Playboy Nº 92 (Jul/Ago ‘08, França)
Não faz a menor diferença quem é Judith Godrèche (mas se quiser mesmo saber, veja aqui mas volte para terminar a leitura), o que realmente faz a diferença são os destaques na capa da revista.
(Sim, é repetitivo. Mas dessa vez ao menos não vou comparar a qualidade fotográfica da capa de uma edição francesa e uma brasileira, então mereço algum crédito pela evolução do raciocínio.)
O que incomodou dessa vez foi o simples fato de que a Playboy francesa parece ter entendido – em menos tempo, já que eles estão no número 92 e nós estamos na edição 397 – que não, a Playboy não é mais a fonte número um de falta de roupa.
Julgando pelas pequenas fortunas pagas pela Abril para as moças que saem em suas páginas, muita gente ainda busca mulheres peladas em suas páginas, mesmo com a internet sendo o maior depósito de sexo explícito imaginável (46 milhões de sites, excluindo os americanos, isso com dados antigos)
(Certo, existem as pessoas que dizem que o acesso a web cresce no Brasil mas já que isso ocorre muito às custas de lan-houses e afins, não era de se esperar que esse mar de homens ficassem olhando sexo explícito na frente de mais doze pessoas, então imagino que sim, eles apelam para a Playboy. Me desviei do assunto? Imagine…)
Voltemos a capa. Chet Baker, Ford Mustang, Dylan, Kurt Cobain, Crystal Castles, The Do, Yelle… Não sei, pode realmente ser uma visão distorcida de um passado que eu não vivi (e como não tive a sorte de comprar uma coleção de Playboys americanas antigas, como certas pessoas, não tenho mesmo como ter essa certeza) mas a revista não fica muito mais significativa assim, quase da forma literária que eram as primeiras edições da Playboy americana?
As próximas (muito próximas) gerações não vão comprar revista para ver mulher pelada. Não cresceram assim, não precisam disso. Então uma revista que traga boas coisas para ler ao invés de fotos para apreciação solitária não tem mais chances de continuar a ser publicada, ainda mais em mercados que criam e matam revistas quinzenalmente?
Sim, muitas revistas de boas matérias morreram. Sim, a grande maioria não era bancada por grandes editoras. Logo, juntar as boas matérias, a grande editora, o peso do nome da publicação, tudo isso, não pode dar certo? Se até a VIP consegue ser menos inútil que a Playboy nacional, isso não cria nenhuma sinapse na cabeça de algumas pessoas?
Sorte do J.R. Duran e seus seguidores. Ainda devem faturar muito por três dias de fotos em paraísos.
(Sim, eu continuo com parênteses demais. Desculpe, meu raciocínio é assim mesmo. Culpa das férias, gostaria de pensar, mas não, sempre foi assim…)