Política & Copa

É impressão minha ou esse anúncio da Kia tem um componente extra campo bastante acentuado?

Sei não, mas essa coisa da guerra-que-não-é-guerra entre Coréia do Norte – a primeira seleção que o Brasil enfrenta – e Coréia do Sul – sede da fabricante de automóveis mencionada – deve estar sendo aproveitada como uma sacada publicitária daquelas que a direção do anunciante olha, ri de feliciade e aprova na hora.

Sorte da agência, da criação e de todo mundo envolvido. E, se a Coréia do Norte não proibisse internet e afins (entenda por afins toda e qualquer liberdade democrática), isso daria um enorme rolo por lá.

A taça do mundo é nossa. (Então enfia no rabo)

Amanhã, dia 10 de junho, começa a Copa.

Com direito a show internacional, música cafona, apresentações coreografadas, fogos de artifício e afins, certo?

Certo.

A única chance de eu me importar menos com isso seria se as partidas acontecessem, por exemplo, na Lua. Como não é o que vai acontecer – e caso não tenha ficado suficientemente claro no título do post – eu não estou nem aí para a Copa.

Na verdade, isso… Bom, isso não é verdade. A começar pelo fato de estar escrevendo sobre o assunto, fica claro que eu estou, sim, “aí” para o assunto.

Me corrigindo então, eu estou “aí” para a Copa desde que eu e ela não compartilhemos absolutamente nada além do fato de ela ocorrer no mesmo planeta em que eu vivo.

Mais do que isso, eu estou “aí” para ela a ponto de fugir de tudo que se associe, represente, lembre ou remeta – ainda que remotamente – aos jogos entre as seleções.

Claro que não vai ser fácil. Não tem sido fácil nos últimos meses, ficou excessivamente difícil nos últimos dias e está beirando o impossível nas últimas horas.

Então, buscando evitar o desgaste na minha relação com as pessoas – algumas, muitas, que gostam de futebol, de Copa e de discutir o assunto à beira da exaustão – cheguei a um conjunto simples de regras que, desde que cumpridas, garantirão a convivência harmoniosa com você que, por um desses acasos da vida, lida direta ou indiretamente comigo.

Tudo se baseia em uma simples contagem de pontos, embora eu saiba que a Copa do Mundo acontece respeitando o esquema de eliminatórias simples: Para cada infração, uma quantia de pontos é subtraída dos créditos iniciais. Zerou os créditos? Não fique chateado(a), mas provavelmente eu e você não iremos mais nos falar até – aproximadamente – umas duas semanas depois do último jogo.

Para deixar tudo mais simples, todo mundo tem dez pontos, independente do nível de apreço, carinho ou amizade com que a nossa relação tenha sido estabelecida; à partir desses 10 pontos, subtraia:

Menos 5 pontos: Se você trocou no seu Twitter, Facebook ou LinkedIn, a foto do seu perfil por uma imagem em que aparece com a camiseta da seleção ou enrolado na bandeira do Brasil.

Menos 4 pontos: Se você usar a palavra vuvuzela. Vuvuzela é a sua mãe. Aquela porra é uma corneta, sempre foi uma corneta desde quando você era criança e nunca vai deixar de ser uma corneta. Vale em dobro – menos 8 pontos – se fizer a hilária e espirituosa brincadeira de chamar um apito qualquer de vuvuzelinha.

Menos 3 pontos: Se você trocar, nessa época, seu toque de celular por alguma coisa que se assemelhe, ainda que remotamente, a narrações de futebol. Vale em dobro – menos 6 pontos – se o toque do seu celular for um grito de Gol.

Menos 2 pontos: Se você adicionou qualquer tipo de icone, badge, banner ou similares a suas fotos de perfil em qualquer uma das redes acima mencionadas, que remeta à Copa ou ao quanto você incentiva, torce ou suporta a seleção.

Menos 2 pontos: Se você usar as palavras soweto, Mandela ou aquela outra merda que rima com banana – sei lá o que é – e que eles usam como “apelido” da seleção local.

Menos 2 ponto: Se você – em qualquer momento e sob qualquer pretexto, ainda que para criticar – fizer qualquer menção à propaganda da Hyundai e o “jeito Hyundai” de torcer.

Menos 1 ponto: Para todo e qualquer comentário sobre Galvão Bueno. Não ter TV por assinatura NÃO é desculpa para ver os jogos na Globo. A Bandeirantes, ainda que sem a presença de Silvio Luiz, está aí para isso.

Menos 1 ponto: Se você aparecer diariamente com um exemplar do Lance! ou do Jornal Placar e fizer questão de mostrar qualquer uma de suas páginas para as pessoas. Vale em dobro – menos 2 pontos - se a pessoa em questão for eu.

Menos 1 ponto: Se você decorar sua mesa ou carro com material alusivos a Copa. Vale em dobro – menos 2 pontos – se o material tiver os logos dos patrocinadores oficiais. Vale quatro vezes mais – menos 4 pontos – se o material tiver a foto do Pelé, de qualquer um dos Ronaldinhos ou do Kaká.

Espero que, expostas assim, claramente, as regras evitem um mal entendido qualquer que possa desgastar a relação que eu tenho com você, amante de futebol.

Não é nada pessoal. Mesmo. Mas eu vou levar essas regras ao pé da letra.