Sabe o show que você não espera lá muita coisa e sai impressionado? Gogol Bordello, no Festival Indie Rock, foi assim. Não vai me fazer gostar de um disco da banda nem passar as músicas prá ouvir no iPod, mas a energia que os caras passam prá platéia é impressionante, mesmo em um Via Funchal bem vazio.
A impressão geral que ficou é de que:
1 – Aquilo é “indie rock” prá indie que têm vergonha de gostar de axé e samba mas é louco prá dar uma sacolejada
2 – Os caras acreditam bastante no que fazem e contagiam antes da segunda música.
Mas o que valeu a noite, de longe, foi o Super Furry Animals.
Super Furry Animals no Via Funchal, na hora do apagão.
Deu dó ver eles fazerem um show tão bacana prá tão pouca gente. Mas ao contrário do Primal Scream no Planeta Terra 2009 que resolveu fazer showzinho preguiçoso por culpa do som, os caras do SFA não pareciam murchos ou burocráticos na apresentação.
Vocalista com cara de atormentado, guitarras e baixo competentes de sobra e um baterista alternando pancadas fortes e pancadas super-fortes na bateria.
Placas em português que o Gruff levantava prá comandar a platéia e arrancavam palmas atrás de palmas.
Pessoal de bermuda e pele bronzeada, típico surfista pra quem a gente tem todos os estereótipos do mundo, pulando insanamente e quase berrando as letras, provando que preconceito é uma bosta. (É necessário, mas é uma bosta.)
E execuções lindas de Crazy Naked Girls, Inaugural Trams e The Very Best of Neil Diamond.
Prá uma terça-feira de apagão, com ingresso grátis, bar acessível e vendo o palco a menos de dez metros? Perfeito. Queria era que todo show tivesse esse público empolgado, essa lotação mediana da casa e esses artistas desempenhando lindamente.



