Eu mesmo respondo: Com The Virginia EP. GET YOURS!
A Skin, A Night
Eu mesmo respondo: Com The Virginia EP. GET YOURS!
Seria irritante se fosse sobre uma banda que não tivesse feito a menor diferença no mundo, mas como é sobre o Joy Division, fica somente redundante.
Não que eu realmente ache que a história da banda e de Ian Curtis seja tediosa, mas quantos longas podem ser lançados em um curto espaço de tempo sobre o mesmo assunto? Anton Corbijn criou Control e Grant Gee filmou Joy Division.
Até ai, tudo bem. Dois filmes até tem sua razão (teria mais ainda se esperassem a morte de Ian Curtis completar 30 anos, mas ai seria aproveitamento barato e, não duvide, em 2010 devem sair mais uns dois), já que as visões podem ser distintas; mas eis que aparece, via Guardian, a notícia de que Jon Savage está fazendo o seu filme sobre Ian Curtis e afins.
Considerando que são três filmes em dois anos, nem precisamos acrescentar o “amigado” 24 Hour Party People (2002) nessa lista de filmagens redundantes.
E aí, quatro filmes são o suficiente?
(Não sou a pessoa mais isenta para falar de igreja católica, comportamento eclesiástico e afins; logo, leia o que segue abaixo com cautela.)
A história de Oliver O’Grady é simples: desde os anos 70 ele apresenta uma tendência a divertir-se de um jeito peculiar – independente de ser um padre, um mecânico ou um prefeito – com crianças das paróquias nas quais atuava.
E, mesmo o filme sendo minimamente apelativo e direcionador, isso não tira algumas de suas qualidades, muito menos quando você (e por você entenda eu) já apresenta uma tendência pronunciada de desconfiança do comportamento da instituição faz tempo…
Mas o ponto mais interessante nos 101 minutos do filme é que a diretora/produtora Amy Berg consegue mostrar que, desde sempre, a igreja tem conhecimento quase pleno de tudo que ocorre com seus membros mas não age de acordo com o que se espera dela por julgar (e isso são palavras de membros americanos da igreja católica) que, na hierarquia divina definida por algum dogma apresentado por um espectro todo-poderoso, os padres são mais importantes que seus fiéis, os bispos são mais importantes que os padres, o papa é mais importante que todo mundo. Não, não é exagero (ok, talvez seja).
Também não faz diferença para eles se o padre abusou de uma crianca de seis anos ou foi para a cama com uma beata de 60; de uma forma ou de outra, ele quebrou o voto de celibato e só, ambos os comportamentos apresentam a mesma gravidade na escala de deslizes que a igreja consegue compreender.
Amy pode não ter criado a peça mais isenta de denúncia da pedofília católica, mas sua experiência cobrindo o assunto por anos para a CBS e a CNN fez com que ela, ao menos, entendesse a gravidade da denúncia que estava apresentando. Prova disso é que a MPAA, ao criar a classificação para o trailer do filme nos EUA, pretendia fazer uso de uma rara tela vermelha (ao invés da tradicional tela verde), tornando sua exibição praticamente impossível em grandes redes.
(Entenda que as classificações dos trailers não acompanham, necessariamente, a classificação do filme, o que permite criar um trailer não-ofensivo para ser exibido sem preocupações em qualquer sala, sem afetar a edição do produto final.)
Não por coincidência, como conta a própria diretora ao Huffington Post, dois membros da igreja participaram dessa decisão (e isso pode ser entendido melhor se você assitir This Film Is Not Yet Rated).