Espelho, espelho meu

15 de maio de 2013 às 14:35

Me fala se uma foto como essa do Sergey Brin (que a Reuters capturou no Google I/O desse ano) não é – prá dizer o mínimo – assustadora, por dezenas de razões.

Google Glass

(Além do que, conforme notou algum texto em uma Slate, Salon, Wired ou afins, assim como o protetor de caneta de bolso, um negócio desses deixa com uma aura nerd idiota fadada ao fracasso.)

Sim, eu vivo em uma casa em que duas pessoas usam sete, oito, nove IPs diferentes em uma noite qualquer.

Sete.

Oito.

Nove.

Sim, eu adoro um gadget, um black mirror qualquer; obviamente não acho que a saída ludita seja o caminho.

Mas em algum momento, alguma luz de alerta tem que piscar na sua cabeça.

Se alguém está feliz com a ideia de ter seu Google Glass, eu entendo; agora, se essa mesma pessoa não tem o menor medo do que está acontecendo, aí eu não entendo.

E o ser humano em questão não está entendendo absolutamente nada do que está acontecendo.

Cada vez mais as ferramentas e os aparelhos conseguem despertar o que tem de mais escroto nas pessoas, mas disso todo mundo – inclusive eu – já falei em excesso.

Cada vez mais as ferramentas e os aparelho conseguem despertar o juiz, o júri e o executor de absolutamente tudo, lá dentro da nossa cabeça.

Parabéns. Nós conseguimos.

Repensando o que a tecnologia que nós criamos virou – e no que ela nos transformou – eu me permito descer o padrão do vocabulário usual dessas páginas:  A gente fodeu a porra toda.

The Google way

31 de maio de 2012 às 9:10

Mais uma vez – repetitivo, eu sei – esse blog precisa compartilhar sua incredulidade com o funcionamento das buscas que trazem você, caro clicador, até estas páginas.

Como é fim de mês – e fim de ano pessoal, posto que mês que vem chegam as férias desse entretenimento todo aqui -, lá veio o relatório. E…

How not to be a dick: Não sei se consegui deixar um conselho prá pessoa que buscou isso – até porque imagino que ela não leia português mas, ainda assim, ficou por longos três minutos no site. Mas achou algo, então tudo bem.

quantas mulheres o marcelo coelho já teve? Essa é a que, de fato, me intriga. A pessoa pode querer saber quantas pessoas o Marcelo Camelo já teve ou o Paulo Coelho já teve mas… E até porque eu não consigo imaginar alguém que realmente queira saber quantas mulheres o cara que escreve prá Folha já teve.

Como se faz p.o.p. de homeopatia: Esse não achou nada que buscava – e vou considerar isso um ponto positivo. E se alguém souber o que diabos é p.o.p. de homeopatia e quiser compartilhar…

quadrinhos de sexo e quadrinhos sexo com orientais: Okey, eu prefiro não levantar suspeitas sobre como a pessoa buscou por isso e veio parar aqui. Eu sou casado e isso pode dar problema. Mas em minha defesa, que fique bem claro que a pessoa nem ficou no site… Mas deveria.

luigi bros swu: Essa busca me faz acreditar que o maluco do SWU anterior, vestido de Super Mario, emagreceu, se vestiu de Luigi e parou de perseguir o Pac Man durante os shows.

ilustração mulheres bowie santa: Como ponto alto, alguém pesquisou isso e ficou incansáveis 27 páginas por aqui, quase quarenta minutos. Bowie é, de fato, a salvação. Ah, e volte sempre, amigo do bom gosto.

members of morphine: Mas nada do que apareceu nesse relatório é tão foda, tão espetacular e tão massagem no ego quanto essa cacetada de visitas ao texto do Morphine na Virada Cultural. 209, mano, duzenta e nove.

tum dum pish: E, prá finalizar, nada mais justo que isso.

Mudança de nome

25 de agosto de 2010 às 22:12

Um dia, quem sabe, alguns dos programas de humor brasileiros que tentam ser sarcásticos/informativos/inovadores (aposto que você pensou em vários… Sim, são todos esses.) tenham roteiristas como o Colbert.

Your search returned stupid results

17 de novembro de 2009 às 19:02

Estava dando uma olhada nos dados do contador só prá descobrir como as pessoas vem parar aqui. Além daquele monte de cliques – que não são um monte, senão esse blog seria um sucesso – originados nas páginas de perfil do Facebook, Orkut, Twitter e afins, pouca gente digita a URL prá vim ler essas linhas desconexas. E olha que ainda tentei fazer um endereço bastante óbvio, mas não parece ter dado muito certo.

Disparado, o jeito que mais gente vem parar nessas páginas é – claro – o Google.

Alguns, por algum motivo que me escapa, buscam meu sobrenome. Ok, não devo ser o único com esse nome de família, então até faz sentido. Mas algumas coisas são sim bem estranhas.

“Cidadão saudável em texto”: Não, essa busca eu não entendi. Mas cidadão entretido, cidadão saudável… Deve fazer sentido na cabeça do Google.

“Ficar sozinho no Brasil”: Disparado o que mais deu links nos últimos tempos. O texto do Roberto DaMatta trouxe um bocado de leitores. Devo falar mais dele prá consegui audiência?

“O que é entretido” e “Significado de entretido”: O significado de entretido sempre foi bem óbvio para mim. Assim como ficou óbvio que hoje ninguém mais abre nem dicionário, já sai apelando pro Google.

“As propagandas fazem os cidadãos serem compradores compulsivos”
: Algum estudante de publicidade, algum wannabe revolucionário de esquerda ou simplesmente alguém atrás de informações sobre propaganda subliminar, talvez? Desculpa, nunca escrevi sobre isso então devo ter decepcionado.

“Historia do softwares design gráfico”: Aí sim senti uma tendência do público em buscar informações das quais eu entendo (mais ou menos) e escrevo.

“Home taping”: Tá, um dia eu gravei fitas cassetes em casa mas… Hein?

Conclusão? O Google dá uma dentro as vezes mas sei não se a gente devia confiar tanto nele.

AdSense makes no sense

1 de abril de 2008 às 20:03

Isso aqui estava na página inicial do Eurochannel.

Já começa que, para azar da grande maioria, é um canal que não está na Net. Também não faz sentido ele e Universal Channel e Multishow juntos. Propostas bem distintas de entretenimento; quem assiste um ciclo de cinema no Euro (Sim, eu tenho saudades e trocava cinco Telecines por ele sem pensar duas vezes) dificilmente se pega na frente da televisão com a maioria das (por falta de termo educado para expressar minhas idéias vou usar essa palavra, mas por favor, notem as aspas) “atrações” como Circo do Edgard ou qualquer outra coisa que hoje passe no canal.

E não é a intenção ser elitista, preconceituoso ou sarcástico (É?), mas simplesmente notar que são combinações um pouco absurdas. Esquecendo-se por um segundo que, sendo um canal pago, ele deveria tirar sua rentabilidade dos assinantes e por isso fazer propagandas com anúncios do Google é um pouco chato (mas não pior que o enorme banner anunciando uma palestra para quem quer morar na Austrália), ficamos com a pergunta que motiva esse texto: como diabos funciona esse AdSense?

Não, eu não sei. Quer dizer, sei, mas pelo jeito o que eu sei está errado; se essa ferramenta do Google analisa a página e trás anúncios relevantes, TVA, Net e mesmo Universal e Multishow fazem sentido. Mas o que dizer daquele “Filme Pornográfico” ali? Não, olhando a página toda você não vai ter uma única referência a cinema adulto. Os filmes da grade do Euro, por mais franceses que sejam, não se encaixam nessa categoria. Então me diz. Faz sentido usar o AdSense?

Você não é só o que você come

10 de agosto de 2006 às 19:14

Será que uma pessoa é aquilo que ela pesquisa? E… quão seguros nossos outros dados estão? Se até as pesquisas acabam divulgadas, o que impede que nomes, endereços, contas bancárias, preferências sexuais e afins estejam a um clique do mouse?