Hail.

“Lamento dizer que a relação da SS com a Igreja Católica é algo que a igreja ainda precisa enfrentar.

Se você está escrevendo sobre a história dos anos 1930 e a ascensão do totalitarismo, pode, se quiser, tirar a palavra “fascista” em relação à Itália, Portugal, Espanha, Tchecoslováquia e Áustria e substituí-la por “partido católico de extrema direita”.

Quase todos os regimes foram instalados com a ajuda do Vaticano. Isso não é negado. Em muitos casos os entendimentos com a Santa Sé persistiram após o fim da Segunda Guerra e se estenderam a regimes comparáveis na Argentina e outros países.”

Christopher Hitchens, entrevistado por Richard Dawkins, para a New Statesman.
Texto na íntegra na Ilustrada de 31/12/2011, só para assinantes. Ou aqui.

Gênios do nada

“Outro exemplo de um aspecto da cultura brasileira elogiado muito mais do que provavelmente merece é a obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Sei que isso pode soar chocante, porque há um consenso quase universal aqui no Brasil de que Niemeyer é um gênio. Mas, como Nelson Rodrigues costumava dizer, “toda unanimidade é burra”. Deixando de lado a política stalinista de Niemeyer, que é execrável, há uma condtradição fundamental e irreconciliável entre o que ele professa e a obra que produziu. Ele afirma querer uma sociedade baseada em princípios igualitários, mas sua arquitetura, para usar a linguagem do mundo da computação, não é user-friendly. Ao contrário: ela é profundamente elitista e mesmo egoísta, concentrada principalmente em fazer declarações grandiosas e eloquentes por si mesmas, para satisfação de Niemeyer e seus admiradores, mesmo que cause desconforto ou inconveniência ao usuário.”

Larry Rohter, jornalista americano, no capítulo Cultura do livro “Deu no New York Times”.

E aí você abre o jornal e vê isso:

Mas não é o pior, a foto da capa do caderno de Esportes mostra algo ainda mais embaraçoso:

E ainda tem a abertura do texto, dessa vez na Folha:

“Quem chegar a Santos pelo mar, a partir de 2012, verá no monumento projetado pelo gênio da arquitetura a imagem do gênio do futebol.”

Aquela coisa baba-ovo – embora nesse caso a expressão beija-mão faça mais sentido e seja mais óbvia – entre dois enormes ícones do nada na cultura brasileira.

Larry Rohter entende bem mais do que acontece nesse país do que 90% das pessoas que administram ele. Talvez por isso Lula tenha tentado expulsar ele do Brasil.

Republiqueta x2

Em dois editoriais do dia – Republiquetização do País do Estadão e Arrogância de Sempre da Folha – uma unica idéia vista de duas maneiras diferentes. E em ambos os casos dá uma dó do país, um desânimo dos próximos anos e um nojo “sindical” do tal partido e seus amigados.

Em tempo: Tudo bem a Folha fechar o conteúdo dentro do UOL, faz sentido dentro do plano deles mas os editoriais, a opinião do jornal, isso deveria estar aberto na rede.

FFLCH, Niemeyer, Cuba e clichês

Prá toda aquela galerinha esperta de esquerda da USP – mesmo o professor acima sendo da Unicamp – esse cara deve ser o maior ídolo possível. Professor do Instituto de Filosofia gabaritando nos votos de PSOL e PSTU.

Porque todo clichê é exagerado, não é? Sei.

Deve ter doído na alma desse Ricardo Antunes ler a entrevista do Fidel falando que Cuba… não deu certo. Claro, isso se ele não estiver achando que tudo é uma grande conspiração da grande mídia de direita (como o Niemeyer) ou então trancado no banheiro escuro chorando.

Glauco

Agora que já faz um tempo desde que o assassinato do Glauco acabou com uma carreira bem bacana, achei um dos milhares de tributos que os cartunistas brasileiros fizeram.

O Angeli fez um mais soturno, talvez pelo contato próximo que tinha à la Tres Amigos. Mas esse do Moon está genial. Acho que o espírito artístico-anárquico do Glauco iria curtir muito esses seis quadrinhos.