Espelho, espelho meu
Me fala se uma foto como essa do Sergey Brin (que a Reuters capturou no Google I/O desse ano) não é – prá dizer o mínimo – assustadora, por dezenas de razões.

(Além do que, conforme notou algum texto em uma Slate, Salon, Wired ou afins, assim como o protetor de caneta de bolso, um negócio desses deixa com uma aura nerd idiota fadada ao fracasso.)
Sim, eu vivo em uma casa em que duas pessoas usam sete, oito, nove IPs diferentes em uma noite qualquer.
Sete.
Oito.
Nove.
Sim, eu adoro um gadget, um black mirror qualquer; obviamente não acho que a saída ludita seja o caminho.
Mas em algum momento, alguma luz de alerta tem que piscar na sua cabeça.
Se alguém está feliz com a ideia de ter seu Google Glass, eu entendo; agora, se essa mesma pessoa não tem o menor medo do que está acontecendo, aí eu não entendo.
E o ser humano em questão não está entendendo absolutamente nada do que está acontecendo.
Cada vez mais as ferramentas e os aparelhos conseguem despertar o que tem de mais escroto nas pessoas, mas disso todo mundo – inclusive eu – já falei em excesso.
Cada vez mais as ferramentas e os aparelho conseguem despertar o juiz, o júri e o executor de absolutamente tudo, lá dentro da nossa cabeça.
Parabéns. Nós conseguimos.
Repensando o que a tecnologia que nós criamos virou – e no que ela nos transformou – eu me permito descer o padrão do vocabulário usual dessas páginas: A gente fodeu a porra toda.










