Page One: Inside The New York Times
Ainda que você não trabalhe em um jornal – ou trabalhe em um, mas fora da redação, com é o meu caso – são enormes as chances de que você tenha, pelo menos, um respeito, uma admiração ao peso que tem o New York Times. (Ou a idéia romanceada do NYT, ainda não sei o que pesa mais…)
Por algum motivo, essa empresa deixou de ser um ícone apenas para seu segmento e se tornou uma marca global em inúmeras frente. A escolha das fontes, a diagramação das páginas, tudo leva você a lembrar instantaneamente do NYT.
E isso é prá lá de merecido; só é assim hoje porque editores, donos, jornalistas e entregadores passaram décadas e décadas construindo um dos mais respeitados nomes do jornalismo internacional. E, se hoje tem um HuffPo por aí dando trabalho aos donos das velhas rotativas, pense bem se você conseguiria falar de um blog – por melhor que seja – da mesma forma que solta o New York Times em uma frase, seja na Suécia, na Venezuela ou no Uzbequistão.
Page One: Inside The New York Times não é um documentário sobre como se faz jornal nos anos 00 ou como se fazia jornal nos anos 1940 ou a história de um único veículo ao longo dos anos. Page One é a história de como se faz o New York Times em 2011. Ponto.
Os criadores do documentário ainda se permitem voltar no tempo, passear rapidamente sobre as glórias do Times e de outros jornais, os que continuam e os que já desistiram, mas essencialmente retratam o que é, hoje, fazer este jornal diário.
E a escolha de acompanhar alguém como David Carr, que escreve no próprio jornal sobre o próprio meio, parece ter sido o melhor dos cenários possíveis. Com altos e baixos, sem muito medo de falar o que está pensando, a história de um jornalista de mídias com passado de pai solteiro e viciado combina muito com o momento que o jornalismo impresso e a mídia toda, de microblogs a editoras, atravessa.
Não responde nenhuma pergunta, não quer prever o futuro e, por isso mesmo, vale cada segundo.










