Duas doses de Mudhoney

Músicos no palco antes das dez da noite, Bacalhau batendo fotos – à pedidos – com a câmera da platéia, bar eficiente, Autoramas aquecendo com um show antes de chegar a hora deles próprios tocarem na rua de cima, vocalista que pode ter 99% do DNA em comum com Iggy Pop, alguém dançando com passos de música baiana para os barulhos de Seattle, pessoas de calça social, camisa e mochila, vindas direto do trabalho, grupinhos de meninas que não paravam de conversar e passaram o tempo todo de costas para o palco, garotão desproporcionalmente alto em um mosh chutando o pedestal do Mark Arm, Paulão entretido com seu smartphone no fundo da casa enquanto o show rolava, o Supla com cara de cu chegando e saindo sozinho, baixista com cara de parente magro do John Goodman, ingresso-pulseira sem a menor graça para ser guardado, uns 70% da lotação máxima da casa atingida.

Mudhoney na Clash numa sexta-feira gelada de maio é assim.

Placebo @ Credicard Hall

Entre as três opções disponíveis na noite de 17 de abril (sendo as outras duas o Skol Sensation e o Social Distortion), o show do Placebo parecia realmente a escolha fácil.

Porque nem de graça valeria a pena se vestir de branco e encarar montanhas de homens musculosos com correntes de portão no pescoço dançando com montanhas de garotas com as piores tatuagens possíveis espalhadas pela pele bronzeada artificialmente.

E de graça o show do Placebo foi ainda melhor. (Não levando em consideração, claro, o estacionamento a módicos 25 reais e a cerveja fornecida pela patroa.)

Pesa também o fato de que eu já havia perdido as outras passagens da banda pelo país e me sentia endividado comigo mesmo. Uma boa parte da mudança nas minhas preferências musicais foi ocorreu na mesma época em que um exemplar londrino de Without You I’m Nothing caiu no meu discman (Pois é…) em longínquos anos universitários.

Apesar de perder no quesito proximidade do palco na obrigatória comparação com o Indie Festival, o show cumpriu com louvor a tarefa de tocar pelo menos 50% de hits antigos que fazem a platéia cantar alto, pular e bater palmas com vontade.

Sim, teve a esperada sequência de músicas do último álbum que não é dos preferidos. E, como sempre, ficaram faltando algumas das antigas que são preferidas da casa, como “Come Home” e “36 Degrees”. Mas para uma hora e meia de show o equilíbrio das músicas entre antigas e novas não deixou a desejar.

Pontos negativos da noite? O Credicard Hall, que é mestre em ser complicado de chegar, e o jogador de basquete excessivamente animado, pulando horrores, batendo uma foto de si mesmo a cada sete segundos e cantando mais alto que o Brian ao meu lado.

De resto, uma noite barulhenta na medida para saldar a dívida que tinha comigo mesmo.

Vale Cultura prá que então?

Ler um livro é preferência entre hábitos culturais no Brasil

Essa foi a resposta dada por 65% dos entrevistados que fazem algum tipo de atividade cultural, conforme dados da pesquisa “Perfil do consumo de cultura do brasileiro”, realizada pela Fecomércio-RJ em parceria com a Ipsos Public Affair. O objetivo era analisar os hábitos de lazer relacionados com cultura, como ir a um show de música, ao teatro, ao cinema, ler um livro ou apreciar um espetáculo de dança. O dado negativo é que essa maioria que afirmou preferir a leitura está dentro de uma minoria de 43% dos entrevistados que disseram ter atividades culturais por hábito. Para mais da metade dos brasileiros (57%), ir a um teatro ou ler um livro está distante da realidade do dia a dia, ou por falta de conhecimento ou pelo simples fato de não gostar. O estudo refere-se ao ano de 2008, num comparativo a 2007. Foram visitados mil domicílios de 70 cidades, incluindo nove regiões metropolitanas.

A pesquisa também revela outro dado preocupante: 19% dos entrevistados não gostariam de fazer nenhuma das atividades culturais citadas. Entre os que fazem e gostam, a quantidade de livros lidos, de espetáculos, danças, exposições e filmes vistos ainda é considerada baixa. O estudo apontou que a média de livros lidos é de 5,1 por ano. Já os apaixonados por cinema assistiram a filmes apenas 4,1 vezes. Os fãs de músicas foram a 3,8 shows, enquanto os amantes da dança apreciaram 3,5 eventos. As exposições de arte ficaram em último lugar na preferência cultural do brasileiro, com 2,1 visitas.

É o bastante – Apesar dos dados, os entrevistados afirmaram que ler 5,1 livros por ano ou ir a um show de música 3,8 vezes é suficiente. E qual é o limite justo a se pagar por essas atividades ou bens culturais? O livro, que tem a preferência dos brasileiros, ficou com o maior valor: R$ 20. Os que preferem música afirmaram que pagariam até R$ 17 por um show. Depois vem o teatro, R$ 16; a dança, R$ 14; as exposições, R$ 13. Também é R$ 13 o valor considerado justo por um DVD. Já o preço de um CD não poderia ultrapassar os R$ 10.

Mulheres leitoras
– Os números referentes a livros apontados pela pesquisa têm um fator determinante: as mulheres dão mais valor à leitura que os homens. Dentro da média de 5,1 livros lidos em 2008, elas leram 5,5 enquanto eles, 4,7. O percentual que acha esse número suficiente, ou seja, que considera que não é preciso ler mais, é menor entre as mulheres, 52% contra 53% dos homens. Ao responderem à seguinte questão: Por ordem de preferência, o que você mais gosta de fazer?, 69% das mulheres disseram que preferem ler um livro, contra 61% dos homens. E para 2009, o que pretendiam fazer? Elas também deram prioridade à leitura, com 45% dos votos, enquanto 41% dos homens escolheram os livros.

(João Augusto, da Agência Brasil Que Lê)

via PublishNews

Se pretendem pagar $10 num CD e $17 num show, o tal do Vale Cultura com o qual o governo quer comprar educar a população vão dar pro gasto.

E as mulheres provam que são muito melhores que nós até nessa hora.

MÚ$ICA

“Fancy seeing Metallica? No? Perhaps you would be tempted if the concert were to cost you a bit less than normal. £30, say. All right, how about £20? OK, tell you what, £10? Right, final offer – five quid. You can see the world’s biggest metal band, for less than the price of a pizza.”

via

E então, será que uma Time4Fun ou uma Mondo não se animam a fazer um show a preços módicos assim no Brasil? Algo representativo, que encha um estádio… Algo como a Madonna. Ahhh, não dá. São R$ 600,00 mais a taxa simbólica da Ticketmaster, certo?

Tudo bem, o Metallica nem é tão grande assim pra extorquir cobrar essas quantias.

Fidelidade e música

“As David P. Barash, a professor of psychology at the University of Washington in Seattle, put it with Cole Porter flair: Infants have their infancy; adults, adultery.”

Quantas vezes a gente precisa ler coisas desse tipo para lembrar que os trocadilhos deles são melhores que os nossos? Já não sei se realmente é uma coisa dos jornalistas deles não. No fundo, se não for a língua, deve ser alguma coisa na água. No NYT.

E, só para continuar no Times e ficar com inveja.