Das várias formas de conseguir o que se quer

25 de outubro de 2012 às 9:18

A explicação é a mesma: quem baixa conteúdo é, antes de tudo, um entusiasta e um consumidor de entretenimento. “Nosso estudo indica que essas pessoas tendem a fazer um uso intensivo de todos os canais disponíveis, sejam eles legais ou ilegais”, disse ao site TorrentFreak o responsável pelo estudo holandês, Joost Poort. Para esses consumidores, não há uma barreira entre o legal e o ilegal. As pessoas optam pelos caminhos conforme as suas necessidades.

Um aviso para a indústria: não processe. Seduza os clientes
Tatiana de Mello Dias, no Link

Mas não.

Você vai lá nos YouTubes, Hulus, NetFlixes e afins e dá de cara com isso:

Ou isso:

 O que é que vocês querem hein?

Tá, isso é meio retórico, vocês querem ganhar dinheiro com o produto de vocês, obviamente.

(Nada errado com isso não, claro, também quero ser pago pelo meu trabalho.)

Mas se é isso que vocês querem, amigos da NBC, FOX, CBS, BBC e afins, o projeto de vocês devia ser levar o conteúdo ao máximo de pessoas possível, não bloquear o máximo de pessoas possível.

Faz sentido, não?

Mas…

Eu sei, existem milhões de “poréns”, “contudos”, “senões”, parágrafos e incisos que podem ser citados.

Mas isso se aplica, digamos, a BBC passando um filme americano no seu site e não sendo disponível no Brasil, certo?

Ou um show que a FOX comprou prá exibir em seu site para os americanos.

Tudo bem.

Mas e esse monte de produções originais dos canais?

É isso, em grande parte, que estamos interessados.

CSI, Fringe, Sherlock, No Reservations, Dexter, essas coisas sabe?

E a gente tem pouca paciência, vocês já notaram não? Um canal comprar a série e demorar seis meses para estrear por aqui… Hmmm, será?

Tem que legendar, eu sei mas – eu sei e vocês sabem – em 24 horas ou menos todos os episódios estão legendados em umas trinta línguas distintas pela rede.

Esse povo desesperado pra ver o episódio no dia seguinte não podia comprar lá naquele iTunes, legalizado, ao invés de piratear?

Não dá tempo de legendar? Ok, manda lá sem legenda.

Eu sei que tem gente que não se importa. E quem se importa que, aí sim, espere o dublado ou legendado na TV a cabo.

Mas não custa facilitar a vida sabe?

E vocês ainda podem até ganhar uma grana.

Sério, a gente não é inimigo não. Quero mais é que vocês encham os tudos de dinheiro, façam mais e mais séries fodonas.

Mas, aê, ajuda a gente também, né?

- -
p.s. Uma pequena observação, por conta de um texto que seo apareceu na minha tela agora, lá no site da FGV:

“As restrições tecnológicas acabam por prejudicar os melhores consumidores da indústria cultural, principalmente, aqueles que pagam corretamente pelos produtos adquiridos.”

Só pro caso de você querer ler mais disso né, vai saber, tem um “mini-curso” de direito autoral por lá.

Crash the Queen

11 de janeiro de 2012 às 12:40

“J. G. Ballard, cujos livros incluem Crash e O Império do Sol, disse que dispensou uma homenagem por sua produção literária em 2003. “A coisa toda é uma ilógica encenação”, disse uma vez ao Sunday Times. “Milhares de medalhas são dadas em nome de um império inexistente. Isso nos faz motivo de piadas.”

Londres diz quem quem esnobou a rainha“, no Estadão.

Família tradicional?

10 de janeiro de 2012 às 7:09

“O papa Bento 16 disse nesta segunda-feira, 9, que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional, pondo em xeque “o próprio futuro da humanidade”.”

Ah, então o casamento homossexual ameaça o futuro da humanidade?

Bom, se por futuro da humanidade ele quer dizer o futuro das mordomias proporcionadas pela humanidade aos ilustres representantes de uma instituição de mentalidade defasada, torpe e tacanha, faz sentido.

Se for esse o caso, o casamento homossexual é o menor dos problemas.

É melhor vocês, papas, bispos, padres e assemelhados, se preocuparem mais em evitar que as pessoas estudem que terão mais sorte em manter esse tão necessário status quo.

Quem sabe até queimar uns livros, não? Afinal de contas, experiência nisso vocês tem de sobra.

Mas evitem reviver as cruzadas. Esse negócio de tortura caiu um pouco em desuso mesmo entre os tiranos do oriente médio.

Craig pela manhã

2 de janeiro de 2012 às 8:34

Começar o ano, abrir a porta e dar de cara com o Craig Thompson na capa do jornal.

Não sei não, mas parece um baita sinal positivo para 2012.

Ensino “superior”

10 de novembro de 2011 às 10:42

“O câmpus de qualquer instituição acadêmica é sagrado para a transmissão do saber, não para o consumo de drogas. É proibido fumar maconha na nave da Sé, na rua, em boates e na Cidade Universitária. Os “bichos grilos” mimados que se disseram “torturados” por terem sido levados de ônibus – e não nos carrões dos pais – para a delegacia devem ser fichados como bandidos comuns e expulsos da universidade para que outros que querem e precisam estudar recebam a educação que desprezam.”

José Nêumanne, em “A revolução dos ‘bichos grilos’ mimados da USP“,
no Estadão de hoje.

3 wise monkeys

12 de outubro de 2011 às 11:53

“A atuação da ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, querendo impor veto a propaganda e sugerindo à TV Globo mudanças no enredo de novela, dá a medida do uso que o PT faria do “controle social da mídia”, caso conseguisse aprovar a medida.

A ministra tem contribuído mais para reunir repúdio ao plano – ainda na agenda do partido – que qualquer coisa que se possa dizer sobre a liberdade de expressão.”

Dora Kramer, em Forasteiros, no Estadão de 12/10.

Não adianta… Se o partido nasceu como o detentor universal das verdades absolutas (amém), que não admite o contraditório, nunca vai perder uma chance, por menor que ela seja, de tentar controlar o que seu rebanho vê, lê e ouve.

Uma releitura moderna, adaptada as necessidades petistas, dos três macacos sábios