PD: Japonês é tudo louco

28 de junho de 2012 às 15:00

Battle Royale não foi o primeiro dos filmes dessa série cinematográfica pretensamente distópica que eu acabei assistindo desde que esse “especial temático” tomou conta do Boxee lá de casa; o filme também não é novo – foi lançado em 2000 – mas acho justo que esses posts comecem por ele.

Um dos motivos é que o tal do Hunger Games – esse sim, um filme recente e hollywoodiano – vem sendo comparado em dezenas de textos com a obra do japonês Kinji Fukasaku.

Eu não assisti o filme americano mas, pelo que aparece pela rede, ele é totalmente baseado e roubado de Battle Royale e não tem absolutamente nada a ver com o filme japonês.

Tudo, claro, vai depender de quem escreveu o texto e do quanto essa pessoa gosta do filme americano ou do japonês….

Comparações à parte, a história é razoavelmente bizarra mas, prova de que o mundo anda piorando um bocado, devia chocar muito mais na época do lançamento do mangá em que se baseia o filme.

Talvez nessa virada 99/00, um grupo de crianças em um futuro não muito distante que fossem colocadas em uma ilha para se matarem até sobrar apenas um – culpa da situação econômica – fosse um choque; hoje, não sei não…

(E, de fato, causou um impacto, tanto que existiu uma censura forte ao filme no Japão e sua distribuição internacional foi bastante boicotada; o “culto” a obra só surgiu um bom tempo depois… Louvem os torrents e a aparição de um poster do filme em uma cena da comédia gore Shaun of the dead.)

Talvez para não chocar tanto, as cenas que tem um potencial de violência gráfica maior descambam para o quase cômico; intencional ou não, o recurso suaviza um pouco o que você está assistindo.

Dito isso, e que a história não vai muito além do que você espera, e que as dezenas de atores adolescentes vão morrendo aos montes, o filme serve – serviu, ao menos, para mim – como uma confirmação dessa máxima do título.

Japonês é tudo louco.

Seja na pornografia, seja nos mangás, seja nas máquinas de comidas bizarras ou em seus cosplays, esses caras nunca deixam de surpreender.

E acredite, esse “tudo louco” não é nada negativo; é bem interessante ver como uma cultura que se desenvolveu razoavelmente distanciada de padrões estéticos-comportamentais do ocidente continua mantendo traços que a caracterizam tão bem.

Se permite um conselho, assista.

Não espere muito, mas assista.

365

31 de julho de 2010 às 12:00

Especial sobre esses 365 longos dias em que a justiça brasileira provou que não serve para absolutamente nada (a menos que você seja um político influente ou algo do gênero) disponível aqui.

Facistóide

29 de dezembro de 2009 às 16:25

“Estudos Avançados” pressupõe, como expressão ou como nome de publicação periódica de uma universidade, a marcha do conhecimento e da prática para a frente, sempre. O recente número 67 da publicação de tal nome desmente o pressuposto, apesar dos dossiês “Crise do Congresso” e “Claude Lévi-Strauss”, que proporcionam várias leituras excelentes.

Quando se acentuou a indignação com a censura judicial ao “Estadão”, e o próprio requerente da medida, Fernando Sarney, suplantou a Justiça e providenciou a extinção do policialismo, a censura é elevada a método de edição em “Estudos Avançados” (sic). Foram censuradas partes de dois trabalhos e censurado integralmente um outro, este do presidente do PPS, Roberto Freire.

Os pormenores aumentam o pasmo com a censura cultural e política em um periódico editado por universidade, e logo a USP. O patrono e executante da censura é não só professor universitário mas também membro da Academia Brasileira de Letras: o imortal, agora com mais certeza disso, Alfredo Bosi. Tão convicto de sua medida, que não suportou mais, como editor, a presença do editor executivo já de muitos anos, Marco Antônio Coelho, demitido por ponderar contra os cortes.

“Estudos Avançados” pelo método retrógrado, eis uma persistência a mais.

Janio de Freitas – 29/12/2009 (via MP)

Pois é, censura-se de tudo. Censura para jornais no Brasil, censura para revistas acadêmicas da USP, censura para tudo e todos na Venezuela, censura igualmente ampla no Irã.

Censuram pelo simples fato de discordar, censuram para marcar posição, para dar recado, para não deixar passar batido.

Censuram porque podem e são amigos das pessoas “certas”, censuram porque na maioria das vezes as pessoas pouco se importam.

E quem acha que 2010 vai ser diferente?

“Estado” é apreendido

13 de agosto de 2009 às 17:22

Em reunião mantida ontem com diretores de jornais, rádios e televisões, o general Manoel Carvalho de Rodrigues Lisboa, comandante do segundo exército, referiu-se ao que qualificou de incidente com o jornal “O Estado de S. Paulo”, cuja edição – e a do “Jornal da Tarde” – foram parcialmente apreendidas na madrugada e na tarde de ontem, por agentes da Polícia Federal.

O Estado de S. Paulo
Sábado, 14 de dezembro de 1968

Aconteceu em 1968, mas não soaria estranho acontecer hoje em dia. Se os amigos do Lula, do Sarney, do Collor, do Renan e afins conseguem censurar um jornal como o nosso, – sim, falo isso com a propriedade de quem trabalha lá e tem um puta orgulho da instituição que paga meu salário e do que ela já fez e faz pela democracia – logo logo param as rotativas, param as transmissões de rádio e TV.

A Plebe Rude, lá nos anos oitenta, já disse com propriedade:
Oposição reprimida, radicais calados, (…) Tudo para manter a boa imagem do estado.

The Sarneys

5 de agosto de 2009 às 10:43

O grande erro de cálculo da decisão da família Sarney de proibir, por via judicial, o jornal “O Estado de S. Paulo”, seu portal e todas as empresas do grupo de publicarem informações sobre processos que correm em segredo de justiça contra Fernando Sarney, o filho responsável pelos negócios da família, foi o de imaginar que pudesse usar dos mesmos artifícios que tem à sua disposição no Maranhão e no Amapá para calar a mídia. Felizmente a família não estendeu os seus tentáculos para fora dos dois Estados – Maranhão, o berço político da família; o Amapá, o Estado escolhido pelo atual presidente do Senado, José Sarney, há quase 16 anos, para se candidatar sem riscos de derrota logo que saiu da Presidência da República.

FAMÍLIA SARNEY ERROU DE CÁLCULO AO ACIONAR JORNAL
Editorial de 05/08/2009, Valor Econômico