Fuck me, Ray

Tem tudo de errado: A música é chata, a cantora é feia, a letra é babaca, é uma paródia tosca…

E é genial.

Claro, isso pode ser apenas para esse pobre fã de Ray Bradbury, de quem eu já cansei de falar mas… Poucas vezes algo tão ruim me fez rir como isso.

Se não fez sentido para você, me desculpe. Mas nada sobre Ray Bradbury pode passar batido.

The Ray Bradbury Theater

Os discos do The Ray Bradbury Theater chegaram fazem meses e só agora consegui começar a assistir: Só deu prá assistir os dois primeiros episódios, Crowd e Marionettes, Inc, mas já é alguma coisa.

O primeiro tem todos os clichês que o cinemão americano impunha nos anos oitenta: carros velozes de design duvidoso, neon como sinal inequívoco de modernidade, champanhe em taças pós-qualquer coisa, pessoas morando em abatedouros abandonados transformados em lofts artistísticos, atuações afetadas e jaquetas de mangas arregaçadas. A história? É, nada demais. Perde prá maioria dos enredos de Amazing Stories.

Mas Marionettes, Inc é bom. Era o tipo de história que eu estava esperando depois de ler os contos do Ray Bradbury e buscar esses DVDs em e-commerces mundo afora.

Nesse ritmo, acabo os 65 episódios em um mês e meio. Ou quase.

Paulo, Ray, Carol e você

Sim, 451 graus na escala Fahrenheit – ou Celsius 233, na versão de um tradutor trapalhão – é a temperatura de combustão do papel. A história acontece num futuro cinzento, com trocadilho, em que livros estão proibidos por um governo ditatorial. Ler, afinal, é muito perigoso. Entre um parágrafo e outro, aiaiaiai, alguém pode, caracas, ter uma idéia.
(…)
Ei, se você chegou agora, seja bem-vinda e fique logo sabendo que 1) Essa piromania editorial é dirigida única e exclusivamente a títulos de auto-ajuda. 2) Especialmente, àqueles cometidos com o intuito, deliberado ou não, de anular qualquer coisa parecida com um pensamento. 3) Mais especificamente, aos livros que têm na alça de mira das estratégias de marketing o tal público feminino, também conhecido como você, leitora.

via

O editorial da TPM vêm com referências a dois problemas que irritam este pobre cidadão entretido desde sua alfabetização – trocadilhos e traduções idiotas (mas esse é o menor dos problemas) e auto-ajuda, e uma menção ao já-aqui-tratado Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Vale a pena ler “Quer ler um antidepressivo?” na edição deste mês. E lembrar de um autor cuja auto-ajuda auto-centrada ajuda demais a manter sua vivência no exterior – ao menos o Brasil se livrou deste problema – através de um bom tanto de consumidores fiéis e, desculpem a franqueza, semi-débeis: Paulo Coelho.

Aliás, de tudo, tudo mesmo, que está nessa capa abaixo, o que você acha que vai ajudar a aumentar as vendas (AJUDAR, eu disse. Eu sei que a nudez da tal Carol Castro é o ponto principal mas, entre avião e whisky, espumantes e Paulo Coelho com essa frase já na capa, o que vai chamar a atenção?)

Fahrenheit 451

Os caminhos que as informações e a mente fazem na internet sempre me impressionaram: em questão de poucos segundos você sai de um ensaio fotográfico e vai parar em Hollywood.

Tem um photoset do flickr que foi censurado e o autor fez uma imagem para informar isso com referência a Fahrenheit 451; a lembrança automática foi do filme de 1966, adaptado do livro de Ray Bradbury e dirigido por François Truffaut.

Nesse caso eu parei na vala comum e assisti o filme mas nunca li o livro; logicamente deu vontade de buscar mais um livro para acumular na pilha de “para serem lidos”.

Buscando o livro, a maior parte das páginas fala de uma adaptação para o cinema. Tudo bem, eu já assiti, mas essa data está errada. Como 2009?

Pois é. O Truffaut dirige uma adaptação (e eu não posso avaliá-la como adaptação uma vez que, você já sabe, não li o livro; então essa opinião é a respeito do filme enquanto… bom, enquanto filme) muito boa; salvo engano, Fahrenheit 451 é seu único trabalho em inglês, mas minha memória falha bastante…

Quarenta e três anos depois (Meu deus, 68 está fazendo quarenta anos…) Frank Darabont planeja lançar em 2009 outra versão. Desesperador é saber que esse projeto circula entre os estúdios estadunidenses faz tempo e, entre outros, Mel Gibson e Tom Cruise foram cogitados para o papel do bombeiro (os responsáveis pela queima dos livros na história) que se rebela.

Aparentemente estamos livres de ambos interpretando Guy Montag; no filme, a ser produzido por Mel Gibson, o papel deve ficar com Tom Hanks.

É.