How To Destroy Musicians

É difícil para alguém que, como eu, tem tantas e tantas horas gastas com Nine Inch Nails, conseguir dar uma opinião sobre a nova investida artística de Trent Reznor – chamada graciosamente de How To Destroy Angels – logo no dia em que se toma conhecimento dela. Mas resolvi tentar.

A-Drowning

(Claro, fica muito mais fácil acompanhar o raciocínio desse texto se você gostar de NIN, entender NIN ou ao menos tiver ouvido NIN uma vez na vida. E se, também, ouvir a faixa antes.)


Primeiro pensamento:
Caralho, cadê a porrada, cade a pegada, cadê o barulho, cadê o zumbido no ouvido?
Isso não é pensamento de ex-fã de Slayer ou Children of Bodom – não, não sou fã de nenhuma delas – mas qualquer pessoa que ouviu uma vez na vida alguma coisa do Nine Inch Nails vai sentir que tem algo estranho nessa faixa. Ou melhor, que não tem nada estranho nessa faixa, que nada soa dissonante, agressivo, descompassado e irritante, como o NIN sempre soou.


Segundo pensamento: Fodeu, Trent Reznor resolveu fazer música com a mulher.
Então é isso, Trent Reznor encarnou o John Lennon do rock industrial e resolveu entrar de cabeça na música que a mulher dele faz ou acha que faz. Prá ajudar, a patroa do Reznor tem aquela cara de asiática-que-fode-banda tão odiada pelos fãs dos Beatles, o que já serve como antecendente do pior tipo.
(p.s.1 Particularmente não dou a menor importância ao fato, uma vez que Beatles não passa de nota cinco prá mim. Mas a coincidêcia precisava ser notada.)

Tudo bem, a mulher do cara tinha uma banda, deve ter lá seus fãs mas… Hein? Quem já ouviu falar de West Indian Girl? Pois então, a Mrs. Reznor saiu dessa banda.


Terceiro pensamento:
Esse som seria legal uns quinze anos atrás.
Ok, não é que seja ruim. Mas comparado ao que o Nine Inch Nails fazia, é como aplicar a teoria da involução musical à obra de Trent Reznor: O cara saiu de algo inovador – as vezes bom, as vezes bem ruim, mas inovador – e resolveu fazer um eletrônico etéreo comum , uma ambient music de segunda, trilha sonora dos anos 90 em 2010.

Resumo? Dificilmente vai virar música de playlist.

Duvido que a banda passe batido, afinal de contas o cara por trás dela tem um passado como músico-produtor-pensador do rock que é fora do comum. Mas se é prá dar audiência para o que Trent Reznor faz, Pretty Hate Machine e The Fragile ainda são as melhores escolhas.

p.s.2 A coleção de vídeos pretensiosamente “artsy-backstagelike” que devem ter sido feitos para despertar a curiosidade não ajudam em nada melhorar a impressão da banda.

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Reunião

O autor da ilustração acima é mais conhecido pelo fato de trabalhar como diretor de arte para o nine inch nails, onde tem a ingrata função de fazer capas de discos, dvds, fotos, promos de uma banda como aquela.

(Sim, tem gente que sofre…)

Em uma parte do portifólio de Rob Sheridan estão essas imagens, junto do processo de criação delas. Especificamente nesta você identifica pelo menos um ícone. Três, se for fã de cultura por inútil norte-americana ou de Seinfeld. Seis, se morou nos EUA na sua infância.

Já que está dando certo assim…

Começa com Radiohead (ou não, vai saber, mas o Radiohead foi o primeiro que realmente conseguiu destaque para isso), passa por Charlatans e chega no NIN.

In Rainbows (não está mais disponível) para ser baixado de graça (ou quase, já que pelo menos uma tarifazinha mínima por ter usado o cartão você acabava pagando); You Cross My Path de graça no endereço da rádio. E Ghosts I-IV sendo oferencido ao gosto do freguês, para ficar em um clichê pouco batido.

Dá para perceber que cada banda está pensando em criar um jeito para, quem sabe, quando coisas como o Slice The Pie fizerem mais sentido ainda, conseguirem ter criado um modelo REALMENTE decente de distribuição.

Se no caso do Radiohead você escolhe quanto pagar e o Charlatans provavelmente ganha lá seus trocados da rádio e/ou anunciantes da própria para bancar o download (Trama faz escola ou Trama também é cópia?), o Nine Inch Nails ainda oferece uma série de opções: download gratuito de 9 faixas, download de 36 faixas por $5, CD duplo por $10, pack de luxo com CD duplo mais DVD com as faixas para serem remixadas (tudo seguindo os preceitos das licenças Creative Commons) e um Blu-ray com áudio em alta definição por $75 ou a esgotada opção ultra luxo de $300 com tudo que da versão de $75 mais dois livros, tudo autografado por Trent Reznor.

Por conta da experiência com Saul Williams (que Reznor produziu em ‘07) ele só não vai mesmo é deixar baixar tudo de graça. Aparentemente o fato de que pouquíssima gente pagou $5 pelo download do álbum não agradou.

(Sei, exagerei nos parênteses)