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Vintage cool
O seriado mais bacana em muitos anos em um ensaio ótimo. Na Playboy desse mês. A deles, não a nossa.
Paulo, Ray, Carol e você
Sim, 451 graus na escala Fahrenheit – ou Celsius 233, na versão de um tradutor trapalhão – é a temperatura de combustão do papel. A história acontece num futuro cinzento, com trocadilho, em que livros estão proibidos por um governo ditatorial. Ler, afinal, é muito perigoso. Entre um parágrafo e outro, aiaiaiai, alguém pode, caracas, ter uma idéia.
(…)
Ei, se você chegou agora, seja bem-vinda e fique logo sabendo que 1) Essa piromania editorial é dirigida única e exclusivamente a títulos de auto-ajuda. 2) Especialmente, àqueles cometidos com o intuito, deliberado ou não, de anular qualquer coisa parecida com um pensamento. 3) Mais especificamente, aos livros que têm na alça de mira das estratégias de marketing o tal público feminino, também conhecido como você, leitora.
O editorial da TPM vêm com referências a dois problemas que irritam este pobre cidadão entretido desde sua alfabetização – trocadilhos e traduções idiotas (mas esse é o menor dos problemas) e auto-ajuda, e uma menção ao já-aqui-tratado Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.
Vale a pena ler “Quer ler um antidepressivo?” na edição deste mês. E lembrar de um autor cuja auto-ajuda auto-centrada ajuda demais a manter sua vivência no exterior – ao menos o Brasil se livrou deste problema – através de um bom tanto de consumidores fiéis e, desculpem a franqueza, semi-débeis: Paulo Coelho.
Aliás, de tudo, tudo mesmo, que está nessa capa abaixo, o que você acha que vai ajudar a aumentar as vendas (AJUDAR, eu disse. Eu sei que a nudez da tal Carol Castro é o ponto principal mas, entre avião e whisky, espumantes e Paulo Coelho com essa frase já na capa, o que vai chamar a atenção?)
Revistas, assuntos e títulos sem inspiração
Playboy Nº 92 (Jul/Ago ‘08, França)
Não faz a menor diferença quem é Judith Godrèche (mas se quiser mesmo saber, veja aqui mas volte para terminar a leitura), o que realmente faz a diferença são os destaques na capa da revista.
(Sim, é repetitivo. Mas dessa vez ao menos não vou comparar a qualidade fotográfica da capa de uma edição francesa e uma brasileira, então mereço algum crédito pela evolução do raciocínio.)
O que incomodou dessa vez foi o simples fato de que a Playboy francesa parece ter entendido – em menos tempo, já que eles estão no número 92 e nós estamos na edição 397 – que não, a Playboy não é mais a fonte número um de falta de roupa.
Julgando pelas pequenas fortunas pagas pela Abril para as moças que saem em suas páginas, muita gente ainda busca mulheres peladas em suas páginas, mesmo com a internet sendo o maior depósito de sexo explícito imaginável (46 milhões de sites, excluindo os americanos, isso com dados antigos)
(Certo, existem as pessoas que dizem que o acesso a web cresce no Brasil mas já que isso ocorre muito às custas de lan-houses e afins, não era de se esperar que esse mar de homens ficassem olhando sexo explícito na frente de mais doze pessoas, então imagino que sim, eles apelam para a Playboy. Me desviei do assunto? Imagine…)
Voltemos a capa. Chet Baker, Ford Mustang, Dylan, Kurt Cobain, Crystal Castles, The Do, Yelle… Não sei, pode realmente ser uma visão distorcida de um passado que eu não vivi (e como não tive a sorte de comprar uma coleção de Playboys americanas antigas, como certas pessoas, não tenho mesmo como ter essa certeza) mas a revista não fica muito mais significativa assim, quase da forma literária que eram as primeiras edições da Playboy americana?
As próximas (muito próximas) gerações não vão comprar revista para ver mulher pelada. Não cresceram assim, não precisam disso. Então uma revista que traga boas coisas para ler ao invés de fotos para apreciação solitária não tem mais chances de continuar a ser publicada, ainda mais em mercados que criam e matam revistas quinzenalmente?
Sim, muitas revistas de boas matérias morreram. Sim, a grande maioria não era bancada por grandes editoras. Logo, juntar as boas matérias, a grande editora, o peso do nome da publicação, tudo isso, não pode dar certo? Se até a VIP consegue ser menos inútil que a Playboy nacional, isso não cria nenhuma sinapse na cabeça de algumas pessoas?
Sorte do J.R. Duran e seus seguidores. Ainda devem faturar muito por três dias de fotos em paraísos.
(Sim, eu continuo com parênteses demais. Desculpe, meu raciocínio é assim mesmo. Culpa das férias, gostaria de pensar, mas não, sempre foi assim…)
França ’08 X Brasil ’08
Ainda sobre a Playboy…
Disseram que o real motivo da Bárbara Paz estar na Playboy é que a Abril não quer publicar as fotos da mãe da filha bastarda do Renan. Culpa da lenga-lenga TVA+Telefônica, medo de encarar uma CPI…
O buraco sempre é mais embaixo.


