Músicos no palco antes das dez da noite, Bacalhau batendo fotos – à pedidos – com a câmera da platéia, bar eficiente, Autoramas aquecendo com um show antes de chegar a hora deles próprios tocarem na rua de cima, vocalista que pode ter 99% do DNA em comum com Iggy Pop, alguém dançando com passos de música baiana para os barulhos de Seattle, pessoas de calça social, camisa e mochila, vindas direto do trabalho, grupinhos de meninas que não paravam de conversar e passaram o tempo todo de costas para o palco, garotão desproporcionalmente alto em um mosh chutando o pedestal do Mark Arm, Paulão entretido com seu smartphone no fundo da casa enquanto o show rolava, o Supla com cara de cu chegando e saindo sozinho, baixista com cara de parente magro do John Goodman, ingresso-pulseira sem a menor graça para ser guardado, uns 70% da lotação máxima da casa atingida.
Mudhoney na Clash numa sexta-feira gelada de maio é assim.

