Whatever, Woody

David as Boris as Woody

Já fazem duas semanas – um pouco mais, um pouco menos – que resolvi dar minha pequena contribuição a sobrevida do Cine Belas Artes e assistir Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works).

Ao contrário de muita gente, genial não é – para mim – sinônimo de Woody Allen. Ele fica acima da média em alguns momentos, fica embaraçosamente mediano em outros e, no final das contas, acaba sendo o que é: um cineasta.

Pensando nos três últimos filmes seus que eu paguei para ver no escuro, não sei se Tudo Pode Dar Certo é melhor, pior ou a mesma coisa que Vicky Cristina Barcelona ou O Sonho de Cassandra.

Ok, não é a mesma coisa. Nenhum dos três filmes tem tantos e tão óbvios pontos em comum para um olhar destreinado como o meu traçar paralelos cinematográficos que façam sentido. Deixo isso para o Zanin ou o Merten mesmo.

Mas, duas semanas depois – um pouco mais, um pouco menos – O Sonho de Cassandra e Vicky Cristina Barcelona não estavam mais no consciente, inconsciente, id e que tais.

Em compensação, hoje, após duas semanas – um pouco mais, um pouco menos – eu ainda canto parabéns duas vezes a cada vez que lavo as mãos.

Pode, sim, ser um simples traço da perenidade de um bom Woody.

Pode ser apenas uma crise de abstinência de Seinfeld projetada no Larry David.

Ainda não sei o que é ou o que pode ser, mas sei que será a segunda chance de Curb Your Enthusiasm na minha lista de pendências em DVD.

Produzido no Brasil

Enquanto esperamos a estréia da segunda parte da primeira temporada de Mandrake na HBO, eles criaram de novo aquele canal promocional, onde exibem várias das suas séries

Além de transmitirem os primeiros episódios de Mandrake e alguma coisa de Roma, a HBO reprisa os episódios de Filhos do Carnaval, outra produção nacional deles.

Assistir Mandrake e Filhos do Carnaval prova que meu problema não são os atores nacionais. Nem os atores que trabalham na Globo. Nem a produção. O que irrita no cinema nacional são os roteiros, em geral toscos, bobagens repetitivas e pretensamente emotivas, coisa de quinta categoria.

Quando eles querem criar algo bom, conseguem.

Latinos

Não é que nada que se produz no Brasil para TV me agrade. E nem que seja mais fácil criticar o que é feito aqui. Mas só para não perder o hábito…

Talvez seja só um problema de identificação. O cérebro está tão habituado a pensar nesse atores como coisa de novela que, quando aparece um Marcos Palmeira ou uma Maria Luiza Mendonça na TV, a associação com a Globo é imediata. E isso não quer dizer que Mandrake seja um programa ruim. Está bem acima do que TV verde-e-amarela costuma produzir.

Ainda assim, ao assistir algo feito aqui perto, por nossos irmãos argentinos, a sensação de que ainda falta um tanto para chegar num lugar de destaque é imediata.

Talvez o roteiro deles não tenha sido escrito por algum integrante de banda falida de rock, e isso ajuda, mas Epitáfios é muito mais série do que Mandrake em vários sentidos.

Cineminha triste

Closer (Perto demais, 2004) e Book of Love (Traição, 2004) são filmes com muito em comum, além de terem ido ao ar recentemente nas madrugadas da HBO.

Tem mais em comum do que Natalie Portman linda em um e Frances O’Connor absolutamente sedutora em sua simplicidade no outro.

São dois filmes sem fim, em que o espectador não acaba de assistir e vai a uma lanchonete. São películas sobre relacionamentos fragmentados pela infidelidade. De formas diferentes, os relacionamentos não dão certo. E por isso ser algo tão fora de lugar no cinema, principalmente vindo de estúdios estadunidenses, os filmes ficam na cabeça.

Além do assunto, das atrizes, do baixo astral, esses filmes tem canções que, sendo boas ou não (e esse julgamento cabe a cada um) são parte mais que importante das histórias, da ambientação, da forma que os diretores se utilizam dos nossos sentidos para passarem alguma emoção.

The Blower’s Daughter (Damien Rice) e Book of Love fazem toda a diferença nas histórias.

Julgue os filmes, julgue as músicas, cada um tem esse direito sagrado de gostar ou não das coisas. Valem o tempo investido.