Podcast: Lado_C #036

7 de novembro de 2012 às 6:00

 Lado_C #036: Coldwave
(Ou “Francophonique“)

Para essa edição, uma sequência feliz e animada de faixas quentes e alegres.

Aham, sei.

Coldwave franco-belgo-eurocentrica para prestar um devido tributo ao movimento que tem lá suas semelhaças ao post punk que tanto nos encanta.

Pitadas de Kraftwerk e de Joy Division, tudo com certa fleuma e despretensão.

Ou não.

Ouça.

Disponível também por aqui: [ iTunes Store ] [ MixCloud ] [ Download ]

Tracklist:

Virgin Prunes, Twenty Tens (I’ve Been Smoking All Night)
Ausgang Verboten, Consumer
Trisomie 21, The Last Song
SIC, Voltage Control
Film de Guerre, Matin Matin
Gestalt, Deuxième Ombre
Guerre Froide, Demain Berlin
Clair Obscur, Pessimiste Combatif

Como trilha sonora:

Deafear, I Wanna Be Your Dog (Iggy Pop cover)

Gainsbourg. Vie héroïque.

27 de fevereiro de 2012 às 14:50

A história da vida de Serge Gainsbourg é – ao menos no imaginário de quem conhece um pouco de sua figura pública – tão irreal, tão utópica, tão exagerada que seria difícil transformá-la em um filme convencional.

Um filme convencional, hollywoodiano, talvez caisse na facilidade dos excessos e isso não faz justiça a quem foi Gainsbourg nem ao que o francês colocou no mundo.

Por sorte, Gainsbourg: Vie héroïque não é um filme convencional.

O filme é, na falta de melhor definição, uma fábula da vida heróica do cantor, compositor, ator, autor… Apesar de a tradução para o português ter perdido o subtítulo de Vida Heróica e tê-lo trocado por O homem que amava as mulheres, a idéia original combina muito mais com a vida de um cara feio que levou pra cama Brigitte Bardot, Jane Birkin, Isabelle Adjani, Catherine Deneuve…

Serge Gainsbourg foi um herói de um modo de esbórnia boêmia que só era possível mesmo na França,  só era possível mesmo naquela época.

O tratamento estético dado a obra – baseada em uma graphic novel sobre a vida de Gainsbourg, e isso explica muita coisa – é primoroso. E isso é quase um problema, já que acaba se sobrepondo a história mas, já que estamos pensando mesmo em uma obra de arte, que a vida dele seja retratada em biografias e deixem o cinema carregar em suas cores.

O alter ego de Gainsbourg, presente por quase toda a obra na forma de um grande boneco que exagera as imperfeições de Serge é ponto alto do filme, expondo quase que didaticamente ao espectador as ideias que – possivelmente – brigavam dentro de uma mente que, segundo supõe/conta o filme, só fica quieta quando ele compõe ou pinta.

Mentes barulhentas. Como fazem falta.

Short & Entertaining

30 de setembro de 2010 às 21:17

Coisas que você descobre ao chegar do show do Dinosaur Jr. as duas da manhã e ligar na MTV:

Uma banda/dupla francesa chamada Jamaica em um clipe que – prá mim – é tiração de sarro dos headbangers. A música vai ficando boa mas o que chama mesmo a atenção é o Igor Cavalera aparecer na bateria.

Hein?

Aliás, o próprio Igor, com seu alter-ego Mixhell, fez um remix da faixa:

Mixhell

Porque, MTV, porque as coisas decentes ficam nesse horário e no resto do dia convivemos com o que existe de pior na música?

O Pequeno Livro do Rock

4 de maio de 2010 às 0:19

Se existisse uma única obra que fizesse qualquer pessoa entender  os caminhos do rock, com certeza essa não é O Pequeno Livro do Rock.

Agora, se pensarmos em uma única obra na categoria artístico-quadrinística-literária que explicasse esses mesmos caminhos, nada seria mais indicado que O Pequeno Livro do Rock.

O primeiro – e mais lindo – motivo são as ilustrações. No mínimo oitenta camisetas poderiam ser criadas à partir dos desenhos de Hervé Bourhis.

O segundo motivo é geográfico. Como a obra veio da cabeça e das mãos de um autor francês, não somos  forçados a ver, pela centésima vez, a visão estadunidense de rock and roll.

Acima, a interpretção do autor para Rolling Stones e Tom Jones, entre outros.

É claro que existe uma boa dose de referências francesas, mas nada que prejudique a obra: Além de Elvis e Serge Gainsbourg, Nirvana e Nouvelle Vague, Pixies e Noir Désir, também estão lá Kraftwerk e Mutantes, por exemplo.

Até que se pode imaginar os pais do synth pop em qualquer outra obra sobre a música moderna, mas e Os Mutantes?

E as referências eurocêntricas, como o concurso Eurovision, estariam presentes em um livro escrito na parte de cima de nosso continente? Provavelmente não. Seriamos apresentados a algum Americam Idol qualquer, e isso é muito menos interessante do que uma banda de death-trash-metal se apresentando em um concurso de bandas pop européias.

Até a tradução, que costuma ser o ponto fraco de muitas edições nacionais de livros tão específicos, no caso d’O Pequeno Livro do Rock joga à favor da obra.

Esgotado no site da editora, a obra merece uma segunda edição urgente. E a Conrad merece parabéns por trazer esse livro para as estantes brasileiras. Que venham mais obras musicais, mais obras francesas, mas quadrinhos. A geração 80 – e várias outras – agradecem.

Sobre um triângulo

28 de julho de 2008 às 18:27

La Fille Coupée en Deux

E não é que são sempre as pequenas coisas que chamam a atenção? No caso desse cartaz acima – e do filme que ele promove – não quer dizer que o filme seja ruim, mas as pequenas coisas ficaram mais na memória que o resto. Por exemplo, a quantidade de pessoas envolvidas em sua produção com o sobrenome Chabrol: salta aos olhos… Talvez a segunda coisa que mais tenha chamado a atenção.

O fato do diretor Claude ter um Thomas como ator, um Mathieu como compositor da trilha, uma Aurore como supervisora de script e todos compartilharem o C. do nom de famille lembra bastante o esquema de produção cinematográfica brasileiro, como, por exemplo, a família do Seu Barreto, que se enfia até o pescoço nos filmes (e nas verbas claro, já que ninguém vai deixar uma grana do governo escapar).

Pelo lado positivo, imagine que fazer “cinema em casa” dá certo na França então… um dia pode dar certo por aqui. Seja paciente, a gente tem alguns séculos a menos que eles.

Pontos menores, indiretamente relacionados com o filme, também chamam a atenção. Por exemplo?

  • Se a projeção da Rain Networks é digital, existe algum motivo para as manchas, riscos e pêlos durante a exibição?
  • Alguém que escolhe cores, tipografia e borda das fontes em legendas se preocupa em assitir o trabalho de legenda finalizado?
  • Existe revisão do texto da legenda ou isso nem passa pela cabeça das pessoas? “Uma Garota DIVIDIA em Dois” faz bem pouco sentido.

Revistas, assuntos e títulos sem inspiração

15 de junho de 2008 às 20:43

Playboy Nº 92 (Jul/Ago ‘08, França)

Não faz a menor diferença quem é Judith Godrèche (mas se quiser mesmo saber, veja aqui mas volte para terminar a leitura), o que realmente faz a diferença são os destaques na capa da revista.

(Sim, é repetitivo. Mas dessa vez ao menos não vou comparar a qualidade fotográfica da capa de uma edição francesa e uma brasileira, então mereço algum crédito pela evolução do raciocínio.)

O que incomodou dessa vez foi o simples fato de que a Playboy francesa parece ter entendido – em menos tempo, já que eles estão no número 92 e nós estamos na edição 397 – que não, a Playboy não é mais a fonte número um de falta de roupa.

Julgando pelas pequenas fortunas pagas pela Abril para as moças que saem em suas páginas, muita gente ainda busca mulheres peladas em suas páginas, mesmo com a internet sendo o maior depósito de sexo explícito imaginável (46 milhões de sites, excluindo os americanos, isso com dados antigos)

(Certo, existem as pessoas que dizem que o acesso a web cresce no Brasil mas já que isso ocorre muito às custas de lan-houses e afins, não era de se esperar que esse mar de homens ficassem olhando sexo explícito na frente de mais doze pessoas, então imagino que sim, eles apelam para a Playboy. Me desviei do assunto? Imagine…)

Voltemos a capa. Chet Baker, Ford Mustang, Dylan, Kurt Cobain, Crystal Castles, The Do, Yelle… Não sei, pode realmente ser uma visão distorcida de um passado que eu não vivi (e como não tive a sorte de comprar uma coleção de Playboys americanas antigas, como certas pessoas, não tenho mesmo como ter essa certeza) mas a revista não fica muito mais significativa assim, quase da forma literária que eram as primeiras edições da Playboy americana?

As próximas (muito próximas) gerações não vão comprar revista para ver mulher pelada. Não cresceram assim, não precisam disso. Então uma revista que traga boas coisas para ler ao invés de fotos para apreciação solitária não tem mais chances de continuar a ser publicada, ainda mais em mercados que criam e matam revistas quinzenalmente?

Sim, muitas revistas de boas matérias morreram. Sim, a grande maioria não era bancada por grandes editoras. Logo, juntar as boas matérias, a grande editora, o peso do nome da publicação, tudo isso, não pode dar certo? Se até a VIP consegue ser menos inútil que a Playboy nacional, isso não cria nenhuma sinapse na cabeça de algumas pessoas?

Sorte do J.R. Duran e seus seguidores. Ainda devem faturar muito por três dias de fotos em paraísos.

(Sim, eu continuo com parênteses demais. Desculpe, meu raciocínio é assim mesmo. Culpa das férias, gostaria de pensar, mas não, sempre foi assim…)