Holmes, sempre Holmes

O Marcelo Coelho publicou hoje na Folha – ou aqui - um texto bacana sobre o Sherlock na sua versão século XXI que a BBC criou e está chegando por aqui via box de DVD.

Acredite se quiser, até onde eu saiba, essa maravilha da tevê moderna não interessou nenhum canal. Nada. Zero.

Por sorte, a LogOn – que tem parceria faz tempo com a BBC e é mais inteligente (ao menos é o que parece) que todos os canais abertos e pagos – resolveu trazer legalmente, e em embalagem bacana e com todo o resto, a série para o público brasileiro.

Muito bem, meus amigos da tevê. Continuem provando o quanto vocês são dispensáveis.

(Ahh, quanto ao texto do Marcelo, que tem essa beleza de ilustração acima da Lulipenna, vale a leitura. Alguns dos motivos que ele tem para ser fã de Holmes me parecem estranhamente familiares e as observações sobre as diferenças entre a série da BBC, a franquia de Holmes no cinema e a série dos anos 80 vão muito de encontro com o que já havia, de alguma forma, concluído por aqui.)

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Sherlock

Sempre foi um atestado de qualidade – meu atestado de qualidade pessoal, entregue de acordo com os meus princípios indiscutíveis – sentir um misto de raiva/desprezo/repulsa por uma personagem qualquer em um filme ou seriado.

É o tipo de coisa que não acontece com frequência e, quando acontece, por algum motivo, me deixa com um pouco de vergonha.

Sim, vergonha, porque eu sempre achei – continuo achando – extremamente idiota ver como se discute a vida das personagens de séries e novelas como se fossem realidade.

Mas algumas vezes o trabalho de um ator é tão espetacular, o casamento personagem + artista dá tão certo que, admito, me dão raiva.

Sim, eu me peguei com raiva do Nathan que Robert Sheehan interpretava em Misfits.

(Em minha defesa, pelo menos não comentava com ninguém as atitudes de Nathan. Talvez por falta de platéia que assista a série, mas ainda assim…)

Em Sherlock isso acontece novamente. E, estranhamente, não é com o próprio.

Não que Holmes não tenha todos os pontos para ser uma personagem odiada mas, para qualquer pessoa que tenha lido seus livros desde sempre, que continue lendo os originais, que leia as adaptações, que leia spin-offs… Você ESPERA isso de Holmes. Estranho mesmo seria fazer dele um investigador qualquer.

(E, nesse caso, já temos a obra de Guy Ritchie, que se encarregou de deixar a obra de Doyle o mais rasa possível. Ainda assim, pensado como cinema para pipoca, é uma boa adaptacão.)

No caso da série da BBC, a personagem que desperta a atenção, que mexe com a imaginação é um Moriarty psicopata, de caras e trejeitos fantásticos, diabólico, afetado. E genial: Como se não bastasse o timing das piadas, as adaptações das histórias e junções de contos em um só episódios, a série consegue utilizar de forma excepcional as poucas aparições do clássico arquirival de Holmes.

Não que isso signifique que Watson sirva apenas de coadjuvante mediano, que o Mycroft  de Mark Gatiss não seja pontualmente obscuro ou algo do genero: só significa que as escolhas de Holmes e Moriarty foram acertadas, que a mão de roteiristas, diretores e atores esteve acertadíssima e não dá para competir com isso.

Como se isso não fosse o suficiente, as intervenções gráficas, os filtros, os cortes e a trilha são de uma qualidade rara nas últimas produções para a televisão.

Pena é ver que, agora que estão em domínio público, as obras de Conan Doyle podem ser estragadas por qualquer um: assim com já fizeram com Life On Mars e Forbrydelsen, chegou a vez das emissoras americanas re-lerem Sherlock Holmes, agora vivendo em NY.

É o preço que se paga por criar um dos mais espetaculares detetives de todos os tempos. A perenidade da personagem expôs Holmes e Watson a esses tipos de desvios.

Que venha então a series 3 de Sherlock.

Texto republicado na TV Magazine em 10 de abril de 2012


Cor sim, cor não

“Um estudo conduzido por pesquisadores britânicos sugere que, ao contrário do que se pensava, roupas estampadas com listras horizontais tornam a pessoa mais magra.

Na contramão das dicas aconselhadas por especialistas em moda, uma equipe de psicólogos da Universidade de York afirma que as listras verticais são as verdadeiras vilãs na hora de tentar esconder as gordurinhas.”

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Nessas horas, aquela sensação inexplicável que a gente tem sobre as pessoas se justifica.
Explico: Um professor de design de embalagens que passou pelas salas de aula que eu frequentei garantiu, certa vez, que essa idéia de que listras horizontais engordam e as verticais emagrecem estava errada. E justificou na sala. E todo mundo entendeu. E, claro que não foi por causa disso, eu sabia que esse cidadão, um italiano de sotaque alemão criado nos Estados Unidos com passagens por Israel, era muito bom no que fazia.
Ainda assim nunca consegui fazer as pessoas acreditarem nessa história das listras.

Bom, agora é científico.

Who do you… trust?

Esse é o melhor programa do planeta? Provavelmente não. Mas, apesar da voz do Steve Lamacq, é o único candidato a “Programa Que Vai Salvar O Mundo”.

A BBC é a empresa mais bacana da mídia? Provavelmente não, mas quem se importa Para quem vive no Brasil e convive com rádios horrorosas e televisões piores, imaginar uma rádio como a Radio 1 (que toca Kaiser Chiefs, Guillemots, Zutons, Funkadelic e The Fall e ainda deixa o arquivo do programa para ser ouvido quando quiser, no mundo inteiro) e canais como as BBCs (que exibem documentários absurdos, Family Guy, Later… With Jools Holland, The Office) não deixa de ser um sonho com o Eldorado.

Eu trust para caramba na BBC.