Whatever, Woody

David as Boris as Woody

Já fazem duas semanas – um pouco mais, um pouco menos – que resolvi dar minha pequena contribuição a sobrevida do Cine Belas Artes e assistir Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works).

Ao contrário de muita gente, genial não é – para mim – sinônimo de Woody Allen. Ele fica acima da média em alguns momentos, fica embaraçosamente mediano em outros e, no final das contas, acaba sendo o que é: um cineasta.

Pensando nos três últimos filmes seus que eu paguei para ver no escuro, não sei se Tudo Pode Dar Certo é melhor, pior ou a mesma coisa que Vicky Cristina Barcelona ou O Sonho de Cassandra.

Ok, não é a mesma coisa. Nenhum dos três filmes tem tantos e tão óbvios pontos em comum para um olhar destreinado como o meu traçar paralelos cinematográficos que façam sentido. Deixo isso para o Zanin ou o Merten mesmo.

Mas, duas semanas depois – um pouco mais, um pouco menos – O Sonho de Cassandra e Vicky Cristina Barcelona não estavam mais no consciente, inconsciente, id e que tais.

Em compensação, hoje, após duas semanas – um pouco mais, um pouco menos – eu ainda canto parabéns duas vezes a cada vez que lavo as mãos.

Pode, sim, ser um simples traço da perenidade de um bom Woody.

Pode ser apenas uma crise de abstinência de Seinfeld projetada no Larry David.

Ainda não sei o que é ou o que pode ser, mas sei que será a segunda chance de Curb Your Enthusiasm na minha lista de pendências em DVD.

Larry David as Boris Yellnikoff as Woody Allen @ Whatever Works

Nothing comes to anything, and yet there’s no shortage of idiots to babble.

Not me. I have a vision.

I’m discussing you. Your friends, your co-workers, your newspapers, the TV.

Everybody’s happy to talk, full of misinformation. Morality, science, religion, politics, sports, love. Your portfolio, your children, health. Christ.

lf I have to eat nine servings of fruits and vegetables a day to live, I don’t want to live. I hate goddamn fruits and vegetables.

BCN

Cristina sem a Vicky em Barcelona

O quarto longa europeu de Woody Allen vale exatamente pelos pontos que você já sabia. De resto, uma diversão descompromissada com uma boa companhia sempre garante a noite de sábado. É, assim mesmo, sem impressõess, sem críticas… No caso de um filme de Woody Allen, não imagino que seja uma coisa positiva. Não que o “O Sonho de Cassandra” tenha deixado lá muito espaço pra discussões ou tenha sido algo marcante, mas esse deixa menos espaço ainda para qualquer coisa. Acabou o filme, acende a luz, vai embora, passar bem.

Melhor rever “Zelig”.