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A Place To Bury Strangers @ Beco203

Lá em 2007, a WOXY – sempre eles – tocou uma faixa que o iTunes identificava apenas como APTBS – TBD.

O apresentador do horário demorou um cacete de tempo prá entrar no ar e anunciar quem era a banda e eu fiquei lá, realmente prestando atenção prá não perder o nome dos caras: o som era muito, muito, muito bom e a WOXY tocava tanta música nova que você nunca mais ouvia que eu fiquei, mesmo, achando que ia perder eles de vista.

Depois de algumas outras faixas desinteressantes, eu descobri que aquele barulho todo em forma de guitarra, baixo, bateria e distorções era A Place To Bury Strangers. (Mas só fui descobrir que TBD são faixas sem nome um tempo depois…)

Não era tão fácil achar material sobre eles, menos ainda músicas dos caras. Ainda assim, o primeiro álbum veio parar no computador, passei prá uns que gostaram mas eu… bom, eu fiquei embasbacado. Mesmo.

Desde então o primeiro disco desses nova-iorquinos tem presença garantida no iPod, não importando qual a seleção; sempre tem um canto para essa barulheira lá, tanto quanto sempre tem um espaço que o Pulp, o Stone Roses e o J&MC não largam.

É, algumas bandas são importantes demais prá você querer ouvir e não estar com a música por perto… E dá prá perceber a importância que o APTBS tem nas minhas preferências musicais só comparando ele a esses três.

De 2007 até ontem eu xinguei, pedi, solicitei, fiz o que era possível prá um dia ter os caras tocando ao vivo.

E ontem  isso aconteceu. (Hoje, na verdade, que o show começou tarde prá diabo.)

E na primeira música, o que o Washington Post falou lá atrás provou ser a mais curta e pura verdade:

The most awesome, ear-shatteringly loud garage/shoegaze band you’ll ever hear.

Nunca tinha sentido a roupa, o chão, a garrafa, as paredes e as pessoas tremerem tanto.

Nunca saí com tanto zumbido – e tão persistente – no ouvido de um show.

De uma forma distinta-mas-igual ao que aconteceu com o show do Television, você via que eles tocam prá você, prá plateia sim, mas tocam e distorcem muito para eles mesmos.

E essa execução autofágica (isso é neologismo ou…) da música faz todo o sentido em uma banda com essa pegada; não seria nada ruim ouvir as faixas serem tocadas exatamente como estão nos discos mas o esforço reinterpretativo na hora, no palco deixa tudo ainda mais sonoramente apaixonante.

Por sorte, a maior parte do que aconteceu no minúsculo palco do Beco 203 veio dos dois espetacularmente altos primeiros álbuns da banda – o self titled de sempre e o Exploding Head.

Não quer dizer que o último – Worship – seja ruim, mas ele ainda precisa maturar prá chegar lado a lado dos outros dois.

Sim, como alguns gritaram por lá, faltou To Fix The Gash In Your Head, puta hit assombroso da banda; ainda assim It Is Nothing, Dead Beat, Keep Slipping Away, In Your Heart estiveram por lá.

(E só como observação de fã babão chato, acho My Weakness ainda mais bacana e mais “puta hit” do que To Fix The…)

E uma I Lived My Life To Stand The Shadow Of Your Heart, prá ir embora feliz.

O resquício, hoje, está sendo complicado; ainda assim, depois de cinco anos em que não via a menor chance de eles, de fato, tocarem por aqui, foi uma noite especial.

Ter uma banda que é boa – não uma que já foi boa, quando ainda está criando, e não vivendo de um “best of” caça-níquel – tocando na sua cara, alto, muito alto, com tesão de quem não se garantiu nas capas de NME e afins, virou top cinco fácil das minhas melhores experiências musicais.

(Provavelmente esse texto sairia muito mais decente se o show não começasse de madrugada, numa quarta-feira, com banda de abertura, e eu não passasse um dia de zumbi. Não importa o quanto critiquemos o Beco 203, nunca vai ser o suficiente; eles sempre pisam na bola em alguma coisa; e não, absolutamente nada contra a banda de abertura, é um barulho bacana o desses Single Parents.)

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I lived my life

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Nesses dias em que o Planeta Terra anuncia Mika e Smashing Pumpkins, o SWU contrata Linkin Park, Mutantes e Dave Matthews Band e o Natura acha moderno Bajofondo, Jamiroquai, Cidadão Instigado e Céu, fica a pergunta: Ninguém mexe a bunda para trazer bandas como essa porque?

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Coisas que eu desejo, Parte 1

“Their set at SXSW is the only time I’ve EVER had to wear ear plugs.
And I go to shows a lot.”

Orange Ringo, sobre A Place To Bury Strangers

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