, portanto, de ser ponto de comparação e julgamento, o que faz um bem enorme para o que São Paulo viu nessa madrugada.

Posto isso, que o show era o Members of Morphine & Jeremy Lyons, tudo fica para lá de perfeito (novamente, note-se, isso significa apenas que estava perfeito para um fã, que, talvez, passe por todo e qualquer equívoco que a performance tenha apresentado).

O setlist, que foi, no mínimo, exemplar, apresentou de Thursday e Yes até Cure for The Pain e Honey White. E o encore, de apenas uma música, foi Buena.

Prá que mais?

Uma banda simpática – quase em excesso com seu ole, ole, olá – que interagiu pontualmente com a platéia e soube levar o público como quis durante todo o show.

DOIS bateristas tocando com um ânimo que eu não imaginava ver. Mesmo.

Um baixista/vocalista que, se não substitui Sandman, faz um trabalho especial em criar seu próprio espaço nessa história linda dos bons sons soturnos.

E Dana Colley, no sax, fazendo as vibrações do jazz, blues e rock se misturarem e ecoarem espetacularmente pela madrugada paulistana que se acabava, dando um contorno sonoro cinematográfico para aquela transformação dos escuros tons azuis da noite em um céu claro de uma manhã fria.

No fundo, em poucas palavras e de forma direta, foi o motivo de chamarmos apresentações musicais como essa de espetáculo.

Members of Morphine e Jeremy Lyons, nessa madrugada paulistana, não foi nada menos que isso.

Espetáculo.

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Noel Gallagher’s HFB @ Espaço das Américas

Em uma noite que todo mundo – e por todo mundo eu digo as pessoas que tem gosto musical minimamente decente – tinha opções pela cidade, entre um Duran Duran, um Noel Gallagher e um tUnE-yArDs, não parecia tão difícil assim escolher.

(E não foi, visto que não faço a puta ideia do que seja esse tUnE-yArDs além daquele vídeo idiota da sala de aula e Duran Duran não chama minha atenção a menos que fizessem um pocket show de dez hits, no máximo, que terminasse com essa pérola 007. E o ingresso do Noel ter sido de graça ajudou bastante…)

Tudo bem, eu não sou fã de Oasis, nem nunca fui. Talvez por isso, a voz do cidadão prá lá de entretido que exclamava “caralho” a cada doze segundos como se estivesse vendo a  ressureição dos beatles mortos me irritou um pouco.

Eu não entendo, nem compartilho, essa adoração. Mas tudo bem, depois de uma ida ao bar isso se resolveu com a mudança do lugar.

Aí o problema foi a cerveja vendida no Espaço das Américas. Mas dane-se. Se só a Budweiser quis comprar o patrocínio dessa série de shows do Live Musc Rocks, que assim seja.

Passados os gritos de baixo calão e a cerveja ruim iniciais, o cara entregou até mais do que eu esperava – ainda que eu não esperasse lá muita coisa.

Por sorte, as músicas dessa banda nova do cara, tocadas ao vivo, ficam boas; Saudações especiais ao baterista por isso.

Por sorte, também sairam uns sucessos do Oasis.

Por sorte ainda maior, o show não era de fato do Oasis, porque deve ser um cacete aguentar fã de Oasis assistindo os próprios incorporando aquele espírito La Bombonera na hora de cantar.

Entre prós e contras, nota 7,75, passa de ano e tá de bom tamanho para uma quarta-feira de frio e garoa.

(Não, isso não foi um review do show, grato por notar.)