Tantos dias depois, essa imagem no site da Woxy ainda me deixa incrivelmente triste.
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Requiem for a radio
(Já se vão alguns dias desde o fim da Woxy, mas não dava para escrever nada no dia seguinte e alguns dias de reflexão, alguns textos alheios e afins parecem indicar que é a hora de dar meus dois cents sobre o assunto.)
Eu já escrevi sobre a minha descoberta da Woxy e o que isso significou na minha vida, mas as coisas mudaram e se atualizaram um pouco desde o ressurgimento da rádio. A troca de donos, a mudança para Austin e o seu triste fim.
Não é a primeira nem a segunda vez que a Woxy deixa uma nação de fãs orfãos. Mas dessa vez parece ser definitivo.
Não é a primeira rádio decente a sumir do mapa. O estranho dessa vez é que o sucesso pode ter colaborado para o fim das transmissões.
Ao longo dessa semana, desde seu fim, dezenas de pessoas escreveram textos fantásticos sobre o que aWoxy representou, ao longo de mais de duas décadas, para suas vidas e para o rock independente nos EUA e no mundo.
Na minha vida, a Woxy teve um impacto que não consigo, realmente, imaginar.
Foram suas playlists que modificaram meu gosto musical.
Foram os lounge acts da Woxy que me apresentaram dezenas das bandas que eu adoro hoje.
Foram seus DJs que me explicaram a cena indie nos Estados Unidos.
Foi a Woxy que me fez companhia em trabalhos que me davam desejos suicídas.
Quer saber? Foi em boa parte por culpa dessa mudança de gosto musical que eu encontrei a mulher da minha vida.
Dá para ser mais importante que isso?
E por mais que isso não faça sentido para quem não tem essa paixão pelo rock independente, acredite: A música muda radicalmente as vidas das pessoas.
Não consigo imaginar quantas pessoas ao redor do planeta também passaram por esse momento desagradável de descobrir que sua rádio do coração não iria mais tocar uma única música, mas tenho certeza de que a sensação de vazio delas é muito parecida com a minha.
Mike, Shiv, Barbs, Joe, Brian, Brian J., Paige, obrigado por tudo.
97X. Woxy.
Durante muito tempo, trabalhar era muito desagradável. A rádio do escritório sintonizava emissoras horríveis trasmitindo músicas horríveis. Mas nessa época, isso era o que eu ouvia e, honestamente, era disso que eu gostava.
Então, em uma manhã igual a todas as outras, um download da Apple aparece quieto na tela do meu pequeno iMac azul. Um outro cidadão, que também ouvia as mesmas coisas que eu já que dividiamos a sala, mandou pela intranet um tal de iTunes. Era grátis não? Então instalei.
Entre tantas rádios, apareceu essa que, só deus sabe como, despertou minha curiosidade. Entre tantas e tantas (e tantas e tantas e tantas…) opções, comecei a ouvir a WOXY. O resto é história. Claro, não é História com ‘H’ maiúsculo, mas faz parte da minha história.
Durante muito tempo, chegar no escrtório e ligar o computador (computador não, o Mac) e abrir o iTunes era um dos pontos altos do meu dia. Ainda sem banda larga em casa, eram as horas de trabalho que me apresentavam bandas como Death Cab For Cutie, Ladytron, Interpol, Goldfrapp.
O tempo passa e… com ele a realidade, cruelmente inimiga das coisas boas da vida, assola. A WOXY passou a cobrar para ser ouvida em streaming de 64k. Quem não pagava, ouvia em 24k, pior que rádio AM do interior na estrada em dia de chuva e trovoada. Mas nem isso foi capaz de gerar a receita que eles precisavam e, depois de muito tempo tentando se auto-financiar, a rádio fechou as portas (ou como eles preferem, delisgou os servidores) em 15 de setembro de 2006.
Ouvir a última trasmissão (clique aqui para baixar o arquivo .torrent do último dia) foi triste. As músicas escolhidas foram ótimas mas a sensação era de perder um amigo, o melhor amigo. Procurar outras rádios na internet foi a solução para os orfãos. Nada tinha a mesma cara da WOXY, a quantidade de novidades e, principalmente, DJs. A WOXY tinha DJs para quem podiamos mandar emails e sermos lidos, discutir música, apresentar novas bandas para eles tocarem, não apenas música tocando automaticamente como a maioria das rádios (RadioIo, por exemplo.)
Porém, milagre dos milagres, um homem rico muito rico, de intenções boas muito boas, com um coração grande muito grande, e, claro, compreensão de mercado, resolveu bancar a volta da WOXY. Bill Nguyen, investidor do Vale do Silício, que ficou rico devido a um prêmio da loteria, resolveu botar seu rico dinheirinho nessa pequena empresa adorada por dezenas e dezenas de milhares de fãs da música em todo o planeta, muitos deles no Brasil.
Dono do site de troca de CDs La-La (que se deus realmente for brasileiro um dia chega por aqui), ele entendeu a convergência (clichê dos clichês…) de rádio, CDs e internet. E para quem pensa que o serviço dele é mais um site ilegal de troca de arquivos e que eu digitei errado, entenda bem: La-La é um site de troca de CDs, um serviço inacreditável. Impensável, mas que deu certo.
E o resto, agora sim, é História com ‘H’ maiúsculo. Os fãs agradecem. A música agradece. Nunca sabemos até quando isso vai durar, mais um mês ou mais uma década, mas serão um mês ou uma década muito melhores com essa trilha sonora.
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ps. Acesse a WOXY, ouça a WOXY, divulgue a WOXY, faça amor com a WOXY, beije a WOXY na boca, apresente a WOXY para seus pais. Nós agradecemos.

